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A Importância
da Ética na Maçonaria – Ir.’. José Castellani

A abordagem de um assunto complexo exige algumas
premissas, que, embora verdades inconcussas, podem ser, muitas vezes,
esquecidas, em benefício de interesses pessoais de momento.
A primeira premissa esclarece que a Maçonaria é uma
Fraternidade. Ora, o substantivo feminino fraternidade designa o parentesco
de irmãos, o amor ao próximo, a harmonia, a boa amizade, a união ou
convivência como de irmãos. Isso leva à conclusão de que, na organização
designada, genericamente, como Maçonaria, ou Franco-Maçonaria, definida como
uma Fraternidade, deve prevalecer a harmonia e reinar a união ou convivência
como de irmãos.
A segunda premissa afirma que a Maçonaria, como uma
Fraternidade, deve ser uma instituição fundamentalmente ética. O substantivo
feminino ética designa a reflexão filosófica sobre a moralidade, ou seja,
sobre as regras e códigos morais que orientam a conduta humana; refere-se,
também, à parte da Filosofia que tem por objetivo a elaboração de um sistema
de valores e o estabelecimento dos princípios normativos da conduta humana,
segundo esse sistema de valores. Sendo, a Maçonaria, até pela sua definição,
uma organização ética, devem ser rígidos os códigos de moral e alto o
sistema de valores, que orientam a conduta entre maçons.
Todos os códigos maçônicos ressaltam a importância dos
valores éticos entre maçons, ou seja, entre Irmãos. Isso está bem evidente
em disposições inseridas em textos constitucionais, as quais, com pequenas
variações de Obediência para Obediência, afirmam que, entre outros, são
deveres do maçom:
"Reconhecer como Irmão todo maçom e prestar-lhe, em
quaisquer circunstâncias, a proteção e ajuda de que necessitar,
principalmente contra as injustiças de que for alvo;
Haver-se sempre com
probidade, praticando o bem, a tolerância e a fraternidade humana".
E completam, destacando que:
"Não são permitidas polêmicas de caráter pessoal nem
ataques prejudiciais à reputação de Irmãos, nem se admite o anonimato".
A ética, todavia, não fica restrita apenas às relações
entre maçons, mas, também,, às destes com as Obediências que os acolhem,
principalmente nas referências a estas, ou aos seus dirigentes, em textos
escritos. Isso está bem caracterizado no dispositivo legal, que admite ser
direito do maçom:
"Publicar artigos, livros, ou periódicos que não violem o
sigilo maçônico nem prejudiquem o bom conceito da (do) Grande Loja (Grande
Oriente)".
A par, entretanto, dessa ética de caráter interno, há
aquela reconhecida em todos os meios sociais e que considera atentatórias às
regras e códigos morais das sociedades ditas civilizadas, atitudes como:
1. Divulgar denúncia
de fatos, sem a necessária comprovação, o que envolve difamação e calúnia;
2. Difamar e atacar
pessoas, em conversas e em reuniões, sem a presença dos atingidos pelos
ataques;
3. Divulgar, por
qualquer veículo, o texto de cartas particulares e, portanto, confidenciais;
4. Atacar pessoas e
instituições, sem lhes dar o direito de resposta no mesmo veículo e no mesmo
local em que foi publicado o ataque (e esse é um direito garantido por lei);
5. Ter conhecimento
de que alguém está incorrendo em atitudes antiéticas, como as citadas, e
nada fazer, ou, o que é pior, ajudar a incrementá-las;
6. Aproveitar uma
situação de inimputabilidade penal --- por qualquer motivo, inclusive
senilidade --- para produzir ataques, difamações e injúrias contra pessoas
e/ou instituições.
Atitudes antiéticas, como essas citadas, ocorrem todos os
dias, na sociedade atual, principalmente em épocas de campanha eleitoral, de
crises econômicas, de tumulto social; ocorrem, também, nos meios onde a
intriga e os mexericos fazem parte do ofício e trazem dividendos
financeiros, como é o caso das "colunas sociais" e da mídia especializada em
futricas de rádio, televisão e teatro. É claro que ocorrem! A sociedade
atual, graças ao esgarçamento de sua estrutura familiar e ao avanço
avassalador da amoralidade, é, hoje, altamente antiética : a solidariedade é
moeda em baixa; o respeito às demais pessoas é praticamente inexistente; o
acatamento da lei e da ordem vai escorrendo pelo ralo; a deslealdade, no
sentido de auferir vantagens, vai de vento em popa; quem está por cima, pisa
na cara de quem está por baixo; e quem está por baixo tenta puxar o tapete
de quem está por cima.
A Maçonaria, contudo, deveria dar o exemplo de moral e de
ética. Afinal de contas, ela afirma, em todas as suas Cartas Magnas, que:
"Pugna pelo
aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por meio do
cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e
da investigação constante da verdade. (...) Proclama que os homens são
livres e iguais em direitos e que a tolerância constitui o princípio cardeal
nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade
de cada um".
Nem sempre, porém, isso acontece. A Instituição maçônica,
doutrinariamente, é perfeita, mas os homens são apenas perfectíveis.
Procuram se aperfeiçoar, mas muitos nem sempre conseguem o seu intento,
mesmo depois de muitos e muitos anos de vida templária, persistindo nas
atitudes aéticas e antiéticas, que lhes embotam o espírito e assolam o ideal
de solidariedade, de moral e de respeito à dignidade humana.
Para aqueles que
pretendem, realmente, se aperfeiçoar, valem os conselhos contidos numa
mensagem encontrada na antiga igreja de Saint Paul, em Baltimore, datada de
1692 :
"Vá plácido entre o barulho e a pressa lembre-se da paz
que pode haver no silêncio. Tanto quanto possível, sem capitular, esteja de
bem com todas as pessoas. Fale a sua verdade, clara e calmamente; e escute
os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes, pois também eles têm a sua
história. Evite pessoas barulhentas e agressivas. Elas são tormento para o
espírito. Se você se comparar a outros, pode se tornar vaidoso e amargo,
porque sempre haverá pessoas superiores e inferiores a você. Desfrute suas
conquistas, assim como seus planos. Mantenha-se interessado em sua própria
carreira, ainda que humilde; é o que realmente se possui, na sorte incerta
dos tempos. Exercite a cautela nos negócios, porque o mundo é cheio de
artifícios. Mas não deixe que isso o torne cego à virtude que existe; muitas
pessoas lutam por altos ideais e, por toda parte, a vida é cheia de
heroísmo. Seja você mesmo. Principalmente, não finja afeição, nem seja
cínico sobre o amor, porque, em face de toda aridez e desencanto, ele é
perene como a grama. Aceite, gentilmente, o conselho dos anos, renunciando,
com benevolência, às coisas sa juventude. Cultive a força do espírito, para
proteger-se, num infortúnio inesperado.
Mas não se desgaste com temores imaginários. Muitos medos
nascem da fadiga e da solidão. Acima de uma benéfica disciplina, seja
bondoso consigo mesmo. Você é filho do Universo; não menos que as árvores e
as estrelas, você tem o direito de estar aqui. E que seja claro, ou não,
para você, sem dúvida o Universo se desenrola como deveria. Portanto, esteja
em paz com Deus, qualquer que seja a sua forma de conhecê-lo, e, sejam quais
forem sua lida e suas aspirações, na barulhenta confusão da vida,
mantenha-se em paz com sua alma. Com todos os enganos, penas e sonhos
desfeitos, este ainda é um mundo maravilhoso. Esteja atento"!
Do livro "Fragmentos da Pedra Bruta"
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