BIOGRAFIA
Filho de cristãos-novos, veio com a
família para o Brasil por volta de 1567, com destino à capitania do Espírito
Santo, frequentando o colégio dos Jesuítas. Em 1576 foi para o Rio de Janeiro
e em 1579 para a Bahia. Em 1583 vai para Ilhéus onde se casa com Filipa
Raposa, cristã-velha. Sem possibilidade de melhoria financeira, parte em 1584
para Olinda, abrindo aí a escola. Em 1588 vai para Igaraçu, dedicando-se ao
magistério, à advocacia e ao comércio. Foi aí que a esposa começou a traí-lo
sob pretexto de ele ser mau cristão e judeu. Foi aí também que blasfemou,
sendo, em consequência, levado a auto-de-fé em 31 de julho de 1589, mas
conseguindo a absolvição do ouvidor da Vara Eclesiástica. A 21 de janeiro de
1594 fez sua denúncia e confissão perante o Visitador do Santo Ofício, em
Olinda. Em dezembro desse ano matou a esposa por adultério e refugiou-se no
Mosteiro de São Bento daquela cidade. Continuando sob a mira da Inquisição por
judaísmo, foi preso em Olinda em 20 de agosto de 1595 sendo embarcado para
Lisboa, aí chegando em janeiro de 1596. Recolhido aos cárceres, negou a crença
e prática judaicas, vindo a confessá-las depois. Levado a auto-de-fé em 31 de
janeiro de 1599, abjurou o judaísmo, recebeu doutrinação católica e obteve
liberdade condicional a 30 de outubro. Doente, faleceu na cadeia de Lisboa em
fins de julho de 1600.
JOSÉ VERÍSSIMO
Nome literário: VERÍSSIMO, JOSÉ
Nome completo: JOSÉ VERÍSSIMO DIAS DE MATOS
Pseudônimo: CÂNDIDO, V.
Nascimento: 08 de Abril de 1857, Óbidos, PA.
Falecimento: 02 de Fevereiro de 1916, Rio de Janeiro.
BIOGRAFIA
José Veríssimo passou a infância e iniciou os
estudos em Óbidos, Pará. Depois, morou em Manaus e Belém. Aos doze anos
transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde fez os preparatórios e ingressou na
Escola Politécnica. Por motivos de doença, em 1876, abandona os estudos e
regressa ao Pará. Lá, dedica-se a múltiplas atividades: em 1879, funda e
dirige a Gazeta do Norte, e em 1884 , o Colégio Americano . Em 1878, ele
estréia nas letras com Quadros Paraenses e Viagem ao Sertão. Fez duas viagens
à Europa; na primeira, em 1880, viaja para Lisboa a fim de participar do
Congresso Literário Internacional com um trabalho acerca do movimento
literário brasileiro, e na Segunda, em 1889, participa de um Congresso de
Antropologia e Arqueologia Pré-Histórica, em Paris, com um ensaio sobre O
Homem de Marajó e a Antiga Civilização Amazônica. Regressando, muda-se para o
rio de Janeiro, onde se consagra inteiramente à crítica e ao magistério:
professor e diretor do Colégio Pedro II. Foi membro do Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro, sócio-fundador da Academia Brasileira de Letras,
diretor da Revista Brasileira ( 3º série, 1895-1898). Em 1907, conclui a
publicação das seis séries dos Estudos de Literatura Brasileira, iniciada em
1901.
JOSÉ DE ALENCAR
NOME LITERÁRIO: ALENCAR, José de
NOME COMPLETO: ALENCAR, J. Martiniano de
PSEUDÔNIMO: AC; Senio; G.M.; Erasmo; J. de Al; Job; Um Asno; Ig; Serio.
NASCIMENTO: Mecejana, Ceará, 1 de maio de 1829.
FALECIMENTO: Rio de Janeiro, RJ, 12 de julho de 1877.
BIOGRAFIA
Poeta, romancista, dramaturgo, crítico,
jornalista, político, ensaísta, orador parlamentar e consultor do Ministério
da Justiça. É considerado o patriarca da literatura brasileira. Sua infância
foi impregnada das cenas da vida sertaneja e da natureza brasileira. Entre
1840 e 1843, estudou no Rio de Janeiro. Em 1846, transferiu-se para São Paulo,
onde matriculou-se no curso jurídico. Em 1848, estudou em Pernambuco,
retornando a São Paulo diplomou-se em 1850. No ano seguinte fixou-se no Rio de
Janeiro, (RJ). Leu mestres estrangeiros de todos os gêneros: Balzac,
Chateaubriand, Victor Hugo, Dumas, Byron, Eugenie Sue, Walter Scott, Fenimore
Cooper. Em 1844, escreveu Os contrabandistas, O ermitão da Glória e Alma de
Lázaro, influenciado pelo êxito de A Moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo.
Projetou-se no mundo literário através da polêmica em torno do poema épico
"Confederação dos Tamoios", de Gonçalves de Magalhães, considerado, então, o
chefe da literatura brasileira. Sua crítica demonstrava a concepção do que
deveria caracterizar a literatura brasileira, para a qual o gênero épico era
incompatível. Colaborou nos periódicos Correio Mercantil, Folha Nova, Revista
Brasileira. Foi redator-chefe do Diário do Rio de Janeiro.
LIMA BARRETO
NOME LITERÁRIO: BARRETO, Lima.
NOME COMPLETO:BARRETO, Afonso Henriques de Lima.
PSEUDÔNIMO: Rui de Pina; Dr. Bogoloff; S. Holmes; Phileas Fogg. NASCIMENTO:
Rio de Janeiro, RJ, 13 de maio de 1881.
FALECIMENTO: Rio de Janeiro, RJ, 1 de novembro de 1922.
BIOGRAFIA
Romancista, cronista. Fez seus primeiros
estudos como interno no Liceu Popular Niteroiense, prestando, após alguns
anos, exames para o Ginásio Nacional. Em 1896, matriculou-se no Colégio Paula
Freitas, freqüentando o curso preparatório à Escola Politécnica, onde
ingressou no ano seguinte. Em 1903, ingressou na Diretoria de Expediente da
Secretaria de Guerra, abandonando o curso de engenharia, passando a sustentar
a família, já que seu pai enlouquecera e sua mãe havia falecido. Em 1914, foi
internado pela primeira vez no Hospício Nacional, por alcoolismo, sendo
aposentado através de decreto presidencial. Foi preterido nas promoções da
Secretaria de Guerra por sua participação, como jurado, no julgamento dos
acusados no episódio denominado "Primavera de Sangue" (1910), que condenou os
militares envolvidos no assassinato de uma estudante. Em 1919, esteve pela
segunda vez internado no hospício. Candidatou-se duas vezes a membro da
Academia Brasileira de Letras; na primeira vez, seu pedido não foi
considerado; na segunda, não conseguiu ser eleito. Posteriormente recebeu
menção honrosa desta Academia. Fez sua primeira colaboração na imprensa ainda
em 1902. Influenciado pela Revolução Russa, a partir de 1918 passou a militar
na imprensa socialista, publicando no semanário alternativo ABC um manifesto
em defesa do comunismo. Colaborou nos periódicos Correio da Manhã, Gazeta da
Tarde, Jornal do Commercio, Fon-Fon, entre outros. Lançou em 1907, com amigos,
a revista Floreal, que teve editados apenas quatro números.
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ADOLFO CAMINHA
Nome literário: CAMINHA, ADOLFO
Nome completo: ADOLFO FERREIRA CAMINHA
Pseudônimo: FÉLIX GUANABARINO.
Nascimento: 29 de Maio de 1867, Aracati, CE.
Falecimento: 1º de Janeiro de 1897, Rio de Janeiro.
BIOGRAFIA
Adolfo Caminha após ter-lhe morrido a
mãe, ficando órfão com mais cinco irmãos, foi para a companhia de parentes em
Fortaleza. Seis anos depois, em 1883, mudou-se para a casa de seu tio no Rio
de Janeiro que o matriculou na antiga Escola da Marinha. Em 1886, saiu a
publicação em versos de Vôos Incertos. No mesmo ano, fez uma viagem de
instrução aos Estados Unidos. Em 1887, a 16 de Dezembro, promovido a 2º
tenente, publicou Judite e Lágrimas de um Crente, livro de contos. Em 1888,
regressa a Fortaleza e envolve-se em rumoroso escândalo, ao raptar a esposa de
um alferes. O ministro da Marinha interfere, inutilmente, para pôr fim à
situação. Em 1890, Adolfo Caminha, pressionado de todos os lados, se demite e
com a mulher e duas filhas segue para o Rio de Janeiro, onde vive como
funcionário publico. Em 1891, fundou, em Fortaleza, a Revista Moderna, e
colaborou no jornal O Norte. Em 1893, lançou o romance A Normalista, colaborou
na Gazeta de Notícias e em O País. Em 1894, publicou No País dos Ianques,
fruto de sua ida, oito anos antes, aos Estados Unidos. Um ano depois, o
romance O Bom Crioulo, e Cartas Literárias. Em 1896, ano em que fundou a Nova
Revista, publicou Tentação. Atormentado pelas dificuldades econômicas e
debilitado pela tuberculose, morre precocemente. Deixou inacabados os
romances: Ângelo e O Emigrado.
ALUÍSIO AZEVEDO
NOME LITERÁRIO: AZEVEDO, Aluísio
NOME COMPLETO: AZEVEDO, A. Tancredo Gonçalves de
PSEUDÔNIMO: Pitribi; Luinho; Gerofle; Semicúpio dos Lampiões; Acropolio; Vitor
Leal (assinava este junto com Olavo Bilac, Coelho Neto e Pardal Mallet); Rui
Vaz; Aliz-Alaz; Asmodeu.
NASCIMENTO: São Luiz, MA, 14 de abril de 1857.
FALECIMENTO: Buenos Aires, Argentina, 21 de janeiro de 1913.
BIOGRAFIA
Em 1875, trabalha como caixeiro. Nesta
época colabora em jornais com versos e desenhos e ensina português. A convite
do irmão, o comediógrafo Artur Azevedo, embarca para o Rio de Janeiro,
trabalhando como caricaturista nas redações de jornais políticos e
humorísticos. Lá, cursa a Imperial Academia de Belas Artes. Com o falecimento
do pai em 1878, retorna ao Maranhão, onde colabora na imprensa. Foi um dos
fundadores do jornal O Pensador. Volta ao Rio de Janeiro em 1882, militando
ativamente na imprensa. Em 1891, é nomeado Oficial-Maior da Secretaria de
Negócios do Governo do Estado do Rio. Em 1895, fez concursos na Secretaria do
Exterior para cônsul, sendo nomeado vice-cônsul, em Vigo, em 1895. Desde
então, não mais publicou um livro, vendendo sua propriedade literária a H.
Garnier. Em 1910, foi promovido a cônsul de primeira classe. Em 1911, sem
prejuízo das funções consulares foi transferido para o posto de Adido
Comercial junto às legações do Brasil na Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai.
JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS
NOME LITERÁRIO: ASSIS, JOAQUIM MARIA MACHADO DE
NOME COMPLETO: JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS
NASCIMENTO: 21 de junho de 1839, Rio de Janeiro FALECIMENTO: 29 de agosto de
1908, Rio de Janeiro
BIOGRAFIA
Mestiço, de origem humilde – filho de um pintor
de paredes e de uma imigrante açoriana , autodidata, sofrendo as inevitáveis
restrições de sua descendência social, Machado de Assis, tendo perdido cedo
sua genitora, foi criado por uma madrasta, que o cuidou com carinho. A
despeito de tudo, Machado atingiu todas as glórias das letras nacionais. Sua
produção abrange a poesia, o conto, o ensaio, o teatro, o publicismo, a
crônica. Foi no romance, principalmente nos cinco textos escritos após 1881,
que ele atingiu os maiores níveis de criatividade e elaboração formal. É o
autor brasileiro de mais vasta fortuna crítica, não apenas entre os críticos
nacionais, mas também entre os estrangeiros que o consideram um caso raro de
artista e intelectual. As várias exegeses de sua obra revelam sua genialidade
e apontam para o moralista - irônico e refinado - e o humorista, no sentido
inglês do termo, com extraordinária agudeza de espírito. Ao longo de sua vida,
lutou contra as dificuldades de sua saúde precária e contra os preconceitos
sociais. Por cultivar uma personalidade amena, cativante, sempre avesso às
controvérsias banais, preferindo decifrar a condição humana com sua literatura
inigualável, ficou conhecido como o bruxo do Cosme Velho, bairro do Rio de
Janeiro onde morou desde a década de 1870 até sua morte.
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RAUL POMPÉIA
NOME LITERÁRIO: POMPÉIA, Raul.
NOME COMPLETO: POMPÉIA, Raul d’Ávila.
PSEUDÔNIMO: Rapp; Pompeu Stell; Um moço do povo; Y. Niomey e Hydgard; R.;
Lauro; Fabrício; Raul D. Raulino Palma; Procopius.
NASCIMENTO: Angra dos Reis, RJ, 12 de abril de 1863.
FALECIMENTO: Rio de Janeiro, RJ, 25 de dezembro de 1895.
BIOGRAFIA
Romancista, contista, cronista, poeta,
advogado, jornalista. Aos dez anos foi internado no colégio do professor
Abílio César Borges, no Rio de Janeiro. Mais tarde, matriculou-se no externato
do Imperial Colégio Pedro II, onde completou o estudo de humanidades,
destacando-se como orador. Começando o curso de direito em São Paulo (1881),
deixou-se influenciar por idéias materialistas, positivistas e revolucionárias
da época, empolgando-se pelas causas abolicionista e republicana. Atacando a
oligarquia dominante através de comícios públicos, ou de caricaturas e artigos
publicados em diversos jornais, sofreu perseguições políticas que culminaram
com a sua reprovação nos exames finais da faculdade. Transferiu-se para a
cidade de Recife, a fim de concluir o curso. Foi de intensa atividade
intelectual a sua permanência nesta cidade, de onde remetia suas colaborações
para os jornais do Rio de Janeiro, cidade para qual retornou em 1885. Em 1893,
publicou a charge "O Brasil crucificado entre dois ladrões", hostilizando
ingleses e portugueses, causando escândalo no meio político. Devido as suas
posições político-ideólogicas, foi atacado por Olavo Bilac num artigo de
jornal. Pompéia o desafiou para um duelo que não chegou a se consumar. Em
1895, é demitido da direção da Biblioteca Nacional, para onde havia sido
nomeado. Um artigo de Luís Murat traz-lhe grande abatimento moral e no dia de
Natal suicida-se com um tiro no coração.
JÚLIA LOPES DE ALMEIDA
NOME LITERÁRIO: ALMEIDA, Júlia Lopes de.
NOME COMPLETO : ALMEIDA, Júlia Valentina da Silveira Lopes de.
PSEUDÔNIMO : Jalinto; Filinto de Almeida; Eila Worns.
NASCIMENTO: Rio de Janeiro, RJ, 24 de setembro de 1862.
FALECIMENTO: Rio de Janeiro, RJ, 30 de maio de 1934
BIOGRAFIA
Contista, romancista, cronista,
teatróloga. Viveu parte da infância em Campinas (SP). Estreou na imprensa em
1881, quando as mulheres mal iniciavam carreira literária em jornais no
Brasil, publicando no semanário A Gazeta de Campinas. Fez conferências e
colaborou em vários periódicos do Rio de Janeiro e de São Paulo, entre eles
Gazeta de Notícias, Jornal do Comércio, Ilustração Brasileira, A Semana, O
País, Tribunal Liberal. Casou com o poeta e teatrólogo português Filinto de
Almeida, com quem dividiu a autoria do romance A casa verde. Seus livros
retratam costumes da época e expõem idéias favoráveis à República e à
Abolição, destacando-se sobretudo pela simplicidade, o que a tornou bem aceita
pelo público e pela crítica. Ocupou a cadeira nº 26 da Academia Carioca de
Letras. Com uma linguagem simples, Júlia Lopes Almeida revela em sua obra a
atmosfera suave do ambiente tipicamente familiar. Em seu livro A árvore
(1916), defende com rigor o ambiente natural, afirmando que "cortar uma árvore
é estrangular um nervo do planeta em que vivemos", preocupação inusitada para
a sua época. Brilhante e sensível, contestava, ainda que de maneira delicada e
sutil, a discriminação contra a mulher. No entender de Lúcia Miguel Pereira, a
autora deve ser considerada a maior figura entre os romancistas de sua época,
não só pela extensão de sua obra, pela continuidade do esforço, pela longa
vida literária de mais de 40 anos, como pelo êxito que conseguiu, com os
críticos e com o público. Para Josué Montello, "o que sua voz revela, no plano
mesmo da superfície narrativa cheia de ações e peripécias, são os movimentos
tornados gestos. Gestos ao mesmo tempo cotidiano e cerimoniais.
VISCONDE DE TAUNAY
NOME LITERÁRIO: TAUNAY, VISCONDE DE
NOME COMPLETO: ALFREDO D'ESCRAGNOLLE TAUNAY
PSEUDÔNIMOS: ANAPURUS, ANDRÉ VIDAL, CARMOTAIGNE, EUGÊNIO DE MELO, FLÁVIO
ELÍSIO, HEITOR MALHEIROS, SÍLVIO DINARTE, MÚCIO ESCOEVOLA, SEBASTIÃO CORTE
REAL
NASCIMENTO: 22 de Fevereiro de 1843, Rio de Janeiro FALECIMENTO: 25 de Janeiro
de 1889, Rio de Janeiro.
BIOGRAFIA
Taunay estudou Humanidades no Colégio
Pedro II. Depois, em 1859, matriculou-se na Escola Militar, onde foi bacharel
em Ciências Físicas e Matemáticas. Engenheiro-geógrafo do Exército, tenente do
Imperial Corpo de Engenheiros, participou da Guerra do Paraguai e da Expedição
do Mato Grosso. Deixou o exército, no posto de major, para se dedicar à
política e ás letras. Dedicou-se à música, à pintura, ao jornalismo e à
crítica. Embora filho de franceses, soube ser um escritor essencialmente
brasileiro. Iniciou-se nas letras com o romance A Mocidade de Trajano (1871),
sob o pseudônimo de Sílvio Dinarte. No mesmo ano, publica em francês suas
impressões acerca de um episódio decisivo na Guerra do Paraguai, A Retirada da
Laguna. Em 1872, publica Inocência. Foi senador por Santa Catarina e
presidente da Província de Santa Catarina e Paraná. Afastou-se da política
como senador em 1889, por fidelidade à monarquia. Foi membro do Instituto
Histórico e Geográfico e membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Em
1889, recebe o título de Visconde.
RUI BARBOSA
Nome literário: BARBOSA, RUI
Nome completo: OLIVEIRA, RUI BARBOSA DE
Nascimento: 5 de novembro de 1849, Salvador, Bahia
Falecimento: 1923, em Petrópolis, Rio de Janeiro
BIOGRAFIA
Rui Barbosa de Oliveira, político e
jurisconsulto, nasceu em Salvador, Bahia, em 5 de novembro de 1849.
Bacharelou-se em 1870 pela Faculdade de Direito de São Paulo. No início da
carreira na Bahia, enganjou-se numa campanha em defesa das eleições diretas e
da abolição da escravatura. Foi político relevante na República Velha,
ganhando projeção internacional durante a Conferência da Paz em Haia (1907),
defendendo com brilho a teoria brasileira de igualdade entre as nações. Eleito
deputado provincial, e adiante geral, atuou na elaboração da reforma
eleitoral, na reforma do ensino, emancipação dos escravos, no apoio ao
federalismo e na nova Constituição. Por divergências políticas, seu programa
de reformas eleitorais que elaborou, mal pode ser iniciado, em 1891. Em 1916,
designado pelo então presidente Venceslau Brás, representou o Brasil
centenário de independência da Argentina, discursando na Faculdade de Direito
de Buenos Aires sobre o conceito jurídico de neutralidade. O discurso causaria
a ruptura definitiva da relações do Brasil com a Alemanha. Apesar disso,
recusaria, três anos depois, o convite para chefiar a delegação brasileira à
Conferência de Paz em Versalhes. Com seu enorme prestígio, Rui Barbosa
candidatou-se duas vezes ao cargo de Presidente da República - nas eleições de
1910, contra Hermes da Fonseca e 1919, contra Epitácio Pessoa - entretanto,
foi derrotado em ambas, sendo o período durante a primeira candidatura o marco
inicial e sua Campanha Civilista. Como jornalista, escreveu para diversos
jornais, principalmente para A Imprensa, Jornal do Brasil e o Diário de
Notícias, jornal o qual presidia. Sua extensa bibliografia recolhida em mais
de 100 volumes, reúne artigos, discursos, conferências EE. questões políticas
de toda uma vida. Sócio fundador da Academia Brasileira de Letras, sucedeu a
Machado de Assis na presidência da casa. Sua vasta biblioteca, com mais de
50.000 títulos pertence à Fundação Casa de Rui Barbosa, localizada em sua
própria antiga residência no Rio de Janeiro. Rui Barbosa faleceu em
Petrópolis, no Rio de Janeiro, em 1923.
EUCLIDES DA CUNHA
NOME LITERÁRIO: CUNHA, Euclides da
NOME COMPLETO :CUNHA, Euclides Rodrigues Pimenta da
NASCIMENTO:Santa Rita do Rio Negro, Cantagalo. RJ, 20 jan. 1866.
FALECIMENTO:Rio de Janeiro, RJ, 15 ago. 1909.
BIOGRAFIA
Romancista. Iniciou o curso de engenharia na
Escola Central Politécnica no Rio de Janeiro, transferindo-se depois para a
Escola Militar, da qual foi expulso em 1888 por motivo de rebeldia.
Positivista, antimonárquico e abolicionista, com a proclamação da República
foi readmitido no Exército. Cursou engenharia militar na Escola Superior de
Guerra e bacharelou-se em matemática e ciências naturais, dedicando-se à
engenharia civil e ao jornalismo. Foi enviado pelo jornal O Estado de S.
Paulo, em 1897, para cobrir a guerra de Canudos, causada pela rebelião de
fanáticos religiosos na Bahia. Autor de Os sertões, obra, "precursora para o
desenvolvimento das ciências sociais dos anos 30 e 40" (Antônio Cândido), que
trouxe "para a linha de frente do pensamento nacional a indagação das razões
do atraso do interior do país e deste país em relação aos outros" (Walnice
Nogueira Galvão). Foi membro da Academia Brasileira de Letras e do Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro.
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BERNARDO GUIMARÃES
NOME LITERÁRIO: ALVES, Antônio de Castro.
NOME COMPLETO: Bernardo Joaquim da Silva Guimarães
NASCIMENTO: Ouro Preto, MG, 15 ago. 1825.
FALECIMENTO: Ouro Preto, MG, 10 de mar. 1884.
BIOGRAFIA
Romancista e poeta. Realizou seus
primeiros estudos em Ouro Preto (MG) e, posteriormente, graduou-se em direito
em São Paulo (1852). Exerceu a magistratura em, Catalão (GO). No Rio de
Janeiro, fez incursões no jornalismo. Após seu retorno a Ouro Preto, tornou-se
professor de retórica e poética no Liceu Mineiro e de latim e francês em
Queluz. Introdutor do regionalismo e do sertanismo na ficção brasileira, sua
obra poética revela traços do ultra-romantismo à maneira de Álvares de
Azevedo, seu contemporâneo e amigo na Faculdade de Direito. Principais obras:
O garimpeiro (rom.), 1872, reed. 1991. Ática, São Paulo; O seminarista (rom.),
1872, reed. 1994, FTD, São Paulo; A escrava Isaura (rom.), 1875, reed.
1997,Ática, São Paulo; Poesias completas, 1959, Instituto Nacional do Livro,
Rio de Janeiro; Poesia erótica e satírica,1992, Imago, Rio de Janeiro.
MONTEIRO LOBATO
NOME LITERÁRIO: Lobato, Monteiro
NOME COMPLETO: José Bento Monteiro Lobato
NASCIMENTO: Taubaté, SP, 18, abril. 1882
FALECIMENTO: São Paulo, SP, 04, julho, 1948
BIOGRAFIA
Escritor e empresário. Nasce em Taubaté,
forma-se na Faculdade de Direito de São Paulo, exercendo a profissão como
promotor público. Inicia em 1918 sua carreira de escritor publicando o livro
de estréia, "Urupês", em que expõe a miséria do lavrador brasileiro. Depois
vem a obra consagradora: "Sítio do Picapau Amarelo", inugurando a literatura
infantil brasileira. Personalidade influente na vida do país e entusiasmado
com o progresso dos EUA, publica a obra "América" e "O escândalo do Petróleo",
onde faz duras críticas à crise energética. Em consequência disso é preso por
três meses. Fundou a Companhia Editora Nacional e praticamente consolidou a
indústria editorial no país.
CRUZ E SOUZA
NOME LITERÁRIO: SOUZA, Cruz e
NOME COMPLETO: SOUZA, João da Cruz e
NASCIMENTO: Desterro (atual Florianópolis), SC, 24 de novembro de 1861.
FALECIMENTO: Sítio, MG, 19 de março de 1898.
BIOGRAFIA
Poeta, jornalista, professor. Filho de
escravos alforriados, teve educação cuidada pelos antigos senhores de seus
pais. Em 1882 e 1883, viajou pelo Norte do país, como secretário e ponto de
uma companhia teatral. De novo em Desterro, integrou-se ao movimento
abolicionista, atuando na imprensa. Indicado para uma promotoria pública em
Laguna, no interior de Santa Catarina, teve a nomeação barrada devido ao
racismo. Em 1885, funda o jornal O Moleque, título que deu lugar à exploração
mordaz por parte dos adversários. Em 1890, já no Rio de Janeiro, ingressa no
funcionalismo público, como amanuense da Estrada de Ferro Central do Brasil,
cargo humilde e pouco rendoso, que não lhe permitia sair da vida de privações.
Influenciado pelo movimento decadentista francês, lançou, no jornal Folha
Popular, em 1891, com B. Lopes, Oscar Rosas e Emiliano Perneta, o manifesto
que viria dar corpo ao movimento simbolista, iniciado com a publicação dos
livros Missal e Broquéis. Ao lado das dificuldades financeiras, passou por
muitos dissabores na vida intelectual, jamais logrando bom acolhimento nas
redações dos jornais e nas rodas literárias. Seu sofrimento, acentuado pela
morte do pai e pelo enlouquecimento da esposa, Gavita Rosa Gonçalves,
conduziu-o a uma crise, que o levou a adquirir tuberculose, do que viria a
morrer.
BASÍLIO DA GAMA
NOME LITERÁRIO: GAMA, BASÍLIO DA
NOME COMPLETO: JOSÉ BASÍLIO DA GAMA
PSEUDÔNIMO: ANONYMO, TERMINDO SIPÍLIO
NASCIMENTO: 08 de Abril de 1741, São Joséd'EL-Rei, atual Tiradentes, MG
FALECIMENTO: 31 de Julho de 1795, Lisboa.
BIOGRAFIA
Filho de pai português e mãe brasileira,
Basílio da Gama ainda na infância fica órfão de pai e graças a um protetor
segue para o Rio de janeiro e ingressa no Colégio dos Jesuítas. Expulsos estes
em 1759, Basílio da Gama termina os estudos no Seminário de São José e embarca
para a Itália, onde adere à Arcádia Romana, e adota o pseudônimo de Termindo
Sipílio. Depois de breve passagem pelo Rio de Janeiro, segue para Lisboa e
matricula-se na Universidade de Coimbra. Foi preso e condenado ao degredo em
Angola sob suspeitas de estar ligado à Companhia de Jesus. Na prisão, escreveu
um epitalâmio dirigido à filha do Marquês de Pombal, e alcança com isso
comutação da pena. Em 1769, para provar seu antijesuitismo oportunista,
escreveu o poema Uruguai, que dedicou a um irmão do Marquês, ex-governador do
Pará, publicado pela Régia Oficina Tipográfica de Lisboa. Estabelecido em
Lisboa, em 1774 foi nomeado oficial da Secretaria do Reino. A mudança de
governante, em 1777, não lhe alterou a situação, mas daí por diante nada
merecedor de relevo lhe ocorreu. Em 1790, recebe o hábito de Santiago, das
mãos de D. Maria I.
JOÃO DO RIO
NOME LITERÁRIO: Rio, João do
NOME COMPLETO :BARRETO, João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho
NASCIMENTO: Rio de Janeiro, RJ, 5 agost. 1881
FALECIMENTO: Rio de Janeiro, RJ, 23 jun. 1921.
BIOGRAFIA
Cronista, teatrólogo e contista.
Notabilizou-se como o primeiro homem de imprensa brasileira que teve o senso
de reportagem de crônica social modernas. Sua estréia no jornalismo se deu no
jornal Cidade do Rio (1899). Fundou o Rio Jornal, A Pátria (1926) e a revista
Atlântica (1915), esta última com o escritor português João de Barros.
Colaborou também em outros periódicos do Rio de Janeiro, São Paulo e Portugal.
Foi fundador e primeiro diretor da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais
(1917). Antecipando "as transformações trazidas pelo manifesto modernista e a
Semana de 22", sua obra constituiu-se no "mais fértil material sobre a cidade
do Rio de Janeiro nas duas primeiras décadas deste século, interessando
igualmente a historiadores, antropólogos, urbanistas e folcloristas" (João
Carlos Rodrigues). Foi o membro da Academia de Ciências de Lisboa e da
Academia Brasileira de Letras.
JOAQUIM NABUCO
NOME LITERÁRIO: Joaquim Nabuco
NOME COMPLETO: Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo
NASCIMENTO: Recife, PE, 19 ago. 1849.
FALECIMENTO: Washington, EUA, 27 jan. 1910.
BIOGRAFIA
Poeta e dramaturgo. Fez os estudos
preparatórios no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Aos 15 anos, publicou a
Ode à Polônia, que obteve crítica favorável de Machado de Assis. Três anos
depois, apresentou o drama Os destinos, que foi assistida pelo Imperador D.
Pedro II. Completou o bacharelado pela Faculdade de Direito do Recife (PE), em
1870. Teve fundamental atuação na promulgação da Lei Áurea, no Brasil. Com a
proclamação da República, afastou-se temporariamente da política. Retornou,
logo após, e exerceu cargos na área diplomática. Seu nome figura entre os
fundadores da Academia Brasileira de Letras, cabendo-lhe o discurso inaugural
a 20 de julho de 1897. Principais obras: Campanha abolicionista no Recife
(pol.), 1885, reed. 1988, Fundação Joaquim Nabuco, Recife; Um estadista do
império, Nabuco de Araújo, sua vida, suas opiniões, sua época (biog.)
1898-1900, 3 v., reed. 1975, Nova Aguilar, Rio de Janeiro; Minha formação,
1900, reed. 1975, Paraula, Porto Alegre; Joaquim Nabuco: política (colet.),
1982, Ática, São Paulo.
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FRANCISO ADOLFO VARNHAGEM
NOME: VARNHAGEN, Francisco Adolfo.
NASCIMENTO: São João de Ipanema, Sorocaba, SP, 17 de fevereiro de 1816.
FALECIMENTO: Viena, Áustria, 29 de junho de 1878.
BIOGRAFIA
Historiador, crítico, biógrafo,
romancista, engenheiro e diplomata. Filho de pai alemão que veio trabalhar no
Brasil, realizou seus primeiros estudos no Rio de Janeiro. Seguiu com sete
anos de idade (1823) para Lisboa, Portugal, onde ingressou no Real Colégio da
Luz (Colégio Militar), em 1825, nele se formando em 1832. Neste mesmo ano é
matriculado na Academia de Marinha de Lisboa. No ano seguinte, é aceito como
soldado no 2º Batalhão de Artilharia. Ainda neste ano, é promovido a cadete e
participa do combate a D. Miguel. Em 1834, concluiu o curso de engenharia. Em
1836, descobre em Santarém, na sacristia do Convento da Graça, o túmulo de
Pedro Álvares Cabral, cuja localização, até então, permanecia ignorada. Em
1840, volta ao Brasil, realizando pesquisas em vários locais do país. Regressa
a Portugal em 1841. No ano seguinte, desligado do exército português, é
nomeado por Pedro II para o cargo de adido de 1ª. Classe em Lisboa, com o
encargo de pesquisar documentos relativos à História e Legislação do Brasil;
torna-se, também, membro do exército brasileiro. Em 1844, recebe a mercê do
Hábito de Cristo. Em 1847, é promovido a secretário da legação brasileira na
Espanha. Em 1851, foi eleito 1º. Secretário do Instituto Histórico e
Geográfico. Neste ano, desliga-se do Exército brasileiro. É nomeado
Encarregado de Negócios do Brasil na Espanha. Em 1855, é eleito sócio da
Academia de Ciências de Munique. Dois anos depois, é também eleito membro da
Societé de Geographie de Paris. Em 1858, passa a servir em Assunção, Paraguai.
Em 1863, é convocado para trabalhar no Chile, Peru e Equador. Em 1868, é
convocado para trabalhar em Viena, onde é promovido ao posto de Ministro
Plenipotenciário, mais alto posto da carreira diplomática brasileira. Recebeu
a medalha de ouro do Instituto Histórico e Geográfico, prêmio do qual desiste.
Recebeu também a Comenda da Ordem Americana, concedida pela rainha da Espanha,
a Comenda da Ordem da Rosa, o título de Barão de Porto Seguro (1872), Visconde
de Porto Seguro (1874), além de Cavaleiro da Ordem de Cristo, Grã-Cruz da
Imperial Ordem Austríaca da Coroa de Ferro, entre outros.
CASTRO ALVES
NOME LITERÁRIO: ALVES, Antônio de Castro.
NOME COMPLETO: ALVES, Antônio de Castro.
PSEUDÔNIMO: Musset.
NASCIMENTO: Fazenda Cabaceiras, Curralinho, hoje Castro Alves, BA, 14 de março
de 1847.
FALECIMENTO: Salvador, BA, 6 de julho de 1871.
BIOGRAFIA
Poeta, teatrólogo, tradutor. Iniciou os
estudos no interior do estado. Em Salvador, cursou humanidades, estudando no
Ginásio Baiano, onde tornou-se amigo de Rui Barbosa, com o qual fundou, em
1864, a Sociedade Abolicionista do Recife. Ingressou nas faculdades de direito
em Salvador (1862) e em São Paulo (1868) sem, no entanto, completar os
estudos. Em Recife, fundou o jornal O Futuro com outros intelectuais e
escritores, obtendo grande fama por participar intensamente das atividades
estudantis e literárias, bem como de manifestações abolicionistas, tornando-se
o poeta mais destacado da causa anti-escravagista. Nesta cidade, onde viveu
com a atriz Eugênia Câmara, dedicou-se a traduzir peças teatrais. Escreveu o
texto para teatro Gonzaga, que levou para São Paulo, com passagem pelo Rio de
Janeiro (1868), onde declamou em público, alcançando grande sucesso. Na cidade
de São Paulo, já com a saúde bastante abalada pela tuberculose, sofreu a perda
de um pé num acidente de caça, em 1869. Retornou à Bahia em 1870 para se
restabelecer, mas não se recuperou, vindo a falecer aos 24 anos. Embora
tivesse colaborado em inúmeros periódicos, teve publicado em vida somente o
livro Espumas Flutuantes. Além de intensa obra poética (muitos de seus poemas
foram musicados), deixou desenhos e caricaturas. Por obra de sua beleza
física, dos arroubos românticos e dos ideais de liberdade, sua figura é
marcada por uma aura de lenda.
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PERO DE MAGALHÃES GANDAVO
Escritor português do século XVI, Pero de
Magalhães Gandavo é o primeiro autor a escrever sobre a historia do Brasil,
ainda no século da conquista, precedendo a Frei Vicente de Salvador. Nascido
em Braga e filho de pai flamengo, natural de Gand, foi moço da câmara do rei
D. Sebastião trabalhando na terra do Tombo em transcrição de documentos.
Nomeado Provedor da Fazenda na Bahia, aí deve ter permanecido entre 1565 e
1570. Segundo Barbosa Machado, Gandavo não só conhecia bem o latim como foi
também, admirador e grande propagador do Humanismo. Gandavo justifica a
execução de sua obra com a falta de notícias exatas do Brasil pelo pouco caso
que os portugueses fizeram sempre da província. Seus testemunhos diretos sobre
o país e os acontecimentos são considerados de grande valor para muitos
historiadores, entre eles Capistrano de Abreu que declarou Gandavo ser um
verdadeiro propagandista da emigração portuguesa para o Novo Mundo.
ÁLVARES DE AZEVEDO
NOME LITERÁRIO: AZEVEDO, Álvares de.
NOME COMPLETO : AZEVEDO, Manuel Antonio Álvares de.
NASCIMENTO: São Paulo, SP, 12 de setembro de 1831.
FALECIMENTO: Rio de Janeiro, RJ, 25 de abril de 1852.
BIOGRAFIA
Poeta, ensaísta, contista, romancista e
dramaturgo, Álvares de Azevedo fez os estudos primários e secundários na
cidade do Rio de Janeiro, onde passou a residir a partir dos dois anos de
idade. Em 1844, voltou a São Paulo, de onde retornou no ano seguinte para
ingressar no Colégio Pedro II, formando-se em 1846. Com 17 anos, matriculou-se
no curso jurídico da Faculdade de Direito de São Paulo, onde vários grupos
intelectuais defendiam a formação de sociedades e publicações de revistas como
forma de atuar na vida cultural brasileira. Participou de várias atividades
acadêmicas, entre as quais a fundação da revista Ensaio Filosófico, que
discutia o sentimento nacionalista e o sentido da poesia brasileira. Elaborou
também o projeto de fundação de um jornal literário (Crepúsculo ou Estrela),
que não chegou a se realizar. Pertencendo a uma geração que sofreu influência
vital do satanismo de Byron, o poeta não fugiu, conforme aponta Mário de
Andrade, à "imagem do rapaz morto" disseminada durante o período romântico.
Introjetando não só em sua obra, mas em sua própria vida, o mal-do-século,
morreu aos 21 anos incompletos, sem terminar a faculdade, deixando inédita sua
obra, composta por poemas, contos, um romance, peças de teatro (escritas entre
1848 e 1851), além de ensaios, cartas e discursos. Em 1853, um ano após a sua
morte, foi publicado o livro Lira dos vinte anos, cuja edição o poeta havia
deixado preparada.
PADRE ANTONIO VIEIRA
Nome literário: VIEIRA, PADRE ANTÔNIO
Nome completo: ANTÔNIO VIEIRA
Nascimento: 06 de Fevereiro de 1608, Lisboa
Falecimento: 18 de Julho de 1697, Salvador, BA
BIOGRAFIA
Em 1614, com seis anos de idade, Antônio
Vieira vem com a família para o Brasil, destinado à Bahia. Aí, em 1623, no
Colégio dos Jesuítas em Salvador, tirou o grau de Mestre em Artes, e entrou no
noviciado da Companhia de Jesus. Em 1633, um ano antes de se ordenar, estréia
no púlpito, na igreja da Conceição, BA, com o sermão: " Maria, Rosa Mística".
Em 1634 foi ordenado e lecionou Teologia no Colégio em que se formou. Em 1641
embarcou para Portugal, onde veio a ser pregador régio, conselheiro e
embaixador de D. João IV. Ele foi embaixador junto à França e à Holanda, e em
Roma. Em 1649 sofreu pressão do Santo Ofício. Em 1652, foi transferido para as
missões jesuíticas do Maranhão, e aí prega e batalha em defesa da liberdade
dos índios contra os colonos escravocratas. Em 1654, ele retorna à metrópole e
em 1655, obtida a Lei da Liberdade dos Índios, volta ao Maranhão. Em 1661,
hostilizado pelos colonos, expulso do Maranhão com outros jesuítas, volta a
Lisboa. Em 1662, devido à revolta palaciana, é desterrado para o Porto. Em
1665, é preso pela Inquisição, por acreditar na ressurreição de D. João e
profetizar em Portugal o Quinto Império., sob custódia em Coimbra. Em 1667, o
Santo Ofício lhe cassa a palavra e o condena à reclusão, restituindo-o à
liberdade no ano seguinte. Em 1669 parte para Roma, onde retoma a carreira de
orador insigne, no Vaticano e nos saraus literários da Rainha Cristina da
Suécia, de quem foi confessor. De volta a Portugal em 1675, iniciou, pouco
depois, em 1679, a edição de seus Sermões Completos. Em 1681 volta ao Brasil,
definitivamente. Foi comprometido com o irmão, Vieira Ravasco, e o sobrinho,
no crime do alcaide-mor da Bahia, porém, se reabilita. Os Sermões continuaram
a ser publicados em Lisboa; O êxito de escritor compensa as agruras do homen
público. Faleceu com 89 anos, no Colégio em que estudara e começara sua
extraordinária vida de intelectual, de pregador e de cidadão do mundo.
ARTUR AZEVEDO
NOME LITERÁRIO: AZEVEDO, Artur.
NOME COMPLETO : AZEVEDO, Artur Nabantino Gonçalves de.
PSEUDÔNIMO : Elói, o herói; a Gavroche; Petronio; Cosimo; Juvenal; Dorante;
Cratchi; Passos Nogueira; Frivolino.
NASCIMENTO: São Luís, MA, 7 de julho de 1855.
FALECIMENTO: Rio de Janeiro, RJ, 22 de outubro de 1908.
BIOGRAFIA:
Teatrólogo, tradutor, contista, poeta.
Irmão mais velho do romancista Aluísio Azevedo, o conhecido teatrólogo de A
Capital Federal escreveu também contos e poemas, atuando na imprensa como
cronista dos mais prestigiados. Com 16 anos, dirigiu e editou, por dois anos,
em sua cidade natal, o periódico literário e noticioso O Domingo. Aí escrevia
sua crônica semanal de crítica de arte e de costumes, com o pseudônimo Elói, o
herói. Deixou a terra natal depois de ser exonerado do cargo de praticante da
1ª seção de Secretaria do Governo pelo presidente da província, por ter
escrito artigos e poemas satíricos sobre a situação maranhense. Em 1873,
transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde dedicou-se ao ensino, tendo
trabalhado também como funcionário público. Na então Capital Federal, Azevedo
encontrou ambiente favorável à expansão de seu talento literário. Colaborou em
A Estação, ao lado de Machado de Assis, e também em O Diário de Notícias,
Correio do Povo, O País, A Notícia, Correio da Manhã e O Século. No ano de
1877, Artur iniciou-se no gênero teatral cuja voga no Rio de Janeiro se deu
justamente nas décadas de 80 e 90 do século passado e no início do século XX,
chamado "as revistas do ano". Oriundos da França, estes espetáculos faziam o
balanço dos principais acontecimentos do Rio de Janeiro, no ano que findava. O
teatrólogo contribuiu com inúmeras peças para o engrandecimento desse gênero
eminentemente popular. Pertenceu, ao lado do irmão, ao grupo fundador da
Academia Brasileira de Letras. Figurou numa antologia em língua francesa,
organizada por Victor Orban. Em 1910, uma revista da Rússia czarista, Notícias
da Literatura Estrangeira, traduziu e publicou vários de seus contos.
GONÇALVES DIAS
NOME LITERÁRIO: DIAS, Gonçalves.
NOME COMPLETO: DIAS, Antônio Gonçalves.
PSEUDÔNIMO: Optimus Criticus NASCIMENTO: Sítio Boa Vista, Caxias, MA, 10 de
agosto de 1823.
FALECIMENTO: Costa do Maranhão, 3 de novembro de 1843.
BIOGRAFIA
Filho de português com cafuza, Gonçalves Dias
nasceu de uma união não oficializada. Em 1829, quando seu pai casou-se com
Adelaide Ramos de Almeida, o poeta foi morar com o casal. Iniciou os estudos
em 1830, em sua terra natal, na escola do professor José Joaquim de Abreu, lá
permanecendo por um ano, quando passou a trabalhar na casa comercial de seu
pai como caixeiro e encarregado da escrituração. Em 1835, foi matriculado em
uma escola particular, iniciando seus estudos de latim, francês e filosofia.
Em 1838, foi para Coimbra, Portugal, onde terminou os estudos secundários e
ingressou na Faculdade de Direito (1840). Nesta cidade, participou dos grupos
medievistas da Gazeta Literária e de O Trovador, compartilhando das idéias
românticas de Almeida Garret, Alexandre Herculano e Antonio Feliciano de
Castilho. Bacharelou-se em 1844. Ainda em Portugal, escreveu a "Canção do
exílio" e parte dos poemas de "Primeiros cantos" e "Segundos cantos"; o drama
Patkull; e Beatriz de Cenci, posteriormente rejeitado, no Brasil, pelo
Conservatório Dramático, por sua condição de texto "imoral". Neste período,
escreveu também os fragmentos do romance biográfico Memórias de Agapito
Goiaba, destruído pelo poeta, pois continha impressões sobre pessoas ainda
vivas. Em 1845, retornou ao Maranhão. No ano seguinte, transferiu-se para o
Rio de Janeiro, onde ocupou os cargos de funcionário do Instituto Histórico,
oficial da Secretaria dos Negócios Estrangeiros, chefe da seção de etnografia
da Comissão Científica de Exploração e professor de história e latim do
Colégio Pedro II. Em 1849, fundou a revista Guanabara, com Porto Alegre e
Joaquim Manuel de Macedo. Colaborou em diversos periódicos, entre eles Jornal
do Commercio, Correio Mercantil, Correio da Tarde, Sentinela da Monarquia e
Gazeta Oficial, publicando crônicas, folhetins teatrais e crítica literária.
Em 1854, voltou novamente à Europa, onde permaneceu até 1857, entrando em
contato com Alexandre Herculano, que o introduziu na Real Academia de
Ciências. Retornando ao Brasil, percorreu, em missão científica, o Norte e o
Nordeste do país. Em 1864, regressando de nova viagem à Europa, morreu no
naufrágio do navio Ville de Boulogne, na costa do Maranhão.
GONÇALVES DE MAGALHÃES
NOME LITERÁRIO: MAGALHÃES, Gonçalves de
NOME COMPLETO: MAGALHÃES, Domingos José Gonçalves de.
NASCIMENTO: Rio de Janeiro, RJ, 13 de agosto de 1811.
FALECIMENTO: Roma, Itália,10 de julho de 1882.
BIOGRAFIA
Poeta, romancista, contista e jornalista.
Domingos José Gonçalves de Magalhães nasceu no Rio de Janeiro em 13 de agosto
de 1811. Matriculou-se no Colégio Médico-Cirúrgico da Santa Casa de
Misericórdia e, aos 21 anos, freqüentou o curso de Filosofia de Monte Alverne,
no Seminário Episcopal de São José. Em princípios do ano seguinte foi para
Paris (França). Viajou por toda a Europa e neste tempo escreveu Napoleão em
Waterloo. Por volta de 1830, retorna a Paris, começou a escrever na revista
Niterói e publica os Suspiros poéticos e saudades, seu livro mais conhecido,
que marca o início da nova fase na poesia brasileira. Em 1837, regressou ao
Brasil e em 1838 é encenada sua tragédia, Antônio José ou O poeta e a
Inquisição, por João Caetano. No ano seguinte, foi representada a tragédia
Olgiato, que fez inspirada em um episódio da história de Milão (Itália). Ainda
neste ano, traduziu o Otelo de Ducis, para o amigo João Caetano. Em 1837, foi
nomeado para a cadeira de Filosofia no Colégio Pedro II, recém-inaugurado, mas
não pôde lecionar por falta de alunos e discípulos, por isso, quis formar uma
classe de alunos estranhos ao colégio, mas, não obtendo licença, desligou-se
da instituição. Em dezembro de 1837, partiu para o Maranhão, como secretário
do coronel Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias, regressando em
1841 para assistir à coroação do imperador. No ano seguinte, retorna ao
Colégio Pedro II dando a aula inaugural de Filosofia. Em 1842, foi para o Rio
Grande do Sul, chamado por Duque de Caxias. E em 1846, é lá eleito deputado.
Casou-se em 1847 e foi logo após nomeado cônsul-geral e encarregado de
negócios interinos no Reino das Duas Silícias (Itália). Neste mesmo ano perde
os dois filhos: Domingos e Luís. Começou a escrever a Confederação dos
Tamoios, que lhe custou sete anos de trabalho, sendo publicado apenas em 1856,
com a ajuda de Pedro II, pela Editora Paula Brito. A obra foi bastante
criticada, considerada enfadonha e medíocre pela maioria dos críticos. Quase
no fim da vida, em 1876, recebe o título de Visconde de Araguaia. Morreu em
Roma (Itália) no dia 10 de julho de 1882.