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A Chave de Hiram – Os Segredos Perdidos da Maçonaria – uma resenha

 

A Chave de Hiram - 377 pág - Ed. Landmark

Resgatando a História do Ocidente

 

            Estamos sempre diante da impressão de que algo não foi dito ou não foi bem retratado acerca dos eventos que tiveram lugar ao longo dos séculos. Daí encontrarmos uma série de estudos voltados à redescoberta de verdades históricas. Assim nasceram o materialismo histórico e a mais tarde a chamada “nova história”. Na linha do materialismo histórico a abordagem chamada “crítica”, a “visão dos vencidos” tem sido a mais convincente. A premissa é transparente: os vencedores têm sempre alguma coisa menos dourada, mais complexa, que preferem ou precisam ocultar acerca de sua atuação no cenário histórico. Os vencidos nada têm a perder e somente podem se beneficiar com uma análise histórica profunda, radical.

            Os IIr.’. britânicos  Christopher Knight e Robert Lomas, em A Chave de Hiram, ed. Landmark trazem-nos aportes impressionantes que, como outras obras deste gênero ao longo dos séculos, coloca em xeque uma série de valores das religiões formalmente estabelecidas no Ocidente Cristão (católicas romana e ortodoxa mas, principalmente as protestantes).

            Por exemplo: finalmente temos uma explicação convincente para o fato de a Bíblia traduzida ao alemão por Martinho Lutero trazer vários Livros da Bíblia, como os 2 capítulos que compõem a história da resistência dos Macabeus a Antíoco Epifane – aliás a Bíblia de Lutero é letra por letra idêntica à Bíblia Católica Romana – enquanto as versões protestantes (King James em inglês e João Ferreira de Almeida em português) não trazem I e II Macabeus, além de haver ainda uma série de outros expurgos, livros faltando que, segundo os protestantes, “não são livros inspirados, são meramente históricos” ao contrário do que Luteranos e Católicos acreditam.

            Em síntese, Judas Macabeu instaura uma nova linhagem que, embora heróica, não é reconhecida pelo judaísmo oficial por questões sucessórias (ele não era da tribo de Davi). Os Cavaleiros Templários, quando de suas escavações em Jerusalém, pelo XII século, possivelmente localizaram esta informação em antigos escritos ali depositados e, como o protestantismo recebeu poderosa influência daqueles Cavaleiros cristãos excomungados no século XIV pela Igreja Romana, a visão templária está presente nas bíblias protestantes e não nas católicas. Lutero sofreu pouca ou nenhuma influência dos descendentes intelectuais e espirituais dos Templários, estando assim muito mais próximo da Igreja Romana. Até que surja uma explicação mais profunda ou detalhada, esta hipótese aventada pelos Autores é perfeitamente convincente.

            Mas vamos ao livro.

 

I – A origem da Maçonaria não está nas Guildas de Pedreiros Medievais

 

Chris Knight e Robert Lomas iniciam seu Trabalho ressaltando ser a Maçonaria uma Instituição tradicional, voltada ao aperfeiçoamento do indivíduo e da sociedade, sob os auspícios de Deus ou Grande Arquiteto do Universo. Ao contrário das religiões formalmente estabelecidas, não há na Maçonaria qualquer referência a entidades ou divindades “das trevas”: é a única Instituição radicalmente Monoteísta do Ocidente.

Qual seria a sua origem?

De pronto descartam a hipótese segundo a qual, antes de formalizar-se na Inglaterra no dia 24 de junho de 1717, a Maçonaria ter origem exclusiva ou principal nas guildas de pedreiros medievais. Apresentam 3 motivos para esta conclusão:

_ Todas as Corporações de Ofício de Pedreiros Medievais recebiam as bênçãos da Igreja Romana o que seria impensável para a Maçonaria. Ficava-se por vezes uma vida inteira, por exemplo, na construção de uma grande Catedral, tornando desnecessários códigos de reconhecimento. Quanto à profissão, se alguém alegasse ser pedreiro sem o ser, sua inabilidade o denunciaria rapidamente.

_ As Antigas Obrigações (Old Charges) da Maçonaria estabelecem, por exemplo que “nenhum irmão deve revelar qualquer segredo legítimo de qualquer outro irmão se isso puder lhe custar a vida ou as posses”. Somente por excomunhão alguém poderia correr este risco naquele tempo. Hereges eram excomungados. Que atividade de construção poderia conduzir pedreiros cristãos à condenação por excomunhão? Mais lógico concluir serem Cavaleiros em fuga – os Templários em cujas cores, símbolos e costumes há tanta reminiscência na Maçonaria. Há ainda, nas Old Charges a proibição peremptória de um irmão relacionar-se sexualmente com qualquer mulher da família de outro irmão. Cavaleiros em fuga que solicitassem proteção precisariam deste cuidado, sem dúvida! Mas o que poderia impedir um pedreiro, por exemplo, de casar-se com a irmã de outro? Há mais, nas Old Charges, mas atenho-me à mais chocante: entre maçons sempre se contaram muitos reis e nobres. O que conduziria reis e nobres a aprender normas de comportamento moral com humildes pedreiros?

_ O argumento apresentado como “definitivo” pelos Autores é o fato de nunca ter havido guildas de pedreiros na Inglaterra, berço da Maçonaria.

            ( Sobre este as reminiscências a “construções” existentes na Ordem há outra explicação muito mais consistente que a fantasiosa hipótese “guildas de pedreiros medievais”, mas fogem ao escopo destas notas. Alhures e oportunamente o desenvolverei ).

 

II – Os Segredos Perdidos da Maçonaria

 

            Desde o primeiro contato com a Ordem sabemos que havia segredos originais que foram perdidos por circunstâncias dramáticas envolvendo a morte de um homem lendário – Hiram Abiff, construtor do Templo de Salomão – segredos que foram substituídos ou recriados em época bem remota. Os Autores, com a discrição necessária a uma Obra destinada ao grande público, apontam na direção certa a pesquisarmos.

            Viajando a 3 continentes (Europa, África e Ásia) os Autores investigam antigas construções, idiomas locais, bibliotecas e reminiscências em histórias populares encontrando explicações fascinantes a praticamente todas as expressões que usamos em Loja – e quem de nós não sentiu o desejo sincero de conhecer profundamente as origens do que dizemos nos Rituais, frequentemente recebendo a admoestação de que “compreenderíamos mais tarde”, o “mais tarde” vai chegando e os mistérios aumentam sem que expliquem os primeiros, etc? Pois os IIr.’. Knight e Lomas sentem esta pulsão e contam com a possibilidade de pesquisar in loco, trazendo-nos informações precisas e preenchendo esta lacuna.

            Detalhes da vida de Sequenenre Tao, rei egípcio do Alto Nilo em período tenso, quando o Baixo Nilo estava sob o controle dos hicsos, apontam na direção da origem exata do mito de Hiram Abiff, ficando como hipótese de trabalho altamente convincente a especulação se o patriarca Abraão seria também um nobre hicso.

            Muito do que se vê no interior da Loja Maçônica vem convincentemente explicado em A Chave de Hiram que, cautelosamente, apresenta fatos e dados históricos claramente delimitados das especulações dos Autores – abundam no livro expressões como “talvez”, “provavelmente”, “quase com toda a certeza”, etc. quando se envereda pelo caminho especulativo, mas estas especulações são robustecidas por documentos antigos, fotos e transliterações idiomáticas que realmente nos persuadem. Melhor que a leitura da Obra só mesmo uma visita aos sítios arqueológicos mencionados, de Ur, na Mesopotâmia (atualmente Iraque...) passando pelos monumentos e bibliotecas egípcias, Jerusalém e o Vaticano, chegando à Capela Rosslyn, na Escócia.

 

III – Alguns aportes

 

            Investigando de perto, com total isenção e sem estar sujeito a qualquer limitação dogmática apriorística, os Autores chegam a conclusões a um só tempo fascinantes e perturbadoras. Cito aqui apenas 7 dentre as muitas arroladas ao longo da Obra.

_ A vinda dos descendentes de Abraão (José e seus irmãos) ao Egito estaria no contexto das chamadas “invasões hicsas” àquele importante centro do Mundo Antigo.

_ A cerimônia de consagração do rei egípcio envolvia um ritual onde se encenava a sua morte e, na encenação de sua ressurreição, ele era erguido pelos sacerdotes que lhe murmuravam ao ouvido: Ma’at neb-men-aa, ma’at-ba-aa que, em egípcio antigo, traduz-se literalmente como “Grande é o Mestre de Ma’at. Grande é o Espírito de Ma’at” – Ma’at é a corporificação institucional da Verdade e da Justiça.

_ Estaria a vida e a morte trágica de Sequenenre Tao na origem do mito de Hiram Abiff? As marcas existentes em sua múmia, em exposição no Museu do Cairo e reproduzidas no livro, reforçam esta tese.

Clique para ver ampliada

A Múmia de Seqenenre Tao permite ver a marca do golpe que o matou

_ Moisés foi iniciado nos mistérios do Egito Antigo e muito da teologia judaica retrata reminiscências egípcias, assim como sumérias, caldéias e babilônias.

_ Os pilares que se destinavam a unir o humano ao divino nos reinos do Alto e do Baixo Nilo são as mais antigas reminiscências ao que mais tarde seriam as Colunas do Templo de Salomão.

_ Há uma ligação estreita entre o simbolismo das pirâmides, a Estrela de Davi e a Estrela da Manhã (Vênus), como o mais importante líder político e religioso dos hebreus definia a si mesmo.

_ Os manuscritos encontrados no Mar Morto trazem informações riquíssimas sobre a história de Israel, o momento em que a Palestina estava sob o domínio romano e os primórdios do cristianismo – manuscritos similares provavelmente tenham sido encontrados pelos Templários quando de suas escavações em Jerusalém tornando-os dignos herdeiros das Tradições Egípcias reproduzidas em Israel assim como precursores da Maçonaria como a conhecemos hoje.

            A Cabala seria a racionalização matemática e grega do antigo pensamento tradicional dos líderes religiosos hebreus.

 

IV – O Resgate

 

            A descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em Qumram, Palestina e Nag Hammadi, no Alto Egito, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, trouxe luzes incríveis sobre os tempos de dominação da Palestina pelos romanos e os primórdios do desenvolvimento dos ensinamentos de Jesus Cristo. Encontraram-se diversos pergaminhos, em péssimo estado de conservação (alguns com mais de 2.500 anos de idade!) narrando histórias dos hebreus em seu cativeiro na Babilônia, dos primeiros discípulos de Cristo, códigos de legislação e uma série de dados, muitos dos quais frontalmente conflitantes ao que se tornou a história oficial tanto do povo hebreu quanto da Primeira Igreja de Jerusalém sob a liderança de Jesus Cristo e, a seguir, de seu irmão Tiago. Há muito ainda a ser traduzido e compreendido, somente se arranhou a superfície de toda aquela gama enciclopédica de informações; à medida em que nossos corações se tornam capazes de receber a plenitude da mensagem deixada a nós pelos zelosos rabinos da comunidade de Qumram e os primeiros cristãos de Nag Hamadi, mais será revelado.

Está provado que documentos similares foram sepultados sob o Templo de Salomão – há inúmeras referências cruzadas a “documentos protegidos debaixo do Santo dos Santos, no Templo de Salomão”. Os Templários os desenterraram e, com o auxílio de intelectuais da época, decifraram. Toda esta informação está incorporada aos rituais maçônicos: há um grau, o do Santo Real Arco, que rememora, por alegorias ilustradas em símbolos, precisamente a descoberta destes documentos. Isto nos traz dados que permitem compreender melhor a história dos primórdios da civilização humana no Oriente Médio e apreender a plenitude do simbolismo maçônico.

 

Lázaro Curvêlo Chaves – M.’.M.’.

Delegado da G.’.L.’.U.’.S.’.A.’. para a região norte de São Paulo e Sul de Minas

www.glusa.org

A Chave de Hiram - 377 pág - Ed. Landmark

 

 

 

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