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Lula se beneficia da morte
de Deus e ataca o próprio povo
O caso de Davi e Betsabá
Pelas festas natalinas e de
virada de ano assisti, novamente, “Davi e Betsabá”, com Gregory Peck e Susan
Hayward, sob a direção de Henri King, produção Hollywoodiana de 1951. Quando
a terra seca, faltam chuvas e os castigos sobre o povo de Davi se
multiplicam, lembro-me de Lula da Silva – os sábios dizem que o melhor
governo é aquele que sequer notamos existir; quando um governo se faz
pesadamente presente no cotidiano das pessoas os signos são
auto-explicativos.
No século XIX Friedrich
Nietzsche percebeu, proferiu diversas palestras e publicou vários trabalhos
a respeito da “morte de Deus”. Ao tempo de Davi, quando o mandatário
cometia um crime, “a mão de Deus pesava sobre o povo inteiro”. Na lenda
bíblica, Davi manda Urias para a frente de combate a fim de que fosse morto
pelo inimigo e se casa com sua cobiçada esposa, Betsabá. Quando a seca, a
fome e a peste caem sobre a terra de Davi, o profeta Natan se dirige a ele e
o repreende por, tendo um dos maiores haréns de todo o Oriente Médio, ousa
cobiçar a mulher do próximo (ferindo frontalmente a lei mosaica) e, para se
assenhorear dela, executa o marido através de um artifício que “não passa
despercebido pelos olhos de Deus”.
Somente mediante arrependimento
e sacrifício (“a história da Casa de Davi será escrita em sangue”, diz o
profeta), somente quando o povo se conscientiza dos erros do governante, a
“mão de Deus” pesa sobre ele e não mais sobre seu povo.
Estivesse Deus ainda vivo nos
dias que correm haveria uma praga de águas-vivas nas praias, um calor
infernal em todo o território nacional, incêndios nas matas, secas e
devastações causando a perda de colheitas e insatisfação generalizada contra
um dirigente político que zomba do Criador.
Desvio de dinheiro público, formação de
quadrilha e fraude são impunes atualmente. Mentir ao povo é prática
corrente, comum "nestepaíz"
Com base no discurso cínico
segundo o qual “todos roubam e desviam” e “não fizemos nada diferente do que
sempre se fez nestepaíz”, o governante inicialmente eleito para fazer algo
diferente acanalhou e cooptou as duas principais camadas eleitorais dentro
do processo chamado de “representativo”: banqueiros que subvencionam as
campanhas milionárias de seus asseclas e miseráveis que se contentam com a
esmola governamental, deixando de reivindicar seu justo direito – previsto
na Carta Internacional de Direitos Humanos – a uma vida justa e digna, com
trabalho honesto, educação e segurança para todos. Fora do processo ficaram
os trabalhadores, sem representatividade alguma e desmobilizados,
desanimados, descrentes...
No dia 19 de dezembro de 2007
Lula da Silva desautorizou seus ministros que, pintando um quadro
apocalíptico, apontavam na direção costumeira do aumento da arrecadação de
outros impostos “para compensar” as perdas com a derrubada da CPMF pelo
Senado Federal. Como bem aponta
Clóvis Rossi em seu
artigo na Folha de S. Paulo do dia 4 de janeiro de 2008, em nenhum
momento se cogitou do óbvio e mais racional: diminuir o superávit primário;
só se pensou em penalizar ainda mais o contribuinte mais extorquido da
história do mundo no país em que há os piores serviços públicos de que se
tem notícia.
Na Folha On Line do dia 19, em
artigo assinado por Renata Grinaldi, se pode ler que
Lula promete não baixar pacotes, nem aumentar a carga tributária: o
governo haveria de restringir-se à redução dos custos da máquina pública (
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u356534.shtml )
No dia 2 de janeiro de 2008
(meros 14 dias depois daquela promessa, como tantas outras destinadas ao
descumprimento desde o início deste desgoverno) o sinistro Guido Manteiga é
incumbido por Lula da Silva de lançar o pacote de medidas destinadas a
aumentar a arrecadação e desinforma: “o
que o presidente Lula disse valia para 2007 e nós não aumentamos os impostos
em 2007, os aumentos ocorrem em 2008 (14 dias depois...)”. Folha On
Line:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u359735.shtml
Dentro do pacote o “aumento do
IOF” esconde um aguilhão: se você manda R$ 150,00 para um parente miserável,
isto será caracterizado como “Operação Financeira” e, portanto, tributado.
Operações Bancárias e especulativas de grande monta têm a ver com “segurança
nacional” e seguirão isentas de tributo. Novamente, o governo elitista e
corrupto de Lula da Silva, com o aval dos bancos, transfere a conta de seus
gastos excêntricos para os trabalhadores.
Ainda no pacote/2008 lançado
pelo governo Lula da Silva está a quebra generalizada do sigilo bancário:
todas as instituições financeiras estão obrigadas a enviar relatório da
movimentação de todas as contas correntes pelas quais circule R$ 800,00
mensais ou mais. Com isto, o governo Lula deixa o lumpemproletariado
beneficiário da bolsa-esmola, por um lado e os banqueiros biliardários de
outro, livres da fiscalização. Arrocha mais o trabalhador de quem, como
prevíamos, se vinga de maneira cruel. Há um teatrinho por parte de alguns
ministros do Supremo Tribunal Federal, que precisam passar, mesmo que seja
uma pálida imagem de autonomia face ao executivo, no sentido de contestar
esta medida. Não creio que venha a vingar. Tomara esteja enganado!
O outro item do pacote, ISLL
(sigla para o pouco conhecido “Imposto Social sobre Lucro Líquido”) será
imediatamente repassado ao usuário dos serviços bancários ampliando ainda
mais a carga tributária e o lucro dos bancos.
O item final do pacote é um
“estudo” de possibilidades de contenção de recursos sem deixar de gastar um
centavo do que o governo gasta hoje, da maneira excêntrica que sabemos
(decalitros de leite condensado para o Aerolula e o Palácio do Planalto,
salários de marajá a toda a cúpula lulo-petista, sapatos de luxo para a
primeira dama, uma fábula em propaganda lulista divergente dos fatos
concretos com remuneração régia em dólares brasileiros que aparecem
miraculosamente em paraísos fiscais para pagar marqueteiros, propagandistas,
subornar parlamentares e comprar dossiês verdadeiros ou falsos...). Enfim,
sem mexer nas despesas excêntricas, houve a promessa – e este, vale lembrar,
é um governo avesso ao cumprimento de promessas... – de se conter os gastos
públicos. Quase com toda a certeza, se houver cortes, estes se darão nas
áreas sensíveis da gestão pública (salários de funcionários públicos de
carreira, contratação de médicos e professores, investimentos em escolas e
hospitais, etc.) jogando a culpa na oposição mais situacionista da história
do Brasil que, por se recusar a convalidar a farsa lulo-petista pela
primeira vez desde janeiro de 2003, deverá sofrer um violento ataque da
propaganda governamental contrária, de um lado aos trabalhadores e, de
outro, à oposição fiel ao governo que, se estivesse na situação faria o
mesmo...
Com a ajuda dos bruxos
remunerados em dólares em paraísos fiscais – como Duda Mendonça que tal
confessou ao Congresso Nacional – assistiremos a mais e mais propagandas
sobre “como a diminuição dos impostos permitiu um aumento no crescimento e
geração de empregos”, sobre “a diminuição dos juros”, sobre “a contratação
de médicos e professores”, sobre “a construção de escolas e hospitais e
recuperação de rodovias” ou sobre “como os bens de consumo estão mais
baratos”, à revelia da realidade que é precisamente oposta.
Se Deus ainda estivesse vivo...
O povo que se beneficia da
bolsa-esmola perceberia sua ineficácia diante de um quadro de desemprego,
desespero mas, sobretudo, perceberia “pela dor” que esta não é a
solução ideal para qualquer de seus problemas crônicos.
A crise internacional provocaria
quebradeira nos bancos criminosos no Brasil, fazendo com que estes
retirassem de Lula da Silva seu apoio e despertando a classe trabalhadora da
letargia em que o governo a enfiou.
Infelizmente, Deus está morto
e o mundo jaz no maligno Lula da Silva e seus assemelhados, que
tripudiam do cadáver insepulto de um Deus capaz de ressuscitar a qualquer
momento. Como tarda!
Lázaro Curvêlo Chaves – 06/01/2008
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