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Primeiro de Abril de 2004. A Verdade em breves manchetes
“O trabalho sério já começa a dar resultados”. Slogan publicitário do governo petista para abafar o escândalo Waldomiro Diniz/José Dirceu, lançado a partir de propaganda feita num latifúndio privado de Cotia (que não recebe qualquer ajuda governamental desde a década de 80 do século passado) no qual se ressaltava o quanto o governo tem auxiliado a agricultura.
“Crise? Que crise?”, presidente Luís Inácio Lula da Silva em abril de 2004. O mesmo que, em abril de 2002 atacava o governo tucano por causa da crise econômica que só vem se agudizando nos últimos doze anos.
“As denúncias contra o sr. Waldomiro Diniz são de um tempo anterior ao governo petista assumir o Poder”, José Dirceu um dia antes da divulgação do resultado da Sindicância Interna do Planalto afirmar haver “fortes indícios” de práticas delituosas do mesmo Waldomiro Diniz já no Palácio do Planalto.
“Temos de fazer tudo para evitar a CPI!” e “Estas propostas de CPI só visam desestabilizar o governo!”, lideranças do PSDB durante o governo FHC.
“Quem evita CPI está escondendo alguma coisa. O governo deveria ser o maior interessado numa CPI para averiguar eventuais irregularidades e, assim, ter o seu nome absolutamente isentado de qualquer culpa.” e “Se não se fizer uma CPI este governo ficará maculado até o final com uma suspeita de culpa”, lideranças do PT durante o governo FHC.
“Temos de fazer tudo para evitar a CPI!” e “Estas propostas de CPI só visam desestabilizar o governo!”, lideranças do PT durante o governo Lula.
“Quem evita CPI está escondendo alguma coisa. O governo deveria ser o maior interessado numa CPI para averiguar eventuais irregularidades e, assim, ter o seu nome absolutamente isentado de qualquer culpa.” e “Se não se fizer uma CPI este governo ficará maculado até o final com uma suspeita de culpa”, lideranças do PSDB durante o governo Lula.
“PT no poder age igualzinho ao PSDB no poder enquanto PSDB na oposição age igualzinho ao PT na oposição, são portanto partidos idênticos, dentro do mesmo espectro político”. Eliane Cantanhêde, Folha de S. Paulo, 1 de abril de 2004.
“O sonho de minha vida se realizará quando todo o brasileiro puder fazer três refeições por dia”, presidente Lula em janeiro de 2003, quando convidava D. Mauro Morelli, bispo de Duque de Caxias (RJ) para compor o núcleo de combate à fome – convite que não se confirmou devido à necessidade de loteamento de cargos para aumentar a base parlamentar de apoio ao governo.
“A política econômica do governo interfere no combate à fome e à miséria.” e “O governo parece mais preocupado em saldar compromissos externos a honrar seus compromissos com o povo brasileiro”, D. Mauro Morelli, bispo de Duque de Caxias (RJ) em março de 2004.
“Sabendo da instabilidade da base aliada, governo busca melhor diálogo com adversários para reforçar o apoio às suas propostas.” Folha de S. Paulo em março de 2004.
“Banqueiros e políticos conservadores elogiam a política econômica de Lula, Meirelles e Palocci.” Jornal do Brasil, março de 2004.
“Renda das classes média e trabalhadora atinge seu ponto histórico mais baixo desde 1970.” Folha de S. Paulo 1 de abril de 2004.
“Vamos liberar verba para os flagelados pelas recentes cheias no Nordeste, construir novas casas, mas não no mesmo local.”, presidente Lula em 11 de fevereiro de 2004.
“O governo decidiu liberar recursos para quem teve sua casa atingida na madrugada de domingo pelo ciclone em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Foi definido que o dinheiro será liberado de acordo com os mesmos critérios definidos, em fevereiro, para atender as vítimas das enchentes no Nordeste.” Folha de S. Paulo, 29 de março de 2004.
“Se o pessoal da Região Sul vai receber dinheiro com os mesmos critérios usados pelo governo para o Nordeste podem ir tirando o cavalinho da chuva que não verão nada. Estive conversando com o governador Jarbas Vasconcellos (PSB – PE) e ele me confirmou que nenhum centavo foi liberado para Pernambuco até hoje” – Senador José Jorge (PFL – PE) aparteado pela Senadora Heloísa Helena (Sem Partido – AL) que disse: “para Alagoas também não!” e pelo Senador Mão Santa (PMDB – PI) que disse: “para o Piauí também não!”, sessão Plenária do Senado Federal a 30 de março de 2004.
Geral“Contra burguês, vote dezesseis!” – PSTU
Brincadeira! O mundo guindou tanto para a direita que expressões claríssimas até o final da década de 80 do século passado passam a ser consideradas relativas. O sentimento popular reportando que de “esquerda” é quem está na oposição e de “direita” é quem está no poder toma cada vez mais vida nestes tempos de tonalidades difusas de plumagens: tucanos exauriram-se por oito anos em dizer que eram “social-democratas”, portanto “de esquerda”, enquanto praticavam o mais claro e nítido e direitista neoliberalismo cruel, anti-povo e rapinante. O PT, para estupefação de quem já despertou, faz exatamente o mesmo: proclama-se “social-democrata”, portanto “de esquerda” e passados um ano e meio do início do governo, até mesmo o ultra-conservador-direitista Delfim Netto faz críticas altamente pertinentes à esquerda do PT que hoje pratica um neoliberalismo ainda mais rapinante, anti-povo e direitista que aquele dos tucanos. Ambos os partidos anseiam pelo reconhecimento da chamada “esquerda” européia, representada pela Segunda Internacional (que se domesticou, transformou-se em gestora da massa falida do Capitalismo) em contraposição à Terceira Internacional conclamada por Stálin e à Quarta Internacional, onde hoje está verdadeiramente a esquerda, revolucionária e digna, convocada por Leon Trotski. Com tudo isso ainda acredito no Futuro da Humanidade. Que só pode ser Libertário. Ou não haverá Futuro. Obrigar seres humanos que vivem, amam, trabalham e oram a reduzir-se a objetos a serviço do capital não pode durar muito – já está ultrapassando toda a durabilidade considerada possível e a quantidade de cadáveres e vítimas de várias de suas etapas acumula-se em montanhas cada vez mais elevadas de século para século. Quantos a humanidade ainda suportará até que haja uma reversão no quadro? Esta a questão. Não trabalhar miseravelmente pela política prático-pragmática em sucessões presidenciais, estaduais ou municipais, mas trabalhar cotidianamente para a reversão deste quadro negro, que esmaga a Razão e o Ser Humano! Cada momento de sucessão (em qualquer esfera e para qualquer cargo) sempre foi compreendido pela verdadeira esquerda como um importante momento de conscientização e debates, quando todos os cidadãos prestam um pouco mais de atenção ao fenômeno político em que vivem imersas durante toda a sua vida. Aproveitar o debate político para deixar claro quem e que partidos está ou estão do lado do humano vivo, contra o capital (trabalho humano morto, por definição clássica) e quem age – o discurso, neste caso, importa muito pouco, quase nada – na direção contrária. A prática, jamais o discurso, deve ser o ponto de aferição da Verdade, como vemos nas manchetes pinçadas acima, quase que ao acaso. Os exemplos poderiam multiplicar-se.
Lázaro Curvêlo Chaves - 1º de abril de 2004 Ajude a manter esta página ativa! - Clique aqui e veja como fazer Sociologia, Filosofia, Psicologia, Ensaios Críticos
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