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Brasil/2008: erguendo
templos ao vício e cavando masmorras à virtude
O
vocábulo “filisteu” já não se refere mais a um povo específico. Flutuou em
todos os idiomas quando se refere a alguém que diz ou prega uma coisa em
total completa contradição com a sua prática. “Hipocrisia” é outro bastante
interessante. Uma boa definição deste vocábulo é aplicar a outrem regras e
códigos de moral e conduta que o hipócrita, por definição, não respeita nem
cumpre.
Pessoalmente, tive uma educação rigorosa. Sim, houve um tempo em que estes
outros vocábulos eram mais que discurso vazio, vocábulos como “educação”,
“rigor”, “honra”, “regras benfazejas”, “proibições a malfeitorias”, etc.
Alguém ainda se lembra daquele tempo?
Assim
sendo, desenvolvi a mais total e completa aversão, ojeriza, além de,
confesso, um misto de asco e desprezo por todos os vícios: consumo de
psicotrópicos, jogos, apostas, exploração de outro ser humano, trapaças,
dissimulações, busca de lucro fácil às custas da desgraça de um grande
número de nossos semelhantes... Tudo isso e outros vícios estão não apenas
banidos por anatematizados de minha existência desde que me entendo por
gente, como são francamente intoleráveis no comportamento alheio.
Orgulho-me por não contar no meu rol de amizades com sequer um banqueiro, um
viciado em psicotrópicos, um jogador de bingos ou bolsa de valores ou
trapaceiro em geral.
Tive o
infortúnio de testemunhar alguns cidadãos com uma curiosa aparência humana e
de sinceridade – não lhes conhecesse eu suas práticas destrutivas – capazes
de se proclamarem, em alta voz, amantes das virtudes e intolerantes para com
os vícios.
O mais
triste era escutar isso numa Loja qualquer e, pouco depois, ver o mesmo
cidadão abrir um bordel com colegiais mal saídas da adolescência, ou seja,
cavando masmorras às virtudes em sua prática cotidiana. Um outro se jactava
de haver dado um golpe milionário, lesando uma quantidade indescritivelmente
grande de nossos semelhantes ao lhes extorquir desde “margens de lucro” no
comércio (“marginal”, aliás, é um vocábulo que cabe bem a esses que se
nutrem destas “margens” que nos jugulam!) chegando mesmo a usar de altíssima
competência na malandragem, trapaça e falta de escrúpulos características
dos banqueiros e apostadores nas bolsas de valores. Este destrói não apenas
o Templo, mas o próprio conceito de “virtude” uma vez que, proclamando “amar
a virtude” pratica o seu oposto!
Tenho a
felicidade e o orgulho de não contar com um sequer destes filisteus como
amigo e JAMAIS reconheceria qualquer um dessa escória como irmão, pelo amor
de Deus!
Num país
tão doente quanto o nosso, sofrendo de corrupção crônica e de diagnose
complicada e cura dificílima; governado por ladrões, traidores e assassinos
como o Brasil sob a égide Lulo-petista, não chega a ser surpreendente que a
destruição da esperança conduza a uma boa dose de desânimo... Desenvolvi uma
técnica bastante eficaz para perceber quando um petista ou associado está
mentindo. É simples; verifique se a boca do cara está aberta e há som saindo
dela (usualmente vociferando em tom esbravejante): está mentindo. Por outro
lado se a boca do sujeito estiver aberta mas não há som saindo, só cachaça
ou tapioca entrando, está malversando dinheiro público.
Mea Culpa
Deveria
escrever uma coluninha semanal neste espaço, falando alguma coisa
minimamente sensata sobre a conjuntura, mas estou me tornando muito
repetitivo: os vícios dos de cima seguem em escala logarítmica e as
pesquisas encomendadas e pagas a bom soldo acerca de coisas como
“popularidade”, “crescimento econômico”, “desemprego”, “diminuição das
distâncias sociais” permitem à Senadora Elisabeth Báthory brandir números
com o mesmo esmero com que combate a verdade ou a justiça, por exemplo. E
cotidianamente, hipnoticamente, torturantemente. Insuportável. Confesso
haver-me refugiado em Confúcio e Arthur Schoppenhauer (o homem que melhor
compreendeu a condição humana no mundo, particularmente a feminina, sem
dúvida alguma!) além de acompanhar com alegria e satisfação grandes
documentários (há pouco mesmo assisti a um documentário interessantíssimo
sobre a condessa húngara Elisabeth Báthory e só consegui me lembrar de uma
pessoa...). Mas, DE LONGE, o melhor que assisti nos últimos tempos foi mesmo
“The Money Masters”
brilhantemente conduzido por Bill Still. Inacreditavelmente lúcido, preciso e
elevadamente instrutivo! Antes de assisti-lo imaginava, por exemplo, que o
“Federal Reserve”, o Banco Central estadunidense, fosse ligado ao governo.
Não é. É tão “federal” quanto a empresa privada de entrega de encomendas
chamada “Federal Express”. Aprende-se ainda, nas 4 horas de duração daquela
sapientíssima lição, que os momentos de riqueza e prosperidade dos EUA
estavam ligados aos instantes em que o povo estadunidense, representado ou
não pelo governo do país, emitia a própria moeda. Os momentos em que o
Federal Reserve (o banco privado, voltado ao lucro particular, como qualquer
empresa privada) alegou precisar ter este controle nas mãos “para controlar
a inflação” e “aumentar a circulação da moeda no país” – fazendo
precisamente o contrário. Os melhores momentos dos EUA foram aqueles em que
os presidentes mais nacionalistas decidiram “matar os bancos”: Abraham
Lincoln foi um deles, mas há vários. Pena que a maioria dos congressistas e
políticos de lá não tenha a menor idéia do funcionamento da economia. E o
maquiavelismo dos trapaceiros (de lá e os que daqui os macaqueiam) é tanto
que remuneram extraordinariamente bem uma série de “renomados” economistas
venais e jornalistas “especialistas” em análise econômica que têm uma
conversa voltada a confundir completamente. Falar o óbvio é uma proibição
taxativa. Entusiasmei-me com Milton Friedman (longe, muito longe de ser
suspeito de qualquer simpatia com causas populares!) a declarar ao
documentário as obviedades ao alcance de qualquer pessoa dotada do mais
elementar senso lógico: “uma empresa privada (ou “autônoma” no dialeto
tupiniquim) NÃO PODE ser encarregada da emissão da moeda que circula na
Nação” e “os Bancos e o dinheiro têm de estar a serviço do ser humano, não o
contrário!” Recomendo. A quem domina o idioma. Tomara providenciem uma
legenda e façam circular por aqui também! Quem haveria de dizer? Os EUA
contam com um número surpreendente de intelectuais contrários ao sistema e a
agir poderosamente para suprimir os danos que os bancos vêm causando a seus
cidadãos (privando-os de propriedades rurais e até mesmo de suas casas
enquanto jogam todos os encargos sociais a outras empresas privadas – de
saúde e educação entre outras – pois os impostos (lá como aqui) são
desviados para o tal do “superávit primário”, ou seja, utilizam-se os
impostos dos povos para garantir os lucros astronômicos dos bancos. Quando
uma pessoa jurídica psicopata como o Banco Itaú anuncia uma lucratividade de
algumas dezenas de bilhões em um trimestre demonstra uma sinceridade (Será
mesmo? Tem muito de boataria e falcatruas no meio dessa jogatina toda...)
quase inacreditável: o banco acredita no governo, que desvia os impostos dos
brasileiros para lhes garantir os lucros elevadíssimos!
Este é o
nó górdio. Sem cortá-lo qualquer eleição será insignificante. No Brasil não
se conhecem economistas renomados ou políticos que sejam declaradamente
INIMIGOS dos bancos. Nesta revolução os ianques passaram a frente de todo o
mundo e eu tiro o chapéu para eles, o que jamais havia imaginado possível.
Mas se eles conseguirem matar os bancos-vampiros que se nutrem do sangue
humano, finalmente merecerão o meu respeito!
Mas
divago... Documentários, Obras de Schoppenhauer e Confúcio não são uma forma
muito mais útil e prazerosa de utilizar os neurônios que ficar atualizado
quanto à mais recente falcatrua ou canalhice do governo (agente dos bancos)
que temos nestepaíz?
Preciso,
de alguma forma, me livrar desta sensação desagradável de estar falando
sozinho e assistir impotente ao mais escabroso desfile de incompetência,
corrupção, escândalos e filistinismo vulgar. E no cotidiano!
Ainda em
recomendações de documentários, sugiro "The
Corporation" - este já distribuído com legendas em português e de
mais fácil alcance:

Com as participações sempre decisivas de gente do mais elevado quilate como
Noam Chomsky, Michael Moore, ativistas ambientalistas da Índia que explicam,
por exemplo como a pessoa jurídica (classificada como "psicopata")
"Corporação" é capaz de produzir um gen suicida para o arroz a fim de que
ninguém consiga produzir seu próprio alimento sem comprar à Monsanto que,
aliás, ficou famosa pela produção do Desfolhante "Agente Laranja" que causou
tanta destruição no Vietnam. Outra empresa psicopata, além dos bancos, que
ultrapassam o nível da mera demência e se arrolam nas mais escandalosas
crueldades, é a IBM, fabricante das máquinas que serviam ao controle
autoritário numerando e catalogando seres humanos para o abate Campos de
Concentração Nazistas. Henry Ford, famoso por seu apoio a Hitler não fica
fora das considerações ou mesmo a esperança que a maioria da Nação
estadunidense nutria em que Hitler "destruísse o comunismo". Seu entusiasmo
com os nazistas somente diminuiu quando não houve acordo com a Inglaterra
(àquela altura, por interesse dos Rotshilds, aliada aos EUA...) Enfim, vale
a pena!
E não muda
nada...
Quando
pegaram o Lula envolvido nos assombrosos escândalos dos bingos – que ele
declarou considerar similar à prostituição infantil, no seu usual linguajar
tortuoso, fica-se sem saber se ele aprova a ambos... – e do suborno aos
parlamentares, que recebeu o codinome de “Mensalão”, ele simplesmente alegou
que “não sabia de nada” do que se passava no gabinete de seu mais antigo e
fiel escudeiro, de obediência canina e que jamais deu um passo ou tomou uma
única providência sem a aprovação do Poderoso Chefão.
Enfim,
Lula jogou seu lugar-tenente, furioso defensor dos bingos – nada se sabe
sobre seu envolvimento com prostituição infantil, a ilação é de Lula,
justiça seja feita – aos leões e o crápula – famoso por ter várias caras,
segue caninamente obediente e fiel ao mais infiel dos brasileiros, o
mandatário maior do país. Claro está que não me refiro aqui à estatura
física, moral ou intelectual de Lula da Silva, somente a seu apego ao Poder,
ça va sans dire...
Pois bem,
nem levou muito tempo e estourou o rumoroso caso do caos aéreo, com vítimas
anunciadas há tempos. Caos este que decorre de uma série de circunstâncias
que vão desde o sucateamento das instalações técnicas dos aeroportos e
torres de controle, passa pelo aviltamento profissional, salarial dos
Controladores de Tráfego Aéreo e chega até a venda criminosa
da Varig.
E o Lula?
Com a condessa Báthory a providenciar-lhe números tão sorridentes quanto
fantasiosos, logra mais de 50% de popularidade (será que a pesquisa foi
feita na Esplanada dos Ministérios ou nas fazendas que os parentes de Lula
compraram na Região Nordeste, na rota em que passará o Velho Chico?). Mas a
uma sociedade tão adoentada como a nossa, é doloroso confessar, faz sentido:
o povão vê um espertalhão que conseguiu “se dar bem”: tem avião próprio, uma
corte de bajuladores e goza de todas as mordomias reservadas aos mais ricos
dos brasileiros, dentre os quais já hoje o ex-pau-de-arara se conta. Não
tem, a plebe ignara, a sutileza necessária para perceber que a vaga para
“Espertalhão que consegue enganar a todos por tanto tempo lucrando tanto” é
uma só e já está ocupada... Nada parece abalá-lo...
Este mês a
espanhola Telefônica – não vou aqui cair na piada fácil de declarar, de
novo, o que todos dizem acerca do que os espanhóis pensam dos tupiniquins...
– simplesmente entrou numa pane “inexplicável” por 3 vezes no espaço de uma
semana! A primeira deixou o Estado de São Paulo inteiro sem Internet por
quase 4 (QUATRO) dias! A segunda por um dia inteiro e, enquanto rabisco
estas linhas, estou sem Internet há 9 horas! Caiu às 2 h da manhã desta
segunda-feira e eu liguei imediatamente para o suporte técnico do Speedy.
Após ouvir uma irritante gravação falando das “maravilhas” da Telefônica por
mais de 1 hora enquanto esperava uma voz humana a falar comigo, a ligação
foi interrompida. Liguei de novo. Mais espera e caiu de novo. Às 3h 30min
consegui conversar. O prazo previsto para reparos era de uma hora. 5 horas
da manhã e a conexão não se completa. Ligo de novo. Mais musiquinha, mais
propaganda, uma espera interminável que testa a nossa paciência. Essa gente
não tem vergonha de fazer tanta propaganda de um serviço que virou uma
merda? Fazem isso de propósito, para ver se a vítima desiste de reclamar? O
prazo para reparos foi prorrogado. São 9h. Sigo aguardando... Agora penso
que se resolva rápido. Uma coisa é um professor ganhar uns trocados
trabalhando com uma página cultural. Outra totalmente diferente é mexer com
os verdadeiros donos do poder: com o início do expediente bancário, com
certeza o serviço se restabelecerá... O mais peculiar de tudo é o presidente
da Telefônica declarar publicamente que “não sabe de nada”. Lula faz escola!
Mas peraí:
se eles estão falando a mesma língua o caso pode ser mais sério do que a
princípio se imaginava!
Após a
ilegalidade da criação de um embrião de monopólio privado das
telecomunicações fica-se pensativo... Ilegalidade no governo Lula da Silva é
o que não falta. Só recentemente vieram a lume (sem mencionar os descalabros
que sequer desconfiamos!) os escândalos dos bingos, dos sanguessugas, do
Mensalão, da compra da Varig por empresa estrangeira, o loteamento da
Amazônia, a prisão e soltura de um criminoso comum que enriqueceu
violentamente através de práticas criminosas (mas “é rico” e “merece
tratamento VIP”, até porque o que ele tem a dizer pode comprometer Lula da
Silva. Não acredito. Lula só será abalado, salvo melhor juízo, se for pego
na cama com um homem vivo ou uma mulher morta. Com a ressalva de que as
alegações de que ele nunca sabe de nada ou de que “sempre se fez assim
nestepaíz”, tudo fica como dantes no quartel de Abrantes.
Essa minha
mania de divagar... Voltando: a empresa privada que está engolindo todas as
outras se chama “Oi” e é do Lula (está no nome de parentes e prepostos, como
usualmente se faz nestepaíz, permitindo que o mandatário maior possa
efetivamente declarar que “não sabe de nada”) De todo o modo não chega a ser
surpreendente que, casado com uma descendente de italiano em segundas
núpcias tenha se esmerado tanto em conseguir dupla cidadania. Pode vir a
calhar se o povo brasileiro acordar da pasmaceira em que se encontra...
Mas
francamente? Considero suspeito em grau superlativo que o anúncio do
interesse da “Oi” pelo rico mercado do Estado de São Paulo seja mera
coincidência para 3 – TRÊS – panes inexplicáveis seguidas num sistema
que jamais havia apresentado isso antes! Sobem as apostas que na jogatina da
bolsa de valores esse tipo de coisa é fundamental, o preço da Telefônica
despenca, o preço da “Oi” se alavanca, o presidente da empresa espanhola,
brasileiramente, “não sabe de nada”...
Tem
solução?
Enquanto o
Brasil for governado pelos banqueiros e jogadores, essa corja de ladrões,
assassinos e traidores que controlam as cordas das marionetes a seu serviço
no Planalto, no Congresso e até no Supremo, a esperança está banida do
Brasil e a única certeza que temos segue sendo a que me referi nas últimas
linhas de meu último artigo: semana que vem tem mais escândalo.
Lázaro
Curvêlo Chaves – 14/07/2008
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