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Instituto de Pesquisas
Sociais Euclides da Cunha

História da Semana Euclidiana
de São José do Rio Pardo
Introdução

Euclides da Cunha, referência obrigatória
quando se faz menção à cultura brasileira, morou na casa sita à Rua Marechal Floriano,
105, em São José do Rio Pardo, com sua família de 1898 a 1901, deixando na cidade
marcas profundas...
Aspectos Econômicos

(Fonte: José Dantas, História do Brasil,
p.133) |

Estradas de ferro em São Paulo, 1900. |
A
expansão do café pelo interior de São Paulo
Vamos cogitar de um tempo em que a expansão cafeeira estava
em avanço pelo interior de São Paulo e Minas Gerais impondo-se alavancando a economia
nacional. |
Aspectos filosóficos

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| Tempo de orgulhoso positivismo, com
algumas certezas, inclusive estampadas na Bandeira Nacional. A república recentemente
proclamada sentia-se ainda insegura com respeito a rumores de "focos"
monarquistas no interior... |
Euclides da Cunha, neste contexto,
fez a cobertura dos derradeiros momentos da Guerra de Canudos em fins de 1897, a pedido do
jornal "O Estado de S. Paulo". Seu trabalho cultural face aos problemas sociais
brasileiros marca nossa nação desde o seu berço republicano. |
Motivo da vinda a São José do
Rio Pardo
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| A queda de uma ponte metálica que
visava facilitar o escoamento do café produzido à margem esquerda do rio Pardo em
direção da estação da Mojiana que passava por São José do Rio Pardo faz com que
Euclides, então trabalhando no Departamento de Obras Públicas do Estado de São Paulo,
venha para a cidade com a finalidade de supervisionar as obras de reconstrução da ponte
em terreno mais firme poucos metros acima de onde se encontrava. A obra toma quase três
anos. |
Como a obra dura quase três anos,
Euclides transfere-se com a família para a cidade, residindo na casa sita à Rua Marechal
Floriano, 105, hoje Casa de Cultura Euclides da Cunha. Ao tempo, sua família restringe-se
a Euclides da Cunha, à esposa e a dois filhos. Seu terceiro filho, o rio-pardense Manuel
Afonso, nasce em janeiro de 1898. |
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| A fim de
dedicar-se mais acuradamente ao seu trabalho - tanto a reconstrução da ponte quanto a
sistematização do livro "Os Sertões" - Euclides ordena a construção de uma
cabana de zinco e sarrafos próxima ao local das obras. |
Inaugurou-se
a ponte em 18 de maio de 1901. Anualmente é celebrada esta data no município e
rememora-se o excepcional escritor e engenheiro Euclides da Cunha. |
| A placa de bronze afixada
na lateral da ponte em 1986 afixa os dizeres: "Patrimônio histórico. Tombada pelo
CONDEPHAAT em 30/05/1986" |
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Os Sertões
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Primeira edição de "Os
Sertões" em 1902, esgotada em poucas semanas. Este exemplar foi oferecido à
Casa Euclidiana pelo escritor Cassiano Ricardo.
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Valia-se de suas
anotações de campanha para dar forma final a "Os Sertões" enquanto
supervisionava a reconstrução da ponte metálica sobre o rio Pardo. Os
rio-pardenses, em geral, são capazes de reflexões sobre o
bio-bibliografia euclidiana a qualquer momento.
Concluído o trabalho da ponte, é promovido e vai para Lorena, de onde
acompanha a primeira edição de
"Os Sertões",
só se tranqüilizando quando recebe o comunicado dando conta que o
livro estava pronto, o que acontece via postal, em fins de 1902. Tendo
em vista o primor de seu trabalho cultural e a proximidade histórica
dos eventos ali narrados, Euclides atinge súbita e imortal notoriedade
sendo eleito, já no ano seguinte, para o Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro e para a Academia
Brasileira de Letras.
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A Cabana de Zinco
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| Vista do interior da Cabana de
Zinco, com a banqueta e a mesa utilizadas por Euclides da Cunha enquanto
escrevia "Os Sertões" e acompanhava a reconstrução da ponte. |
Aquela bandeira brasileira foi
colocada no interior da Cabana de Zinco no início do século e retirada a
15 de agosto de 1998, permanecendo na Casa Euclidiana. |
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| Cumpre ressaltar que a
Cabana de Zinco, protegida desde 1928 por uma redoma de vidro, é
monumento histórico nacional desde
1937. Numa das placas ali afixadas pode-se ler:
"Monumento nacional incorporado ao
acervo do patrimônio histórico e artístico nacional"
(decreto-lei federal nº 25, de 30/11/1937) |
Vista do interior da Cabana de
Zinco hoje

Podemos ver preservadas a banqueta
e a mesinha onde, reza a tradição Euclides da Cunha escreveu o livro "Os
Sertões". Em São José do Rio Pardo optou-se por preservar objetos originais.
Também pode-se ver a Bandeira Nacional trazida da terra natal de Euclides da
Cunha e incorporada à Cabana na solenidade do dia 15 de agosto de 1998. Presente
da municipalidade de Cantagalo à São José do Rio Pardo.
A tragédia da Piedade e o
nascimento da Semana Euclidiana
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| Em 1909 é aprovado, por concurso
público, para o tradicional Colégio Pedro II onde, por poucas semanas,
exerce efetivamente a cátedra de lógica. Em agosto, procurando desagravar
a honra doméstica atingida, tomba morto dia 15 no Rio, precocemente, aos
43 anos de idade. |
A morte de Euclides da Cunha deixa
seus ex-alunos, muitos amigos e admiradores profundamente indignados.
Passam a encontrar-se e reunir-se com maior periodicidade, chegando mesmo
a criar o Grêmio Euclides da Cunha no Rio de Janeiro em 1916. |
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| A Semana Euclidiana
realiza-se em São José do Rio Pardo desde 1912. A primeira manifestação
pública ocorre quando um grupo de admiradores e amigos de Euclides da
Cunha desloca-se até a Cabana de Zinco no dia 15 de agosto, ali prestando
uma homenagem ao amigo ausente, num gesto, como dizia Alberto Rangel, de
"Protesto (contra a impunidade do assassino do escritor) e adoração (à sua
vida e ao seu trabalho)" |
Inicialmente
rememorava-se Euclides da Cunha em São José do Rio Pardo somente a 15 de
agosto. Na década de 30 o "Episódio Republicano", ocorrido na cidade a 11
de agosto de 1889 foi agregado ao evento. Em 1940 ocorreu a sistematização
definitiva da Semana Euclidiana: 9 a 15 de agosto. Em com tendência a
expandir-se cada vez mais! A comunidade rio-pardense está mobilizada
dentro do euclidianismo 365 dias por ano. |
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Um folheto
anunciando o
"Dia de Euclydes da
Cunha"
Aquela primeira
manifestação, que tem-se repetido anualmente no dia 15 de agosto,
mostrando uma tradição muito bem estruturada, é o núcleo, o cerne da
Semana Euclidiana. Desde 1925 lei municipal estabelece feriado 15 de
agosto - "Dia de Euclydes da Cunha". Das primeiras reuniões anuais, sempre
acompanhadas de conferências proferidas por pessoas renomadas que em seus
discursos fazem referência à vida e à obra de Euclides da Cunha, pouco nos
restou hoje senão escassas fotos, anotações e muita memória. Nomes
esparsos de pessoas que, verdade ou lenda, teriam passado por São José do
Rio Pardo naquelas primeiras manifestações podem ainda ser encontrados em
São José, na Casa Euclidiana. Até o ano de 1932, portanto, somente o dia
15 de agosto foi o centro da memória de Euclides da Cunha em São José do
Rio Pardo. |
Traços do gigantesco monumento
histórico construído ao longo dos anos pela comunidade rio-pardense.
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Medalhão em bronze, com a
efígie de Euclides da Cunha
Próxima à Cabana de Zinco está uma
peanha numa tonalidade que lembra o solo agreste do sertão. Nela se fez
afixar um medalhão em bronze com a efígie de Euclides da Cunha. Presente
do jornal "O Estado de S. Paulo" à municipalidade em
1918, pode-se ler na pedra a auto-descrição: "MIXTO de CELTA, de
TAPUIA e GREGO..." |
| Fachada do Hotel Brasil
A 11 de agosto de 1889, o entusiasta republicano
Ananias Barbosa, então proprietário do hotel, recebeu Francisco Glicério
com um grupo republicano paulista. A reunião foi permeada por ecos da
"Marselhesa"; o grupo saiu em comitiva até o prédio da câmara e da cadeia
, hoje "Museu Rio-pardense Arsênio Frigo", ali hasteando a bandeira
republicana. Dia seguinte tropas monarquistas reprimiram os revoltosos
que, três meses e três dias depois viam a implantação federal da República
no Brasil. O "Episódio Republicano" é rememorado todos os anos na noite de
11 de agosto em frente à janela histórica do Hotel Brasil, com a presença
de autoridades, estudiosos e entusiastas do pioneirismo republicano
rio-pardense. |
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O Mausoléu, onde jazem os corpos de
Euclides da Cunha e de seu filho
Em 1982 os restos mortais de Euclides da Cunha e
de Euclides da Cunha Filho (Quidinho) foram trasladados do cemitério São
João Batista, no Rio de Janeiro a São José do Rio Pardo. Era prefeito à
época o Dr. Richard Celso Amato. Ao alto pode-se ler um desabafo de
Euclides a seu amigo Francisco Escobar - prefeito em exercício da cidade
ao tempo em que aqui esteve: "Que saudades do meu escritório de folhas de
zinco e sarrafos da margem do rio Pardo..." A composição Ponte Metálica,
Cabana de Zinco, Medalhão e o Mausoléu onde repousam os restos de Euclides
e de seu filho está no Recanto Euclidiano, visitado anualmente por
milhares de pessoas. |
| Museu Rio-pardense "Arsênio Frigo"
As primeiras Romarias Cívicas de São José do Rio
Pardo saíam da "Casa de Câmara e Cadeia" em direção da Cabana de Zinco,
sempre a 15 de agosto. O prédio, "Museu Rio-pardense" desde 1986, sendo
prefeito à época o sr. Sílvio França Torres, é o local onde mais se tem
esmerado em preservar a memória da cidade. Contando com um acervo a um só
tempo curioso e precioso do ponto de vista cultural (livros, objetos
antigos da região, discos de vinil, etc.) anseia por sistematização
profissionalizada para simplificar as pesquisas. |
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Alunos participantes da
Maratona
A Maratona
Intelectual Euclidiana
O médico Oswaldo Galotti e o
professor de literatura brasileira Hersílio Ângelo estabeleceram
decisivamente a confecção do formato da Semana Euclidiana com as feições
segundo as quais a conhecemos hoje. Dirigida aos jovens
secundaristas, a Maratona Intelectual Euclidiana faz-se realizar desde
1940. Alguns intelectuais, como o dr. Adelino Brandão, de Jundiaí, SP,
percorrem o ciclo de promoções de maratonista, professor, chegando a
coordenador do ciclo de estudos. Na Casa Euclidiana podem ser
encontradas conferências proferidas de 1936 (Pedro Calmon) até 2000 (Éverton
de Paula). Nomes de expressão cultural internacional encontram-se
entre aqueles que proferiram a Conferência Oficial; a título de
curiosidade arrole-se alguns; Afonso Arinos de Mello Franco (1940),
Menotti del Picchia (1944), Cassiano Ricardo (1947), Plínio Salgado
(1953), Alceu Amoroso Lima, o "Tristão de Athayde"(1957), José Calasans
Brandão da Silva (1965), Dante Moreira Leite (1974), Francisco Foot
Hardman (1989), Roberto Ventura (1995), Berthold Zilly (1997)
Regina Abreu (1998),
Carmen Maschietto (1999) e
Éverton de Paula (2000)
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Desfile de Abertura da
Semana Euclidiana
O movimento euclidiano em São José do
Rio Pardo gira em torno de um eixo com duas pontas: de um lado
intelectuais e admiradores do trabalho de Euclides da Cunha; de outro
autoridades e empresários incentivadores da preservação deste importante
movimento cívico. O Desfile de Abertura
é, seguramente, seu momento popular de maior brilho!
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Claro está o desenvolvimento
organizacional da Semana Euclidiana de São José do Rio Pardo, portanto. A
cada ano que passa ocorrem diversas novas manifestações internas, com toda a
sociedade civil organizada ansiosa por fazer-se
representar. |
Dentro desta consideração, encontramos
manifestações de cunho popular, esportes e outros eventos voltados a
propagação da vida e obra de Euclides da Cunha e(m) São José do Rio Pardo:
exposições e feiras de livros e de artesanato, filmes e peças teatrais,
recitais, concertos, concursos de dança e das mais diversas modalidades
desportivas, nascidos todos da iniciativa popular voltada a manter acesa a
chama deste movimento.
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No Desfile de Abertura ocorre a
principal manifestação popular maciça de culto à vida e à obra de Euclides
da Cunha, quando se apresentam Instituições estaduais de toda a região
circunvizinha a São José do Rio Pardo e agremiações de maratonistas de
dezenas de municípios paulistas.
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Nele, todas as Instituições da
sociedade civil organizada participam expressando nas mais diversas
alegorias tudo o que sentem acerca da importância de Euclides da Cunha
para a Cultura Brasileira, sempre fazendo ilações ao que está acontecendo
no Brasil contemporâneo.
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As escolas fazem, desde as primeiras
manifestações o cerne do brilho do Desfile com alunos caracterizados como
Euclides da Cunha, conduzindo carros alegóricos alusivos à temática
Canudos e à história da cidade, usualmente intercalados por fanfarras da
região e até mesmo de bandas sinfônicas.
Além delas diversas empresas privadas
têm participado também, num crescendo estupendo e, dentre elas
distinguem-se a Nestlé, academias
de dança e de atividades desportivas, etc.
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Sempre presentes, tanto no Desfile
quanto em todos os eventos da Semana Euclidiana, a delegação de Cantagalo.
Apenas em 1998 foram 30 representantes da terra natal de Euclides da
Cunha, que tradicionalmente abrilhantam sua participação também com as
melhores colocações na Maratona Intelectual Euclidiana.
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Aqui cumpre ressaltar que lei municipal
de ambas as cidades fazem delas, São José do Rio Pardo e Cantagalo,
cidades irmãs, cidades geminadas, mantendo frequentes contatos
informativos, num intercâmbio turístico-cultural sem paralelo na história
do Brasil.
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Representantes das cidades de Canudos,
Euclides da Cunha e Quijingue, no sertão da Bahia, fazem-se representar na
Semana Euclidiana anualmente. O primeiro colocado na Maratona Intelectual
Euclidiana/96, por sinal foi um aluno canudense!
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Além dos representantes do local onde
ocorreram os episódios narrados no capítulo "A Luta" em "Os Sertões",
desde o início da década de 90 participam tanto do Desfile de Abertura
quanto de todos os eventos da Semana Euclidiana os descendentes de
Euclides da Cunha e de Francisco Escobar.
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O Desfile, usualmente acontece nas ruas
centrais da cidade.
A partir do que se apresenta no Desfile
a comunidade, que vem em peso para o local "conferir", sabe-se como será o
transcorrer da Semana Euclidiana. Somente em 1998 houve um afluxo de
público estimado em não menos de 20.000 pessoas!
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