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Macroeconomia

 

            Por vezes alguém comenta o fato de eu não tecer considerações sobre macroeconomia, demonstrando uma visão parcial da realidade. Argumento que alguém tem de fazê-lo. A visão unidimensional apresenta explicações excepcionais e coerentes mas o povo vive mal. Ao que tudo indica, sem tomarmos em conta uma visão macroeconômica, não compreenderemos os motivos que levam o Brasil a melhorar na propaganda - disfarçada ou não do insignificante termo "Macroeconomia" - e piorar tanto na prática, na vida real dos cidadaos. Pessoalmente, não tenho o menor respeito pela propaganda, mas o que essa Aventura Irresponsável da chamada "Ortodoxia Econômica" vem causando a "estepaíz" é indesculpável! Senão vejamos:

. perda de poder aquisitivo por parte dos trabalhadores que estão hoje cerca de 40% mais pobres do que o eram há 20 anos;

. 85% dos brasileiros declaram ter dificuldades para chegar ao final do mês.

. a renda do país passa por largos períodos de estagnação e reordenamento fazendo com que hoje menos de 40% dela (renda) seja oriunda do fruto do trabalho honesto. Já esteve em patamares próximos a 70% mas depois da tal da "Macroeconomia", estamos muito mais pobres.

. ali pelas décadas de 30 até 70 o Imposto de Renda (cobrado sempre e somente sobre o salário, jamais sobre a renda, como o nome confunde) ficava aí por uns 7% a 10% de tudo o que o brasileiro conquistava com o fruto do seu salário: vale ressaltar que, com aquele imposto os governos, de Vargas até mesmo a nefanda Ditadura Militar conseguia prover serviços de Saúde e Educação Públicas de boa qualidade, as estradas, portos e aeroportos estavam bem cuidados... Havia corrupção, praga que chegou por aqui com as caravelas que trouxeram D. Maria I e seu filho D. João (VI). Mas sempre "sobrou dinheiro" para investir nos serviços públicos.

 Desde a Imposição da jogatina de Wall Street (sob o apelido irônico de "Consenso de Washington") os impostos sobem num crescendo tão vertiginoso quanto vertiginosa é a queda do poder aquisitivo e do nível de emprego do brasileiro. Os impostos já ultrapassam os 45% de tudo o que o brasileiro produz com o fruto de seu trabalho: este dinheiro, convencionou-se pelo bem da Macroeconomia, deve ficar à disposição dos credores da dívida (internalizada em Reais aos mesmos credores internacionais de sempre mas a juros astronômicamente maiores; hoje devemos mais R$ 1.500.000.000.000,00 (UM TRILHÃO E MEIO DE REAIS) e, quanto mais o governo paga juros, mais a dívida aumenta - o que causa os menos éticos e mais rapinantes a declarar absurdidades como "o Brasil, nas condições atuais, é uma autopista de oportunidades". Quem disse isso foi o cara que desencavou a Lurian para desbancar o Lula a favor do Collor de Mello em 1989 e hoje tem tal gratidão a Lula da Silva que impressiona

. na América Latina, onde o risco-país é maior, o povo vive melhor e os bancos lucram menos. Onde o risco-país é menor, o povo vive pior e os bancos lucram mais. "Risco-país" mede a disposição dos comandantes da economia nacional a esfolar o povo para remeter grossos montantes aos banqueiros, jogadores da bolsa e credores de uma dívida suspeitíssima (para dizer o mínimo). Um país em que os dirigentes pensam mais no bem-estar do seu povo do que no bem-estar da Macroeconomia, o povo vive muitíssimo melhor e o "risco-país" - que os bancos medem, é elevado. Num país em que as desigualdades sociais atingem níveis de calamidade pública, como o Brasil de Lula da Silva e sua quadrilha (para usar um termo empregado pelo Procurador Geral da República em 2003). Num país como o nosso, onde o tal "risco-brasil" é baixíssimo pois os governantes não hesitam diante de nada para esfolar o povo a fim de remeter divisas ao exterior, acabamos de levar o campeonato Americano de desigualdade

O Brasil é o país mais desigual das Américas, estampa a Folha de S. Paulo no dia 25 de março de 2010 citando pesquisa séria da Organização das Nações Unidas:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u711962.shtml

            Há muitas informações e muitos dados homologadores do que aqui se postula, mas a macroeconomia, enquanto ciência voltada a explicar os motivos que levam o capital a merecer mais atenção do que o ser humano não me atrai pessoalmente e confesso até o que se poderia chamar de preconceito: acredito que o ser humano seja mais importante que o capital e que a vida seja mais relevante que a propriedade. Não me sinto atraído em nada por ciências que visem desmantelar a base da Razão ou subverter-lhe os princípios em prol da mera lucratividade mercadológica.

            Eu já sei que sem o conhecimento macroeconômico não conseguirei vislumbrar justificativas para um presidente e um partido que traem o seu povo e a sua própria trajetória histórica. O conhecimento macroeconômico quer nos aproximar das justificativas para a falta de ética, para a improbidade administrativa e para o arrocho aos seres humanos em nome do capital. Terei de viver sem este conhecimento que, pontua ainda em meu desfavor, é o único autorizado nas redes pública e particular de ensino superior, sendo vedada qualquer visão humanista alternativa.

            Está claro que, para o risco-Brasil diminuir é preciso que as taxas de juros atinjam a estratosfera, que o superávit primário elevadíssimo seja a prioridade absoluta e inquestionável de governo e que todo e qualquer movimento por melhoria salarial seja combatido como mera movimentação eleitoreira por parte de uma oposição que não tolera ver o Brasil acertar. Nada contra o Brasil acertar. Mas se o preço deste acerto é vermos nossa gente cada vez mais desesperada, ficamos imaginando se não seria possível acertar de outra maneira, se os sucessivos governos não têm ficado muito presos a esta visão unidimensional da macroeconomia afastando-nos de qualquer possibilidade que acene com a recolocação dos seres humanos no centro das considerações políticas e econômicas.

 

Estabelecendo Prioridades

 

            Antes e acima dos discursos, não se pode perder de vista que a maior e principal prioridade deste governo é manter o especulador internacional tranqüilo quanto à sua lucratividade no Brasil. Para tanto o Banco Central foi informalmente privatizado e Henrique Meirelles está autorizado a fazer dele seu feudo particular, sem se preocupar em demonstrar qualquer tipo de escrúpulo de cunho ético ou humanitário. Ficam a propaganda e as redes marionetes de imprensa, rádio e TV incumbidas de silenciar-se quanto a esta prioridade absoluta de governo. O Brasil produz pouco, acima de tudo matéria prima para exportação e o grosso desta produção irá para a engorda do capital especulativo internacional através de impostos ou taxas que deságuam no Banco Central. Quando votamos em Lula para presidente, na verdade estávamos elegendo Henrique Meirelles e seu assessor imediato e informal Antonio Palocci gestores de toda a economia nacional.

            José Dirceu, que mantinha Waldomiro Diniz no 4º andar do Palácio do Planalto em convívio fraterno com contraventores, informa que “a prioridade do governo no próximo ano será o combate à corrupção”. Um dia antes de José Mentor – que, junto com Ideli Salvati e outros formam o mesmo grupo – ler um relatório que, na prática funciona como uma peça em trabalho pelo descrédito do instrumento importante de que o Parlamento brasileiro dispunha para afirmar a sua soberania.

            Em fins de 2003, o anúncio da prioridade para 2004 foi estabelecida como “o combate à fome”. E o resultado prático foi um desastre: corrupção, malversação de recursos públicos e inépcia administrativa. Na propaganda governamental – formal ou informal – o resultado apresentado, naturalmente, é outro: “o problema do brasileiro não é mais a fome, é a obesidade”, sic.

            Luiz Gushiken muda o eixo da propaganda que, do individualismo fóbico (“O melhor do Brasil é o brasileiro”, “sou brasileiro e não desisto nunca”) passa para a pregação dos valores da família. Através do Banco do Brasil amplia-se a propaganda pró-governo e anti-povo. Usa-se o indivíduo desviante ou a família que, apesar de todas as desgraças que o governo impõe consegue se manter, como exemplos do que fosse a família brasileira. Interessante para vermos como é esta família que o governo pretende e gosta de ver.

 

Congresso em trabalho frenético

 

         Segundo os jornalistas mais antigos e conhecedores do assunto, o Parlamento brasileiro trabalha mais sob pressão e estas semanas finais de 2004 o demonstram: aprovaram, com pequeninas modificações cosméticas, praticamente tudo o que o governo Lula determinou, da Lei Delúbio ou lei das PPP’s à pseudo-reforma do judiciário.

            Definida ainda a sucessão de João Paulo Cunha e José Ribamar Sarney. Após o término dos conchavos, armações, chantagens e subornos de praxe devem ser eleitos, para o biênio 2005-2006, José Eduardo Greenhalgh presidente da Câmara dos Deputados e Renan Calheiros ex-aliado de Collor em Alagoas, para a presidência do Senado Federal.

 

Tirando o bode da sala

 

         Mário Henrique Simonsen, certa feita, contou-nos uma historinha, cuja autoria ele mesmo desconhecia e que era mais ou menos assim:

            Um chefe de família que já não suportava os queixumes da esposa, sempre a reclamar mais dinheiro para despesas e que ele participasse mais dos eventos da família, encontrou uma solução: comprou um bode e determinou que fosse criado na sala-de-estar.

            A prioridade da família passou a ser alimentar o bode, limpar o bode, desodorizar o resto da casa como possível que o cheiro do bicho era insuportável, etc. Assim foi no primeiro mês, no segundo mês e, no terceiro, diante da ameaça de divórcio, com filhos já prestes a fugir de casa, retirou o bode da sala e todos foram felizes para sempre, ficando totalmente esquecidas as queixas iniciais.

            Deve ter sido esta a escola da macroeconomia lulo-petista...

 

Reeleição

 

         2004 chega a seu final com notícias de corrupção, crimes (Duda Mendonça chegou a ser preso e indiciado por formação de quadrilha, crueldade com animais e apologia ao crime), escândalos (Henrique Meirelles é suspeito de crime eleitoral e evasão de criminosa de divisas já na Presidência do Banco Central), inépcia (o Fome Zero quase zerou a mesa do brasileiro mesmo), suborno (Lula comprou o voto de parlamentares em troca de recursos mas não os pagou) mas, acima de tudo, um calote no político e no social para ampliar o desvio de recursos da produção para a ciranda financeira, deixando o brasileiro mais pobre.

            Como resultado a popularidade de Lula atinge índices inquestionavelmente (como assim? Ninguém me entrevistou!) altos em todas as empresas que se dedicam a este tipo de medição.

            Em reunião com prefeitos petistas ensina: “nos dois primeiros anos, façam todos os ajustes e pratiquem a maior austeridade fiscal e monetária possível ao limite da irresponsabilidade. No terceiro podem afrouxar um pouquinho – a exemplo do proposto salário mínimo de R$ 300,00 – e, no quarto, o ano da reeleição, que seja tudo festa e alegria.”

            Por aí a gente depreende que 2005, o sufoco, a agonia do brasileiro diminuirá um pouquinho. Em 2006 pode haver até mesmo uma folga maior se Lula conseguir convencer a autoridade econômica a que se subordina voluntariamente que isso trará algum tipo de vantagem para os bancos e sua macroeconomia.

Pondero dois detalhes:

1) Lula se auto-impôs uma subordinação inédita à autoridade econômica e tem como prioridade absoluta o envio de recursos brasileiros ao exterior e o desvio de recursos da produção para a ciranda financeira, o que limita muito sua margem de manobra para pirotecnias de cunho pseudo-social.

2) Se num quadro mais que negro sua popularidade explode de maneira insana e incompreensível, sua reeleição será uma fatalidade inescapável diante da pífia melhora que se anuncia. A alternativa que se apresenta hoje, e que vai ficando mais e mais improvável, é um retorno do príncipe dos tucanos ou algum de seus asseclas com maior popularidade. Pobre Brasil...

 

Re-reeleição

           O raio é que não consigo tirar da cabeça que o Lula, antes que o ano eleitoral avance muito, tente um golpe de mão para ficar mais tempo no poder. "Aclamação Popular", diante dos gastos astronômicos com Propaganda, ele tem! Fazer daquele poço de simpatia, bondade e carinhos a assessores e jornalistas (a Companheira Estela) sua sucessora é ainda uma possibilidade, sei lá!

            Dentre os candidatos há um pacto taxativo: todos se pré-dispõem a manter o Brasil na Aventura Irresponsável da Ortodoxia Econômica, os juros mais altos do mundo e os impostos em escala crescente sem investimentos significativos em serviços públicos, mas antes para transferir a renda do trabalhador assalariado para o jogador, o especulador e o banqueiro.

              O voto nos países democráticos do mundo é facultativo. O Brasil não está mais sob suspeição de ser um país democrático - tratar o povo como lixo humano e o capital com tamanho carinho é tudo o que se queira, menos democrático no sentido tradicional do termo, ao contrário da reinvenção do idioma português segundo o Novíssimo Dicionário da Novilíngua Petista. Desenvolvi um método bem simples de verificar se um governante, ministro, secretário o jornalista da TV Globo está mentindo:

_ Verifique se a boca dele (ou dela) está aberta

_ Verifique se está ingerindo algum líquido ou alimento - neste caso, não está mentindo.

_ Verifique se há som saindo da boca aberta de Lula, Dilma, Maria Beltrão, Aloízio Mercadante, William Bonner, José Serra e outros há muito distanciados da capacidade de distinguir o real do imaginário. Caso haja som saindo da boca dessa gente (gente?) estão mentindo.

Dicas de Leitura e Filmes

A Tirania da Comunicação - Ignácio Ramonet Contendo a Democracia - Noam Chomsky Brasil e Lula, ano Zero - James Petras
Um Ato de Coragem [John Q] O Corte - de Costa-Gavras Sicko - Michael Moore

 

Lázaro Curvêlo Chaves  - 14 de abril de 2010

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