
Direitismo, doença senil do capitalismo
A Era da Mediocridade
Neste momento histórico vivemos sob o domínio da mediocridade. Se a década de 60 do século passado entrou para a história universal como um dos momentos de maior brilho intelectual do século, a década de 90 entra como o período mais medíocre, aquele que marcou, a par da completa inexistência do surgimento de grandes expoentes intelectuais, o retrocesso ao pensamento unidimensional no mundo. Houve um tempo em que nos deliciávamos lendo e ouvindo gente do quilate de André Breton, Jean-Paul Sartre, Albert Camus, Louis Althusser, Jacques Lacan, Michel Foucault (amigo pessoal do Aiatolá Khomeyni, um dos poucos intelectuais a apoiar a Revolução Islâmica do Irã, por sinal) entre outros, que pensavam o mundo a partir de perspectivas multidimensionais, hoje a mediocridade neoliberal só produz o rebotalho capaz de proferir, por trás de uma verborragia absolutamente supérflua, como Fukuyama ou Drucker, ideólogos da direita estadunidense, chavões idiotas em torno de “fim da história e das utopias”, “superávit primário”, “combater a inflação”, “altas taxas de juros”, etc. Toda a economia deste começo de século volta-se a uma redução do horizonte epistêmico aos interesses do capital especulativo internacional em detrimento do humano que vive, trabalha e ama. Só isso. D. Geraldo Majela Agnello, presidente da CNBB enfatiza aos católicos os problemas do império medíocre das Américas, Império este que se encontra no campo de interesse do capital especulativo, se posiciona no campo contrário à vida e ao ser humano; além disso, só produz e patrocina o lixo cultural e intelectual, desqualificando toda a produção intelectual conflitante com a cartilha do FMI como “incompetente”. Se o pensamento não consegue justificar a manutenção do capitalismo rapinante, é tido como incompetente. Tempos medíocres.
Meirelles e Casseb convidados gentilmente a conversar informalmente com senadores sobre o tema que melhor lhes convier em data que melhor lhes convier. Provavelmente após as eleições municipais...
Em qualquer país de primeiro mundo, se o presidente do Banco Central fosse pilhado sonegando impostos, faltando com a verdade junto ao fisco e à Justiça Eleitoral, seria sumariamente demitido. No Brasil se convida a uma conversa amena em data que melhor lhe convier para falar somente sobre amenidades... Guardadas as devidas proporções, é mais ou menos como se a Polícia Federal convidasse o Fernandinho Beira Mar para depor, na data que melhor lhe conviesse, sobre tema que melhor lhe conviesse, ressalvado o fato de que, as denúncias a ele imputadas não são tão graves quanto as que pairam sobre o presidente do Banco Central do Brasil. A avaliação dos agentes econômicos, gente muito mais importante que os seres humanos que trabalham e produzem, dentro da perversa lógica do capetalismo brasileiro, é que se o presidente do banco central for afastado, o capital motel que vem para cá lucrar num dia e sair no outro se afastaria. Como os agentes econômicos brasileiros trabalham em tudo e para tudo para o capital motel, lutando sempre contra a produção ou a geração de empregos, e como Meirelles e seus cúmplices ocupam a posição em que estão justamente para evitar o crescimento econômico (embora o discurso diga o contrário, claro) e repassar dinheiro da produção para a especulação, o mais provável é que tudo fique exatamente como está.
Pelos fundos
Emblemático que autoridades brasileiras não sejam capazes de ingressar em eventos nacionais pela porta da frente ou mesmo por ela sair: são vaiados, apupados e, no limite, ameaçados de agressão. Lula no velório de Leonel Brizola, no Rio de Janeiro, teve de fazer ouvidos moucos ao coral de “TRAIDOR!” com que o povo o brindava, esgueirando-se pelos fundos do palácio. Meirelles já não consegue comparecer a eventos públicos sem ser vaiado e tem sempre de sair escondido... Este o preço da traição. Só numa republiqueta de bananas um operador de mercado financeiro, com diversas contas no exterior para lavar dinheiro sujo poderia ocupar o cargo de presidente do banco central.
PT Ataca a DemocraciaI – Censura à Imprensa
O governo federal, no que Alberto Dines classifica como “uma medida autoritária e desastrada”, decidiu-se a criar um certo “Conselho Nacional de Jornalismo”, com a conivência de um sindicato pelego, minúsculo, que sequer representa 10% da categoria, um tal de “Fenaj”. No mérito, a regulação da atividade jornalística, tendo em vista os pretensos abusos havidos ultimamente. Este pensamento é antiqüíssimo em nosso país. Já na ditadura militar a culpa era sempre do jornalista, lembra? Hoje, como os escândalos que o governo petista produz – nunca houve no Brasil um governo tão impregnado de corrupções, falcatruas, desvios de recursos, sonegação de impostos e amigos do alheio em geral – vêm a lume regularmente na Imprensa, o governo toma uma medida a respeito: resolve desprezar a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), digna e verdadeira representante dos jornalistas deste país e elabora um projeto de lei criando um conselho espúrio, com a finalidade precipual de normatizar e reprimir o que seja ou não considerado jornalismo pela CUT ou pelo seu braço jornalístico, a tal “Fenaj”. Deve passar ainda pelo Congresso Nacional. No governo Lula a os deputados federais têm se mostrado mais venais que os senadores da república. Representantes de si mesmos, distanciados do povo e acarinhados pelo governo, podem aprovar esta medida restritiva da liberdade de imprensa, para desgraça da Nação aos olhos da História. Cabe-nos apenas o “jus experneandi” e a torcida para que os congressistas deixem de sensibilizar-se com o suborno governamental e sofram um súbito surto de moralidade no encaminhamento do interesse público.
II – Censura à Cultura Brasileira
O Ministério da Cultura há tempos vem anunciando a criação da Agência Nacional de Cinema e Audiovisual (Ancinav). O projeto de lei que a cria está pronto sem quaisquer modificações relevantes, numa demonstração inequívoca de um autoritarismo do tipo existente entre os que se consideram donos da verdade. Entre outras medidas draconianas, meros três seres humanos (naturalmente ligados ao PT...) serão os únicos responsáveis a dizer o que é ou não “Cultura Brasileira” e, no limite, coibir o que seja desconsiderado como tal ou punir seus mentores intelectuais. Toda a censura é burra, portanto o dano será grande mas a criatividade dele decorrente também o será. Assim é o humano. Sinto-me pessoalmente lesado pela criação desta agência absolutamente espúria, danosa mesmo à Cultura Brasileira. Como mantenho uma página com este nome na Internet há seis anos, fico preocupado com a possibilidade de algum dos idiotas que comporão o conselho censor da referida Agência considere o que produzo (cursos de história do Brasil, de história geral, ensaios sociológicos, resenhas de obras literárias, livros completos e análises de conjuntura) não condicente com o que consideram “cultura” – será que o pessoal do MinC sabe, pelo menos, soletrar a palavra c-u-l-t-u-r-a? – e assim eu ter de manter somente o espelho de minha página que está hospedada gratuitamente na Europa sob os auspícios de alguns Irmãos Catalães e Suíços, o que seria um pequenino transtorno devido à demora que ainda existe nas transferências de arquivos naqueles servidores gratuitos. De todo o modo, deixo registrado o meu protesto, mais uma vez, quanto a esta medida ilógica, autoritária, censora, ditatorial, inútil e burra. Quem são os três “iluminados” do PT que dirão o que é ou não “Cultura Brasileira”? Uma gente que sequer sabe o que é cultura! Tás brincando?
Reflexão final
Se LULA optou por manter a alienação da soberania nacional a uma potência estrangeira, concedendo na prática total autonomia ao Banco Central do Brasil, que Meirelles rege como se fora um feudo pessoal, se não faz aquilo para que foi eleito, ou seja, executar na prática a política econômica no interesse do povo trabalhador deste país, que moral tem ele para sequer pensar em “regular”, ou seja, censurar, a imprensa ou a cultura, em que não investe um único centavo? Aliás, será que alguém neste governo tem alguma noção do significado da expressão “Cultura Brasileira”?
Indicação de leitura aos agentes do governo do PT que, eventualmente, saibam ler:
Lázaro Curvêlo Chaves - 14/08/2004 Leituras Indicadas: |
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