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O dossiê e a Espanha

 

Ministério sugerido por Chico Buarque faz falta...

 

            Dona Dilma passou semanas espalhando aos quatro ventos que a Casa Civil se esmeraria em levantar dados desconcertantes sobre o governo FHC (de triste memória). Quando o resultado de seu trabalho exaustivo nesta direção é publicado, na ausência do importantíssimo “ministério do vai-dar-merda” sugerido pelo genial Chico Buarque de Hollanda, percebe o tiro no próprio pé e, a exemplo dos petistas que caíram antes dela, torce o significado das palavras, agride a inteligência dos interlocutores, afronta o Legislativo e o Judiciário, ridiculariza as Forças Armadas e se enfia em tamanho lamaçal que não consegue mais falar sobre o tal do PAC. Ficou reduzida a “mãe do dossiê”, título que merece, senão como executora, no mínimo como idealizadora e fomentadora.

            É uma lástima que a política brasileira se reduza, se amesquinhe tanto assim.

            O governo Lula da Silva, como seus antecessores, torra o dinheiro do contribuinte remunerando a especulação financeira. Penalizam a um só tempo o capital produtivo e a força de trabalho, que paga a conta: camas elásticas, reforma e decoração de apartamentos luxuosos, mesas de sinuca, free shop, tapiocas, massagistas, etc.

            Antes que me esqueça, o prazo limite para a entrega da declaração do Imposto de Renda segue o dia 30 de abril. O contribuinte “não tem o direito” de atrasar as “ações de governo”. Há viagens a fazer, aliados petistas a apoiar neste ano eleitoral, propaganda a pagar, ministros e juízes a subornar... Lembro que somente os especuladores internacionais (brasileiros nativos ou não) estão isentos e que todos os trabalhadores são obrigados a pagar impostos.

            “A rosa teria perfume diferente se chamada por outro nome?” – Pergunta-nos Shakespeare em Romeu e Julieta. Chamar o levantamento e a publicação de dados embaraçosos do ex-presidente da República e de sua esposa, quebrando-lhes o sigilo assegurado pela mesma lei que protege os de Lula da Silva e dona Marisa de “Ferramenta de Gestão” ou de “Dossiê” diminui a responsabilidade da dona Dilma em quê mesmo?

            Disseminou a idéia – “é preciso levantar dados embaraçosos sobre o governo passado e tê-los à mão como ferramenta de barganha” – e o levantamento foi feito dentro da Casa Civil do Palácio do Planalto. A responsabilidade está amplamente provada e explicitada. O resto é barulho e embromação. Quem está no poder perde o contato com a realidade a um ponto somente mensurável por quem já esteve em posição similar e, mesmo não gostando nem um pouco de FHC e de todo o mal que fez ao Brasil, sou obrigado a reconhecer nele uma grandeza moral que não se vislumbra em nenhum petista. Particularmente agora que os petistas estão fazendo “a mesma coisa que sempre se fez” e piorando muito todo o mal feito ao país por seus antecessores.

            Renan Calheiros, então presidente do Senado, notificou a si mesmo, senador investigado pelo Conselho de Ética da Casa, e informava ter uma semana para tomar ciência da notificação. Este paroxismo de ridículo se repete na Casa Civil que, agora, “abre sindicância” para detectar quais foram os funcionários obedientes que cumpriram as ordens da chefe da Casa. E, naturalmente, a dona da Casa da Dilma quer ser levada a sério...

 

Cadê a oposição?

 

            Collor de Mello caiu pois tinha contra si um PT (antes dos dossiês e mensalões) na oposição. O tucanato não está acostumado a ser oposição, não sabe ser oposição. Há juízes no Brasil que possam verificar essa questão dos desvios de recursos públicos em processo de levantamento na CPI dos Cartões? Há juízes que possam verificar essa questão que dona Dilma suscitou ao quebrar o sigilo do ex-presidente da República? Pelo menos... Há juízes? Por que raios a oposição não apresenta uma queixa-crime, não ajuíza uma ação séria contra essa corja de ladrões e salafrários traidores da classe trabalhadora que tomou o poder e se perpetua em ações danosas que se multiplicam?

            Que merda de oposição é essa que só sabe fazer discursos vazios e contradizer-se a si mesma na prática, ao aprovar, quase sem exceção, as medidas encaminhadas pelo governo?

            Por essas e outras, muitos insatisfeitos vêem Lula da Silva governar sem oposição.

 

Inchaço da máquina pública

 

            Uma vez que tucanos e petistas partilham a mesma visão e formas de encaminhamento da política econômica (primeiro o capital especulativo e os interesses dos bancos, a seguir o dos empresários e, muito subsidiariamente, o dos trabalhadores) já há quem defenda ser a atual disputa entre situação e oposição mero jogo de cena.

            A fim de evitar esta visão, alguns intelectuais a soldo do lulo-petismo “informam” que o que está em questão é a visão do Estado assistencialista (a isto ficou reduzida a imaginação política da outrora chamada “esquerda” brasileira...) De um lado estaria o neoliberalismo tucano, que busca esvaziar a máquina estatal, chegar ao Estado Mínimo e, de outro, estaria o lulo-petismo, segundo o vêem, eivado de boas intenções para a saúde, a educação e a assistência através de bolsas-esmola, o que lhes obriga a ampliar a máquina estatal.

            O tamanho da máquina é menos relevante do que a forma como ela é gerenciada. O governo Lula da Silva gasta mais dinheiro público com muitos petistas e associados em cargos de livre designação do que o governo FHC. Este é o dado concreto. Na prática, o que vemos são médicos a receberem R$ 2,03 por consulta, os professores chegarem ao menor patamar salarial de toda a história (e os salários seguem caindo), os militares – dentre os quais estão os Controladores de Tráfego Aéreo – com seus salários também em queda livre há mais de 20 anos sem interrupção e sem reajustes compensadores. Aumentar gastos públicos? Enfaticamente sim! Da forma que o desgoverno Lula da Silva faz, pagando altíssimos salários a seus associados e destruindo o funcionalismo de carreira? Não mesmo! E neoliberal é uma expressão tão ampla, tão vaga, que cabe a todo e qualquer governo que se curve abjetamente aos interesses do capital especulativo internacional em detrimento do povo que, teoricamente, o elegeu. Cabe, portanto, a tucanos e petistas.

 

Voto compulsório ou democracia?

 

            Dentro em breve o TSE começará sua campanha hipnótica acerca da “importância do voto”, que este ano teremos eleições municipais.

            Entre os especialistas em informática são raríssimos (eu mesmo não conheço sequer um!) os que confiam no sistema da urna eletrônica. Em termos internacionais somente o Brasil e sua subcolônia, o Paraguai, adotam esta forma excêntrica de simplificar a interpretação da vontade popular. Raros países – só no mundo subdesenvolvido, periférico ao capitalismo central – obrigam seus cidadãos a votar sob pena de perder direitos civis e o Brasil inova: promete para breve a criação de um gigantesco banco de dados com as impressões digitais de todos os compatriotas alegadamente “para evitar fraudes nas eleições”. Esta ferramenta do totalitarismo chega a todos os amantes e ansiosos por democracia como mais uma péssima notícia. O combate à fraude seria muito mais eficiente se o voto fosse facultativo como o é há muitos séculos em todos os países com larga tradição democrática no mundo, particularmente na Europa e na América do Norte.

            Enquanto o voto for obrigatório, nossa democracia será capenga e a “representatividade” seguirá sendo este falseamento que permite a eleição de representantes de si mesmos em todas as esferas.

 

 

Pesquisa de Opinião – Lula da Silva é reprovado pela maioria dos brasileiros

 

O PT no poder se esmera em provar que “ninguém presta” e justificar suas malfeitorias com a assertiva tão verídica quanto inócua: “fazemos o mesmo que todos fizeram antes de nós” usualmente na mesma frase ou parágrafo em que asseveram “mudamos a história do Brasil e fazemos o que ‘eles’ não fizeram em 500 anos”.

            Em palanques pelo Brasil afora, Lula da Silva agride a um só tempo o idioma português, o governo estadunidense e a inteligência do brasileiro. “Eu disse pro Bush...” Em que língua se os dois monoglotas não falam o idioma um do outro? Na mesma toada passa a mão na cabeça de todos os que cometeram malfeitorias em sua gestão: Severino Cavalcanti caiu porque “é pobre” e não por ser corrupto.

            Não acreditando nas pesquisas feitas somente na base de sustentação do governo, acabo de concluir uma eu mesmo. Entrevistei 100 pessoas para facilitar minhas contas na publicação do percentual resultante. O universo englobou alguns de meus familiares e amigos de 9 Estados da federação, que responderam diretamente ou por e-mail. O resultado é bem discrepante deste anunciado há pouco pela CNI. Pedi que avaliassem o governo Lula da Silva (não o cidadão) e dissessem se o consideram “ótimo”, “bom”, “ruim” ou “péssimo”.

            100% dos entrevistados consideraram péssimo.

            0 % consideraram “ruim”

            0 % consideraram “bom”

            0 % consideraram “ótimo”

            Dentro do universo de pesquisa o índice de reprovação ao governo Lula da Silva é de 100%

 

E o mosquito?

 

            Vetor de transmissão da Febre Amarela e da Dengue, o Aedes Aegipty encontra no governo Lula da Silva importante aliado. Morreu mais gente de Dengue e Febre Amarela no governo Lula da Silva do que nos 20 anos anteriores.

            Prontas para ajudar como possível, as Forças Armadas começam a se mobilizar pelo menos em ajuda às vítimas do mosquito que ninguém pensou em combater apropriadamente, mas foram barrados pelo Ministro da Defesa: uma coisa desse porte não pode ser lançado assim, sem fanfarra e sem buscar algum lucro político. Primeiro iniciou-se uma campanha monumental contra o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia. Campanha que só encontra paralelo naquela que o PT encetou contra o então ministro José Serra, da saúde. Paralelamente a isto, se criou um “gabinete da crise” – e lá vai dinheiro público em reuniões espúrias – criado no dia 19 de março, véspera de feriado; a primeira reunião do “gabinete da crise” realizou-se no dia 24 de março e, até o momento em que concluo estas linhas, nenhuma medida prática das Forças Armadas havia sido autorizada pelo governo Lula da Silva (semana em que morreram mais algumas crianças em meio a uma contaminação média de uma pessoa por minuto: “mas não é epidemia” e vamos lá dar outro nome ao desconforto causado pelo desgoverno). Esperemos que, nesta segunda-feira, 31 de março, 15 dias após as Forças Armadas apresentarem sua disponibilidade para entrar em ação imediatamente com hospitais de campanha, chegue a autorização que, com ou sem fanfarra, o mosquito, federal, estadual ou municipal, já se aproveitou demais de seu direito de matar cariocas.

 

Aniversário da Gloriosa

 

            Até hoje os generais escrevem ordens do dia alusivas, não ao 1º de Abril, data em que o golpe militar contra o governo constitucional de João Goulart foi deflagrado no Brasil por ordem dos EUA, mas ao 31 de Março, data infensa à carga de brincadeiras que o “dia internacional da mentira” poderia suscitar.

            O golpe, vitorioso, faz seu eco poderoso até os dias atuais: o Brasil está polvilhado de Shopping Centers, Fast Food, Supermercados, empresas estrangeiras lucrando uma fábula com nossa mão-de-obra barata, desemprego em alta e economia estagnada, ao gosto do mercado especulativo internacional.

            O povo brasileiro hoje está pior remunerado, se alimenta mal, se veste mal, se educa mal, tem menos acesso à saúde e segurança do que tinha até 1963. A função do golpe contra os brasileiros (e deflagrado, naturalmente, “em nome da democracia”, que extinguiu e até hoje não se reergueu) foi integralmente cumprida, em sua mais ampla extensão do termo, com a conivente ingenuidade dos generais e seus seguidores, muitos até hoje saudosos dos “bons tempos” de tortura e censura aos meios de comunicação...

Leia mais: http://www.culturabrasil.org/geo_64.htm

 

Espanha não tem interesse econômico no Brasil

 

            Se vivêssemos num país sério, o veto ao ingresso e maus tratos a nossos cidadãos em solo de país considerado “amigo” por motivos fúteis ou escalafobéticos teria, no mínimo, a contrapartida de alguma forma de reação além dos adjetivos. Como bem pontuou Janio de Freitas na Folha de S. Paulo, não é necessário um Ministério das Relações Exteriores para informar que o brasileiro está “indignado” pela forma como vem sendo tratado no Exterior, muito em particular na Espanha.

            Se a Espanha tivesse interesses econômicos no Brasil, seja através de algum banco, como o Santander, por exemplo, ou nas comunicações, como a Telefonica, o tratamento aos cidadãos do Brasil, tratado como colônia moderna, talvez fosse diferenciado. Talvez já o esteja sendo...

            Pena não termos coragem de dar aos dirigentes espanhóis da Telefonica ou do Santander o tratamento que eles dão a nossos compatriotas lá na terra deles...

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 30/03/2008

 

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