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Banco Imobiliário (Monopoly)
Foi esta
a impressão que tive ao ser convidado por uma senhora, amiga da família, a
verificar um programa que tem em seu computador, através do qual
contabiliza, manipula e transfere recursos próprios (ou seriam alheios? Não
entendi bem...) para lá e para cá. Tentava me explicar: “olha, eu tenho
3.000 ações dessa empresa, 5.000 daquela outra, 2.000 de uma terceira...
Nesta outra telinha eu verifico as cotações das moedas e empresas...” Uma
empresa sólida estava com cotações em baixa e ela aproveitava um determinado
número de ações de outra que teve tendência de alta nas últimas semanas mas
que, naquele dia, estava em queda e seguia tentando me explicar: “estou na
fila para vender estas por um determinado preço, se aparece alguém ofertando
as mesmas por preço menor, passa minha frente na fila. Assim que as vender,
aguardo o melhor momento para comprar ações da empresa que está em queda
mas, por ser sólida, se valorizará novamente em pouco tempo...”
Desnecessário enfatizar que se trata de pessoa com muitas posses, que vive
num mundo completamente diferente deste que eu – de livre e espontânea
vontade – e a maioria dos brasileiros – por força das circunstâncias
causadas pela jogatina neste banco imobiliário – vivemos.
Lembrei-me imediatamente daquele filme com Michael Douglas no papel de um
cidadão equivalente a um gênio neste tipo de jogo e que, no Brasil, recebeu
o título de “Wall Street, poder e cobiça”: em síntese, estraçalha-se a vida
de um bocado de gente para que um “gênio”, já para lá de biliardário,
enriqueça um pouco mais.

Mantenho
alguns princípios, por formação moral: não jogo. Além dos impostos
extorsivos que os governos (federal, estadual e municipal) nos cobram, há
ainda um sem-número de loterias e jogos de azar (de um azar desgraçado para
a maioria) e, desde o tempo em que era mais, digamos, religioso, considerava
o dinheiro ganho desta maneira um dinheiro sujo, oriundo de pedacinhos de
sacrifício de um bocado de gente desesperada.
A visão
da senhora jogando na bolsa de valores como uma criança brincando de jogo
imobiliário ocasionou forte impressão que me acompanhará por bom tempo:
receio que uma parcela não insignificante da classe média para cima dos
brasileiros lucre rios de dinheiro sem produzir rigorosamente nada a quem
quer que seja, somente fazendo o esforço (eu escrevi “esforço”, mesmo?) de
“comprar na baixa e vender na alta” observando com atenção a tendência do
deus todo-poderoso da modernidade, Sua Santidade o Mercado de Capitais.
Uma
monstruosidade: sou a favor da implantação imediata de um plebiscito
proibindo todos os tipos de jogos no Brasil e de um outro que nos liberte do
voto compulsório – outra implicância que tenho: que raio de democracia é
essa que obriga todo o mundo a votar numa urna eletrônica de pouquíssima
confiabilidade em candidatos pré-selecionados entre os “confiáveis” de Sua
Santidade o Mercado?
Entendo
e aplaudo o homem que planta, colhe e vende o fruto de sua colheita – em
sentido metafórico ampliado. Não entendo, não há o que possa justificar quem
ganha dinheiro sem produzir coisa alguma a quem quer que seja: do mercador
que compra um treco barato num lugar para vender pelos tubos em outro e
menos ainda esta praga da modernidade dos banqueiros e jogadores na bolsa de
valores que ganham inacreditavelmente mais que aqueles que produzem sem
fazer esforço algum e até mais que os mercadores. Isto é, no mínimo, uma
imoralidade!

Solução
Andina
Felizmente, a coisa para as bandas dos Andes, envolvendo dois loucos – o Sr.
Chávez de um lado, aliando-se ao Sr. Gutiérrez, agredido em seu território
por forças armadas combinadas dos EUA e Colômbia e o Sr. Bush de outro,
agindo aqui na vizinhança do Brasil através de sua marionete, o Sr. Uribe –
vai chegando a um final pacífico.
E digo
isso como brasileiro e militar. Nossas Forças armadas vêm sendo sucateadas
há cerca de 20 anos consecutivos e os salários dos militares está em queda
livre neste período, já havendo afastado praticamente todos os bons
estrategistas da carreira militar para outros ramos profissionais que lhes
possibilite melhores condições de vida.
Uma
confusão qualquer aqui na vizinhança exporia aos quatro ventos a nossa
abissal fragilidade militar. O caso da Colômbia, ocupada militarmente pelos
estadunidenses há cerca de 40 anos ameaçando um confronto com a Venezuela
que se rearma fortemente nos “anos Chávez” seguramente nos forçaria a tomar
posição. Mas que posição as forças mal-armadas, esfarrapadas, mal-equipadas
e subnutridas do Brasil poderiam tomar?
Se o
caso serviu para alguma coisa – o que duvido – é um brado de alerta contra
este estado de coisas que nos deixa vulnerabilíssimos e contra o qual é
preciso tomar medidas práticas, reais, concretas, efetivas. Visitas do
Ministro da Defesa a países poderosos como que a fazer algo parecido a uma
“cotação de preços de equipamento bélico”, mas que todos sabem tratar-se de
mero jogo de marketing político não soluciona absolutamente nada. Tampouco a
promessa – e o concomitante e reiterado não cumprimento – de reajustes
salariais de 0,1 % em um prazo de até 30 anos serve para sequer funcionar
como marketing, de tão defasados os soldos e ridícula a proposta.
Fôlego
para Lula da Silva
É um
caso que exorbitou o nível da mera patologia. Motivo de ponderação a todos
nós. Eu já exerci atividade política – de pequeníssima monta ou relevância,
sem lidar direta ou indiretamente com recursos públicos – mas, traumatizado
com o que vi a meu redor, prometi a mim mesmo e à minha família recusar-me a
aceitar qualquer tipo de convite para atividade daquela natureza e jamais me
candidatar a cargo público, particularmente enquanto o voto for obrigatório
e a contagem for feita por urnas eletrônicas que dão o resultado antes mesmo
que o último eleitor exerça o que determina, sob as penas da Lei, sua
obrigação.
Quando o
sujeito galga um cargo público executivo é mais ou menos como, subitamente,
tornar-se dono de uma sólida empresa privada; este tipo de “promoção”,
humanos que somos, sobe à cabeça e vai-se perdendo a noção da concretude dos
fatos a tal ponto que, em podendo, fabricam-se notícias e estatísticas nas
quais o ocupante do poder tende a acreditar e se esquecer que foi ele mesmo
o autor daquela fantasia, reduzindo-o ao ridículo de falar da fantasia como
se se tratasse da realidade.
É a
primeira vez na história do Brasil que um cidadão tão despreparado e
ignorante galga a chefia do Executivo causando tantos embaraços e confusões.
A maior
parte da população brasileira – os “sem-banco” e os “sem ações na bolsa de
valores” – vive do suor de seu rosto como reza o livro de Gênesis. Pagamos
impostos elevadíssimos, provavelmente os mais elevados do mundo, que são
utilizados de maneira excêntrica em grau superlativo. Há uma CPI no
Congresso Nacional em que poucos acreditam, prometendo averiguar de que
maneira são efetuados os gastos dos donos do poder. Serão interrogados os
mordomos do Palácio do Planalto, que pagam as despesas do Sr. Lula da Silva
e sua família? Haverá justificativa plausível para a aquisição de mesas de
bilhar, gastos em lojas de lingerie e perfumaria, montagem de academias de
ginástica, etc.?
Antes
que me esqueça: a entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física
deve ser feita até 30 de abril, sob as penas da Lei.
Alguém
se recordará de questionar a coincidência fenomenal da genialidade
mercadológica de Lulinha se manifestar justamente quando seu pai galgou o
supremo do poder executivo nacional? Antes de ser dono da empresa de
telefonia chamada “Oi!” e já estar ampliando negócios com outras empresas do
mesmo ramo, já dono de uma fazenda no Ceará na rota em que passará o coitado
do Velho Chico o cidadão em questão só teve seus 15 minutos de fama quando,
segurança de um Zoológico, foi questionado pela imprensa acerca da morte de
vários animais há alguns anos. Estivéssemos vivendo uma democracia plena e,
minimamente, se buscaria entender como foi possível a um segurança de
zoológico se transformar em próspero empresário de comunicações com a mera
ascensão do pai à chefia do Executivo nacional...
Vá lá: a
Receita Federal costuma estender o prazo para os retardatários, mas não é
bom arriscar. E este ano estão excepcionalmente vorazes na arrecadação e
vigilância do cidadão. Minha recomendação para quem vive sob as leis
brasileiras é que se apresse ao máximo a apresentar sua declaração do IRPF!
Há
cartões de crédito corporativo a pagar, milhares de refeições à claque por
onde passa o presidente em peregrinação nacional em apoio a seus associados,
as despesas de viagem da comitiva presidencial, os baldes de leite
condensado, chocolate e carne argentina consumidos pelo Palácio... Atrasar a
declaração do IRPF, além de poder causar graves problemas legais, pode
retardar as “ações do governo”.
Enfim, o
maior beneficiário do imbróglio andino ainda foi o Sr. Lula da Silva pois,
durante bom tempo, os temas mais espinhosos a Sua Excelência saíram da
pauta: só se falava nos Andes, Chávez, FARC, Bush... Ninguém – ou pouca
gente – se lembrava dos mensalões, cuecas, bingos, sapatos de D. Mariza,
seguranças da família do Lula e ministros exorbitando nos gastos com cartões
corporativos, etc.
Hoje diz
que sequer cogita da possibilidade de se aventurar a um terceiro mandato.
Como ele sempre diz uma coisa e faz outra, fico desconfiado...

Balões de
Ensaio
Numa
semana trombeteia-se aos quatro ventos que o candidato preferido do Sr. Lula
da Silva à sua sucessão seria o Sr. Aécio Neves, em processo de cooptação
pela ala lulista do PMDB; na outra aquele poço de bondade, simpatia e
delicadeza feminina que hoje chefia a Casa Civil. Eu – confesso –
ainda temo que o Sr. Lula da Silva tente alguma coisa que lhe permita
perpetuar-se no poder num eventual “terceiro mandato” ou o que o valha.
Tratando-se de um cidadão que não sustenta de pé o que pronuncia sentado,
lembro-me de ouví-lo dizer ser contra a reeleição pouco antes de lançar a
própria candidatura, usando todo o peso da máquina administrativa debaixo de
uma saraivada de escândalos envolvendo principalmente o desvio de recursos
(no pior sentido da expressão) para o exterior e sua re-internalização em
moeda estrangeira, seja para adquirir um dossiê, real ou fictício, contra
adversários, seja transportado das maneiras mais excêntricas (malas, cuecas
e por aí vai).
Como
tantos outros antes de mim, desconfio da maioria: a maioria pediu para
soltar Barrabás e crucificar Jesus; a maioria quis o nazismo na Alemanha; a
maioria reelegeu o Sr. Lula da Silva, mais culpado que o pecado de uma série
de crimes em processo de investigação e “inocentado pelas urnas” como vários
outros criminosos. Presentemente a maioria – a se acreditar nos noticiários
e nas pesquisas de opinião... – parece disposta a apoiá-lo seja o que for
que ele dite. Tanto a maioria iletrada de nossos compatriotas quanto a
maioria do Congresso Nacional com forte apoio da oposição mais dócil e
pusilânime da história deste país.

Atenção:
vem arrocho aí...
Quando a
única potência militar do planeta Terra está com problemas financeiros e
definitivamente está decidida a encontrar uma solução dentro dos moldes do
capitalismo para os problemas que o próprio capitalismo traz, o mundo
inteiro sofre.
Dia
desses o Sr. Lula da Silva esbravejou como cachorro louco – que será que deu
nele? De uns tempos para cá o “Lulinha paz” e amor deu lugar a esse louco
ensandecido que xinga juízes, afronta o legislativo e brutaliza o povo...
Estranho... Ou o psiquiatra trocou o medicamento dele ou ele anda exagerando
nas cachaças de novo... – que o povo brasileiro “precisa entender” que não
pode consumir tanto, que tem de baixar a bola... Traduzindo: “arrependei-vos
que o fim está próximo! Vamos tomar medidas restritivas ao crédito e ainda
mais redutoras do M1 (meio circulante em espécie e contas correntes) porque
nosso Big Brother do Norte está com problemas.
Merda de
colônia desgovernada por criminosos a soldo de uma potência estrangeira!
Lázaro Curvêlo
Chaves – 17/03/2008

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