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Dos eleitos, Lula é o
presidente que mais paga juros da dívida
Investimento de Lula é o menor desde a ditadura
Diego Cruz, da redação do jornal
Opinião Socialista
Por trás da euforia dos números apresentados pelo
governo Lula atestando um suposto crescimento econômico, esconde-se uma
das maiores transferências de recursos realizada pelo pagamento dos
juros da dívida externa. Ao mesmo tempo, reduz-se cada vez mais os
gastos em investimento público, corta-se verbas de áreas como saúde e
educação. Levantamento realizado pelo próprio Tesouro Nacional sobre os
gastos do governo constata que, nos últimos vinte anos, o pagamento dos
juros da dívida externa supera sistematicamente os investimentos
públicos. No governo Lula, essa distorção só aumenta.
Vinte anos
de recessão

O Tesouro monitorizou os gastos do governo a partir de 1980. Desde o
governo Sarney, a partir de 1985, a relação entre o pagamento de juros e
os investimentos públicos começou a se inverter. Nesse ano, o governo
pagou R$ 10,7 bilhões de juros, deixando apenas R$ 8,8 bilhões para os
investimentos. Vivia-se então o rescaldo dos altos endividamentos
realizados pela ditadura militar nos anos 1970. Em 1989, no ocaso da era
Sarney, em meio a uma grave crise, o governo chegou a destinar nada
menos que R$ 90 bilhões para o pagamento de juros, em detrimento de
apenas R$ 9 bilhões aos investimentos.
Nos anos seguintes, o governo Collor escancarava a economia do país ao
capital internacional, dando início às reformas neoliberais. Os gastos
com os juros da dívida permaneciam maiores que os investimentos. A era
FHC, marcada pela privatização das principais estatais, levada a cabo
pelo programa de desestatização, não alterou essa relação. Os parcos
recursos obtidos com a privatização, já que grande parte dela foi
realizada com o financiamento do próprio BNDES, escoou pelo ralo dos
juros.
Fernando Henrique Cardoso terminou seu mandato pagando, em 2002, cerca
de R$ 70 bilhões de juros enquanto investia apenas R$ 12 bilhões. Em
plena campanha presidencial, o esmagador favoritismo do então candidato
Lula dava margem às manobras dos especuladores, que forçaram a alta
excessiva do dólar, aumentando ainda mais a dívida externa. Isso ocorreu
ainda que o PT tenha dado sinais mais do que claros que cumpriria todos
os contratos, e que continuaria a pagar a dívida, e ainda que os
investidores soubessem disso.
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Crescimento artificial, arrocho real
O governo Lula começou o mandato estabelecendo a meta de superávit
primário, ou seja, seu compromisso de economizar recursos para pagar a
dívida em 4,25%. Isso significa que o governo se comprometeria a ter
“lucro” para garantir o pagamento aos especuladores. Como toda empresa,
o governo estabeleceu prioridades, determinando áreas consideradas
secundárias para cortar gasto. Logo no início de 2003, o governo Lula
anunciou o corte de R$ 14 bilhões à área social. Fechou o ano pagando,
só pela União, R$ 70 bilhões de juros. Ao todo, os juros da dívida
pública consumiram R$ 145 bilhões.
Enquanto
isso, o governo investia a impressionante cifra de R$ 6,9 bilhões, o
menor investimento do governo desde 1984, último ano do regime militar,
sob comando do ditador Figueiredo. Nesse ano, Figueiredo investiu a
quantia irrisória de R$ 6,1 bilhões. No entanto, uma diferença
fundamental se impõe nessa comparação. Em 1984, o governo arrecadava R$
114 bilhões. Em 2003, a arrecadação do governo ultrapassou os R$ 367
bilhões. Ainda em 1984, Figueiredo pagou R$ 3,7 bilhões de juros. Em
2003, Lula pagou mais de R$ 70 bilhões. Ou seja, em 20 anos, Lula só não
ultrapassou o governo Sarney, em 1989, no montante gasto com juros.
Mesmo assim, a atual carga tributária é bem maior do que a daquele
período, atingindo quase 40% do PIB.
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