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Cecília Meireles

 

 

Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu no Rio de Janeiro em 1901. Segundo a própria escritora, "o meu interesse pelos livros transformou-se em vocação de magistério. Minha mãe tinha sido professora primária, e eu gostava dê estudar em seus livros". Diplomada professora em 1917, atuou no magistério primário, enquanto estudava música e também escrevia para os principais jornais da imprensa carioca. Em 1919 publicou seu primeiro livro de poemas, mas a consagração viria em 1938, com Viagem (obra publicada no ano seguinte), que conquistou o prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Fez várias Viagens pelo mundo, como conferencista de literatura, educação e folclore, outro de seus campos de interesse. Quando morreu, em 1964, preparava um poema épico-lírico em comemoração ao quarto centenário da cidade do Rio de Janeiro.

 

Sua estréia deu-se em 1919, com a publicação de Espectros, coleção de sonetos ainda filiados ao Parnasianismo e Simbolismo. Nunca mais… e Poemas de poemas, assim como Baladas para El-rei refletem a ligação da poesia com o grupo espiritualista da revista festa.

Lá muito longe, muito longe, muito longe,
Anda o fantasma espiritual de um peregrino...
Lembra o rei mago, lembra um santo, lembra um monge...

Lá muito longe, muito longe, muito longe,
Anda o fantasma espiritual do meu destino...

 

 

Esses livros foram excluídos de sua Obra poética pela própria autora, que não os considerava representativos de sua poesia. Viagem, publicado em 1939, compreende poemas escritos entre 1929 e 1937. Nesta obra, em meio à variedade de temas, revela-se a característica de linguagem que percorrerá toda a poesia de Cecília Meireles: a musicalidade, com nítida influência simbolista.

O descritivismo de muitos de seus textos resulta do aproveitamento literário da natureza. Não se trata, contudo, de um descritivismo exterior; na realidade, o mundo exterior é apenas o motivo que desperta as emoções, sentimentos e reflexões do poeta.

Cecília Meireles não se filiou radicalmente a nenhuma das tendências modernistas. Sua poesia lírica enraíza na tradição luso-brasileira.

A poesia lírica é a expressão do mundo interior do artista. A realidade exterior, portanto, funciona como estímulo que desperta esse mundo interior. Em boa parte da obra de Cecília Meireles a realidade exterior transportada para o poema reduz-se quase exclusivamente a elementos móveis, etéreos, instáveis, efêmeros. Esses elementos são metáforas para a falta de duração de tudo e, conseqüentemente, a falta de sentido da própria existência.

Quando abandona esse recorte do mundo natural, Cecília Meireles volta-se para nosso passado histórico, produzindo poesia social da melhor qualidade - o Romanceiro da Inconfidência é considerado por muitos como o melhor livro da escritora. A composição desta obra custou à escritora dez anos de pesquisa sobre a Inconfidência Mineira. Esse episódio de nossa história foi recriado poeticamente através de um romanceiro, ou seja, conjunto de romances, nome que se dá, em poesia, a uma narrativa rimada. São 85 romances, de extensão variável, tematizando personagens e fatos de nossa história.

O episódio bíblico da traição de Jesus Cristo, levada a efeito por Judas Iscariotes, sustenta a comparação feita pela poetisa: Joaquim Silvério dos Reis = Judas; Tiradentes (o alferes) = Jesus Cristo. A referência ao episódio do suicídio de Judas numa figueira, arrependido por sua traição, funciona como contraponto para o caráter ainda mais desprezível de Silvério, que continua vivendo. Os versos entre parênteses ocorrem em quase todos os romances e constituem o comentário da autora sobre o fato narrado. Observe que apesar de prender-se a uma situação histórica especifica, o poema ultrapassa essa limitação histórica e funciona como uma reflexão sobre a desonra, que é o resultado de qualquer ato de traição.

 


Obra

Poesia: Espectros (1919); Nunca mais... e Poemas dos poemas (1923); Baladas para El-rei (1925) Viagem (1939); Vaga música (1942); Mar absoluto (1945); Retrato natural (1949); Doze noturnos da Holanda e O aeronauta (1952); Romanceiro da Inconfidência (1953); Sombra (1963).

Prosa : Giroflê, Giroflá (1 956); Escolha o seu sonho (1 964); Olhinhos de gato (1980).

 
 

 

Cecília Meireles - Antologia Poética

Romanceiro da Inconfidência - Cecília Meireles

Ou Isto ou Aquilo - Cecília Meireles

 

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