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A Chantagem do fugitivo
Estamos sendo chantageados: o presidente corrupto do governo corrupto promete
parar com a corrupção, mas precisa dos deputados e senadores corruptos do
parlamento corrupto para fazer uma reforma política que, segundo ele, marcaria o
fim da corrupção. Acredita quem quiser em mais esta promessa...
O estabelecimento de regras
políticas claras, em sintonia com a modernidade, é fundamental para o Brasil e o
mundo. Nada justifica essa onda de corrupção pavorosa. Tampouco se pode ser
complacente e acreditar que, somente após o estabelecimento de novas regras os
políticos de sempre cessarão suas práticas condenáveis.
O Ministério da Saúde sob Humberto
Costa no governo Lula da Silva ficou marcado por expressões como “vampiros” e
“sanguessugas”. A grande defesa dos corruptos de hoje, os mesmos que se
comprometeram a mudar o encaminhamento da política nacional, é informar que
fazem exatamente como o governo passado, que, todos sabem, já adotava este tipo
de prática. A falta de vergonha atinge as raias do absurdo em Bruzundanga.
Desvia-se um rio de recursos da produção para a especulação (este é o supra-sumo
da corrupção, iniciada sim no governo tucano e a atingir o paroxismo na era
Lula!), dinheiro público pretensamente para a compra de ambulâncias acaba sendo
privatizado por uma centena de espertalhões do Congresso Nacional com o
beneplácito da Presidência da República e a melhor defesa que encontram gira em
torno de “Lula não sabe de nada”, “o governo passado já fazia isso” ou ainda a
variante atual de “a culpa é da mídia” Haja!
É dramático ser governado por
um cidadão que “não sabe de nada”; ter a esperança de que adotasse práticas
diferentes e ser brindado com a assertiva de que “fazemos o mesmo que sempre se
fez neste país” e, como se não bastasse, quando são pilhados em ilícitos
diversos, ameaçam “processar a Veja”. Haja!
Ainda a violência
O senador José Jorge, candidato a Vice-presidente da República na chapa de
Geraldo Alckmin, manifestou sua inquietação com o que ele acredita ser, no
mínimo uma coincidência: todas as vezes que Geraldo Alckmin se destaca nas
pesquisas há novas rebeliões nos presídios paulistas. Ricardo Berzoíni – o herói
dos velhinhos – apresentou denúncia-crime contra o candidato alegando que a
“honra” e a “moral” do PT haviam sido ofendidas. Impressiona que o zeloso
Berzoíni não haja tomado qualquer medida contra gente como Delúbio Soares,
Antônio Palocci, José Dirceu, Sílvio Pereira e outros que, claramente, atentaram
contra a “honra” e a “moral” do partido. Tampouco está provada qualquer aliança
entre o PT e o crime organizado no Estado de São Paulo. Cabe investigar. A ordem
de agressão a políticos do PSDB e PFL interceptada pela polícia em gravações não
é prova suficiente. Menos ainda está provado o envolvimento de deputados com o
mensalão – a única certeza, a mesma que se tem a respeito do escândalo das
sanguessugas, diz respeito à origem dos recursos desviados: o Governo Federal de
Lula da Silva que, repita-se, “não sabe de nada”.
O decálogo da incompetência
Dia 17 passado O Globo, do Rio de Janeiro publicou uma série de
recomendações impostas pelos coordenadores de campanha reeleitoral de Lula da
Silva com vistas a evitar que o próprio candidato-presidente trabalhe contra si
mesmo ostensivamente. Com medo do “efeito Zidane” e preocupados com a
possibilidade de o candidato Lula da Silva cometer erros que possam levar a
disputa para o segundo turno, os coordenadores da campanha reeleitoral
produziram uma série de recomendações que deverão ser seguidas por Lula e por
integrantes do governo. Na cartilha, chamada de “os dez mandamentos da
reeleição”, os coordenadores da campanha reeleitoral recomendam que Lula se
recolha para esfriar a campanha e evitar maiores riscos. Eis o decálogo: 1) Não
expor o candidato a situações de risco. 2) Evitar viagens para estados com
divergências entre aliados. 3) Evitar entrevistas e coletivas. 4) Só falar com a
imprensa quando tiver um tema específico e definido pela campanha. 5) Não
comentar assunto negativo para o governo, deixando essa função, de preferência,
para os ministros. 6) Falar sempre de temas positivos. 7) Não participar de
debates. 8) Explorar mais a postura de presidente do que de candidato. 9) Evitar
a presença física no comitê de campanha. 10) Esfriar a campanha, participando de
poucos atos públicos, pois uma disputa acirrada e dinâmica só interessa aos
adversários.
Em síntese, tal como o banco que, de
melhor propaganda a seu respeito tem o slogan “nem parece banco”, Lula, que não
sabe de nada, adota o slogan “nem parece candidato”. Vamos mal...
Lázaro
Curvêlo Chaves – 27/07/2006
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