Brasil Campeão do Mundo
Campeão mundial em injustiça
social – acabamos de ultrapassar Sierra Leoa neste quesito – fora dos campos de
futebol o Brasil só se classifica, e com dificuldade, uma posição acima do Haiti
no ranking social mundial.
Na semana em que o time de
futebol mais bem-remunerado de nossa história venceu, não sem dificuldade, o
time de futebol do Japão, ficamos sabendo de novos escândalos na esfera dos
Poderes Executivo e Legislativo.
Parlamentares brasileiros
utilizando-se do artifício da verba indenizatória gastaram em combustível o
suficiente para dar algumas voltas ao redor do mundo. E tudo segue na mesma.
Assim como os deputados mensaleiros e o governo corruptor foram absolvidos pelos
seus pares – colocando todo o parlamento sob suspeição – estes perdulários dos
combustíveis seguem o mesmo caminho. Não haverá sequer investigação! Apenas uma
medida administrativa de eficiência discutível, a ser conferida na prática,
limitando os gastos com combustível a R$ 4.500,00 mensais por parlamentar. São
18 salários mínimos por mês e muitos consideram insuficiente.
Cria-se uma CPI para
investigar o chamado “escândalo das sanguessugas” – parlamentares que privatizam
verbas destinadas à saúde em suas bases eleitorais – e fica-se sabendo que pelo
menos 3 de seus componentes beneficiavam-se do esquema. Assim caminha o
campeonato brasileiro também na impunidade.
Governo de coalizão
Os trabalhadores brasileiros
estão sem representação no atual governo ou no parlamento. Esta é a mais grave
das limitações da democracia representativa de molde burguês no Brasil.
Políticos de carreira se apresentam no mercado de candidatos com propostas
mirabolantes e promessas messiânicas e nos conduzem a votar nos representantes
dos banqueiros e do lumpemproletariado que, como sempre, se unem e governam
contra nós.
Quem paga impostos? Os que
trabalham. Quem usufrui do fruto destes impostos? As duas camadas sociais que
não trabalham. No momento político atual somente os grandes jogadores do mercado
de capitais têm motivos para celebrar a vitória do Brasil no campeonato da
desigualdade social.
A seguir, vem o
lumpemproletariado, aquelas pessoas desempregadas, subempregadas, reduzidas a
sobrevier da esmola estatal, assistidas com as bênçãos dos grandes especuladores
que, por um lado se iludem com os programas sociais e, por outro, servem como
massa de manobra e vitrine eleitoral: “nunca antes nesse país se assistiu tanto
aos excluídos...” A esmola é um insulto, uma infâmia, uma degeneração. Que se
transforme isso em projeto de governo é uma tragédia. Sequer nova, pois já
implementada pelos tucanos, mais discretos na outra prática em que o atual
governo se sobressai dramaticamente: a corrupção, a malversação do dinheiro
público. Enfim: os seres humanos não querem esmolas, querem emprego e dignidade;
o que só conseguirão quando (ou se) deixar de limitar a sua prática política à
escolha de representantes e passar a tomar seu próprio destino nas mãos.
No mínimo...
O jornalista Augusto Nunes,
titular do magnífico site “nominimo”, revela-nos algo que passou em branco entre
um jogo de bolas e outro: Lula não estudou por preguiça. Passou pelo menos 30
anos de sua vida sem trabalhar e poderia muito bem ter estudado alguma coisa que
lhe desse condições mínimas de saber, por exemplo, que Napoleão Bonaparte jamais
esteve na China, que a Bolívia faz, sim, fronteira com o Brasil e que todas as
mãe nascem analfabetas, não só a dele...
Segundo o mesmo site, Lula
foi flagrado há pouco chegando para uma reunião com um maço de anotações de
próprio punho, em letras garrafais e um português impregnado de erros incomuns
mesmo entre crianças de jardim da infância. Apologeta da ignorância, Lula
informa ser mais penoso ler uma página de um livro do que fazer uma hora de
caminhada. Augusto Nunes conclui suas observações de maneira brilhante
enfatizando que uma boa formação intelectual não transforma um político em bom
governante ou estadista – como vimos no caso de FHC, por sinal – mas esta é
realmente a primeira vez na história do Brasil que temos no comando do país uma
pessoa que mal sabe ler ou escrever.
A defesa apresentada “não
fale isso que é preconceito pequeno-burguês” se transformou em justificativa
para o governante dizer e fazer o que quiser, sem o menor comprometimento ou
conexão com a realidade prática senão seguir explorando a classe trabalhadora
para garantir o lucro dos banqueiros e a plebe no limite da sobrevivência
através da esmola estatal.
Mais uma tentativa
Há tempos vinha pensando em
anular meu voto, mas começo a acreditar novamente pois vejo muita gente boa com
vontade e competência para conduzir bem um processo de esclarecimento político.
Caso da Aliança de Esquerda PSTU/PCB/PSoL. Heloísa Helena para
Presidente da República e Plínio de Arruda Sampaio para Governador
do Estado de S. Paulo.
Lázaro
Curvêlo Chaves – 22/06/2006
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