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O esquerdista que o diabo gosta

Escalando o 4º time

 

Quem imaginava que Lula governaria cercado da nata da intelectualidade brasileira, “quebrou a cara”, para usar uma expressão bem ao gosto do mandatário maior da Nação Brasileira. Exageradamente preconceituoso e alérgico a toda a intelectualidade crítica – traço que somente revelou depois de empossado – governa (?) com a ajuda de indivíduos que atendem pelas alcunhas de Vedoin, Delúbio, Dirceu, Valdebran, Gedimar, Palocci... Vem aí a escalação do 4º time, que se espera seja tão demorada quanto todas as outras escalações, com desgastes homéricos de nomes e pessoas ficando sempre o mandatário maior com o poder decisório de última instância. Particularmente o cuidado de asseverar que “não sabe de nada” – nem quer saber, aliás.

 

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O esquerdista que o diabo gosta

 

Durante a Ditadura Militar, Antônio Delfim Neto, então ministro da fazenda dos generais e hoje interlocutor privilegiado de Lula da Silva, tinha ojeriza, asco da esquerda. Nunca foi idiota. Esperto, ao perceber Lula nos braços da direita ultraconservadora com o apoio do lumpensinato, como sói acontecer na história do mundo, saúda-o como o único “líder de esquerda capaz de submeter a Classe Trabalhadora às reformas necessárias ao avanço do Capital no Brasil”.

José Ribamar Sarney, ex-presidente do PDS, partido dos generais, assim se expressa sobre o traidor da Classe Trabalhadora: “O presidente Lula é uma revolução política, porque concluiu o processo democrático de trazer a governar os operários, a classe que se julgava afastada e para sempre condenada a coadjuvante. Sua biografia e o apoio popular que respaldam sua última eleição lhe dão a autoridade, que nenhum outro presidente teve, de procurar um terreno comum que possa reunir não somente as forças políticas mas todos os segmentos da sociedade para superarmos os entraves que estão aí, atravessando todos os governos e todas as vontades.”

Saudado como “de esquerda” e “revolucionário” por 10 entre 10 reacionários – aí incluído o “companheiro” George W. Bush, ansioso por aprender “como continuar sendo tão popular em meio a tantos e tamanhos escândalos” – há, no meio da indigência intelectual pátria, quem engula essa pílula como verdadeira. Bobagem. Lula está tão completamente inserido no campo da direita como o diabo no campo do inferno.

 

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Manipulando estatísticas

 

            Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, sabe que o Brasil, sob o tacão de Lula da Silva, está mais pobre de maneira generalizada e a riqueza remanescente está cada vez mais concentrada. Acontece que ele aprendeu com os tucanos a controlar as estatísticas – e se mostra ainda mais diabólico e eficiente nisso que seus mentores, por sinal! – que delas extrai tudo o que não interessa ao discurso e à propaganda e apresenta uma realidade distorcida, maquiada, como avanço, progresso e realização. No Futuro, quando se avaliar com sinceridade o que diabos estava acontecendo com o Brasil na Era da Traição, se reincorporarão as grandes fortunas (hoje convenientemente expurgadas das estatísticas) e se medirá também os lucros jamais confessados com o capital especulativo. Assim teremos uma visão do Brasil real e somente a partir desta visão poderemos efetivamente fazer alguma coisa a respeito. Também as taxas de desemprego precisarão ser medidas com correção, sem maquiagem. Caso as mensurações computassem todos os brasileiros entre 18 e 50 anos de idade sem vínculo empregatício algum – desempregados mesmo – teríamos taxas elevadíssimas. E reais. Expurgando aqueles que ingressam agora no mercado de trabalho, os que desistiram de procurar emprego há mais de 1 mês, os que exercem algum tipo de atividade ilegal que lhes permite sobreviver sem serem presos ou terem suas mercadorias apreendidas (emprego informal no jargão oficial do governo) e quem se beneficie de algum programa assistencialista, com todos estes expurgos, a taxa de desemprego ainda atinge assustadores 20%. Quanto será a taxa real de desemprego no Brasil? Talvez daqui a uns 5 a 10 anos venhamos a saber...

            A velha direita, no poder desde a chegada das caravelas, até hoje no governo com Lula da Silva, paga rios de dinheiro – do nosso dinheiro, fruto dos impostos mais altos do planeta! – para que a propaganda repise hipnoticamente o contrário da realidade. E, conjuminada com um magote de intelectuais venais, convence...

            Nem mesmo Eric Blair, em seus delírios mais macabros, imaginou possível um tal nível de controle de corações e mentes.

            Vamos ao supermercado – qualquer supermercado, de qualquer lugar do Brasil – com nossos salários cada vez menores e preços em perene estado de elevação, compramos cada vez menos coisas e de pior qualidade – o exemplo mais recente é o do pãozinho que, com a mudança de unidade para peso, sofreu a mais alta majoração da história: está 25% mais caro! – mas, se cometemos o desatino de comentar estes fatos com as pessoas ao redor, no próprio local, cada vez mais vazio que o dinheiro é pouco, ouvimos delas o mesmo que ouvimos da propaganda: “Absurdo! De jeito nenhum! Lula está governando para os pobres! Está tudo mais barato e os salários estão mais altos, eu vi na TV!” Os mais sofisticados chegam a citar um desses economistas venais qualquer que assim o declaram vezes sem conta, hipnoticamente.

 

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Viva Chomsky!

 

            O consenso assim fabricado é mais mortal, eficiente e explosivo que os fuzis dos militares. Mais sutil e penetrante, transformando a todos no que Friedrich Nietzsche classificava lucidamente como selbsthänger (carrasco de si mesmo).

            Faça-se uma enquete perguntando se as pessoas gostariam de ter melhores serviços públicos (principalmente de saúde, educação, infraestrutura e segurança) e a resposta será unânime: sim! Mas... Para onde vai o dinheiro dos impostos que pagamos, os mais altos do planeta Terra? Nem na Idade Média se extorquia tanto e onde se fazia muito parecido (como em Vila Rica das Minas Gerais, para não ir muito longe, que cobrava impostos da ordem da metade dos atuais) encontrava-se notável resistência.

            A maior parte de nossos impostos vai para a especulação. Pagam-se juros extorsivos de uma dívida cuja origem se desconhece mas que sabemos já haver sido paga algumas dezenas de vezes. Outra plataforma histórica que o lulo-petismo jogou na lata de lixo da história: uma rigorosa auditoria dessa dívida imensa.

            Na prática, mais da metade de tudo o que produzimos com o suor de nosso rosto no Brasil de hoje vai para o governo através dos impostos extorsivos embutidos em tudo o que se consome.

            Se na Ditadura Militar chegamos a merecer o epíteto de “Belíndia”, pois tínhamos um Brasil tão europeu quanto a Bélgica e outro tão terceiromundista quanto a Índia – quadro que, por sinal, se agudizou – hoje a definição acadêmica é “Sugladesh”: pagamos impostos superiores aos da Suécia e temos serviços públicos inferiores aos de Bangladesh. E tome corrupção, dólares em cuecas, em malas, em bolsas... O que falta na infraestrutura aeroportuária sobra em corrupção e venalidade.

 

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Um pouco (só um tiquinho) de justiça

 

        Saddam Hussein condenado. George W. Bush, contudo, continua solto – tanto quanto outros também culpados de crimes diversos contra o vernáculo e a humanidade, como Lula da Silva, Delúbio Soares, Sílvio Pereira, José Dirceu, Ricardo Berzoíni, José Genoíno, Antônio Palocci, Valdebran, Lorenzetti, Gedimar, etc.

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 06/11/2006

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