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A desmoralização de Lula
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Vinicius Torres Freire Folha de S. Paulo, 28 de fevereiro de 2005
Dois grandes banqueiros que em público elogiam o presidente da República costumam dizer em seus círculos que os ex-escravos dão os melhores capatazes, derrisão cínica, claro, dirigida a Lula. Para esses senhores, Lula é tolerado porque seu Banco Central segue o Manual do Tio Patinhas da política monetária, porque a política econômica é a mesma de FHC 2 e porque não tem havido confusão maior no país, nem mesmo com o MST. Mas desde o ano passado alguns muito ricos já dão de barato a sujeição do petismo-lulismo à rotina política e socioeconômica do país. No realejo da banca, acabou a graça de ver petistas amestrados trazerem a moedinha na caneca. Muita gente séria se pergunta que novos disparates o governo Lula pode parir. Pegou muito mal a eleição de Severino Cavalcanti, após um ano de imobilismo e tratativas intratáveis e intragáveis do petismo no Congresso. A série de fiascos políticos e programáticos desmoralizou a cúpula petista-lulista, com a exceção de Palocci e de Thomaz Bastos: Fome Zero, Primeiro Emprego, Ancinav, lei de imprensa, o contrabando vulgar da MP 232, a desordem na saúde, a reforma universitária cheia de bodes e de basismo lunático e tantos outros erros. Para quase fechar o círculo de giz do fracasso, cresce o rumor da “gustavofranquização” do BC -de Gustavo Franco, o presidente do BC de FHC que foi sendo deixado sozinho na sua nau do real forte e que afundou abandonado mesmo por aqueles que o paparicavam na bonança. Até conservadores admitem que os reizinhos do BC foram longe demais, que estouram a dívida pública e represam inflação na forma de dólar barato a troco de pouco resultado. É sentimento na elite que Lula dobrou o cabo da última esperança com o discurso em que quis se fazer de magnânimo esperto e disse acobertar corrupção no governo FHC; que seu despreparo pode produzir crises sérias a troco de nada. Lula é imensamente popular, mas muita gente graúda já acredita que até 2006 há tempo para dar um jeito nisso. Vinicius Torres Freire - Folha de S. Paulo, 28 de fevereiro de 2005 Sociologia, Filosofia, Psicologia, Ensaios Críticos
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