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Niccolò Machiavelli
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I. Contextualização 1. Antiguidade Clássica 1.1 Gregos: idéia da sociedade natural:
homem é ser poítico: realiza-se pela vida na "polis"-vida em sociedade;
o homem é um animal político. Polis: componente social e político. Como por exemplo em
Aristóteles. 2. Pensamento Medieval 2.1 Dualismo das concepções cristãs: a
Cidade dos Homens (autoridade política) e a Cidade de Deus (poder divino) 3. Sociedade de Maquiavel (1469-1527) 3.1 Cristandade em decadência: conflitos
entre o poder divino (Igreja) e o poder temporal (Estado) 4. Concepção de homem em Maquiavel 4.1 Racionalidade instrumental: busca o
êxito, sem se importar com valores éticos 5. Concepção da História em Maquiavel 5.1 Perspectiva cíclica, pessimista, de
inspiração platônica 6. Concepção de Política em Maquiavel 6.1 Política: pela primeira vez é
mostrada como esfera autônoma da vida social 7. Concepção de Estado em Maquiavel 7.1 Não define Estado: infere-se que
percebe o Estado como poder central soberano que se exerce com exclusividade e plenitude
sobre as questões internas externa de uma coletividade 8. "O Príncipe": não se destina aos governos legais ou constitucionais 8.1 Questão: como constituir e manter a
Itália como um Estado livre, coeso e duradouro? Ou como adquirir e manter principados?
II. O Príncipe
Em
sua obra "O Príncipe", Nicolau Maquiavel mostra a sua procupação em analisar
acontecimentos ocorridos ao longo da história, de modo a compará-los à atualidade de
seu tempo *capítulo I a XI: análise dos diversos
grupo de pricipados e meios de obtenção e manutenção destes; Na primeira parte (cap.I a XI), Maquiavel mostra, através de claros exemplos, a importância do exército, a dominação completa do novo território através de sua estadia neste; a necesidade da eliminação do inimigo que no país dominado encontrava-se e como lidar com as leis pré-existentes à sua chegada; o consentimento da prática da violência e de crueldades, de modo a obter resultados satisfatórios, onde se encaixa perfeitamente seu tão famoso postulado de que "os fins justificam os meios" como os pontos mais importantes. Já
na segunda (cap.XII ao XIV), reflete sobre os perigos e dificuldades que tem o Príncipe
com suas tropas, compostas de forças auxiliares, mistas e nacionais, e destaca a
importância da guerra para com o desenvolvimento do espírito partriótico e nacionalista
que vem a unir os cidadãos de seu Estado, de forma a torná-lo forte. Do
capítulo XV ao XIV, vê-se a necessidade de uma certa versatilidade que deve adotar o
governante em relação ao seu modo de ser e de pensar a fim de que se adapte às
circunstâncias momentâneas-"qualidades", em certas ocasiões, como afirma o
autor, mostram-se não tão eficazes quanto "defeitos", que , nesse caso,
tornam-se próprias virtudes; da temeridade dele perante a população à afeição, como
medida de precaução à revolta popular, devendo o soberano apenas evitar o ódio; da
utilização da força sobeposta à lei quanto disso dependeram condições mais
favorárveis ao seu desempenho; e da sua boa imagem em face aos cidadãos e Estados
estrangeiros, de modo a evitar possíveis conspirações. Em
seguida, constata-se um questionamento das utilidade das fortalezas e outros meios em
vistas fins de proteção do Príncipe; o modo em que encontrará mais serventia em
pessoas que originalmente lhe apresentavam suspeitas em contrarpatida às primeiras que
nele depositavam confiança; como deve agir para obter confiança e maior estima entre
seus súditos; a importância da boa escolha de sesu ministros; e uma espécie de guia
sobre o que fazer com os conselhos dados, estes, raramente úteis, quando se considera o
interesse oculto de quem os dá. Na última
parte, que abrange os três capítulos finais, Maquiavel foge de sua análise propriamente
"maquiavélica" na forma de um apelo à família real, de modo que esta adote
resoluções em favor da libertação da Itália, dominada então pelos bárbaros. Terminada
a breve exposição dos principais temas abordados no livro "O Príncipe" aqui
sintetizado, conclui-se ser tamanha a complexidade organizacional de um Estado, que se
recorre a todo e qualquer meio, justo ou injusto, da república à tirania, par ter-se
como consequência não um país justo no sentido próprio da palavra- ao menos não se
julga, habitualmente, haver uma possibilidade de fazer-se justiça com relação a todos
os integrantes de uma sociedade ou grupo de extensão considerável, já que os interesses
são os mais variados-,mas estável, governável e próprio de orgulho por suas partes e,
principalmente, de respeito perante aos demais países/nações, o que certamente
propiciaria um meio sadio e mais tranquilo de viver-se, tanto ao Príncipe quanto aos seus
seguidores.
III. Comentários sobre a primeira década de Tito Lívio "Discursos", como também é conhecida a referida obra, foi escrito por Maquiavel quatro anos após haver concluído "O Príncipe", o que justifica suas perceptíves semelhanças com o primeiro. No entanto, o que o distingue de "O Príncipe" é a análise detalhada da república, em que o autoro claramente se coloca em favor desta, a apontar suas principais características observadas no decorrer da história e modos de melhorá-la, ou de ao menos mantê-la. Assim, pode-se considerar Maquiavel como sendo, indubitavelmente, um pensador indutivo-utiliza-se de inúmeros exemplos históricos com o fim de sustentar suas afirmações. No entanto, seu propósito não é sempre impecavelmente atingido, mesmo porque a realidade não segue regras e é, portanto, muito mais complexa do que se pode teorizar. A obra é começada com a citação da origem das cidades, que podem estabelecer-se devido a um grupo de cidadãos juntar-se a visar maior segurança; a estrangeiros que querem assegurar o território conquistado, a estabelecer, ali, colônias; ou mesmo a fim de exaltar-se a glória do Príncipe. As repúblicas nascem com o surgimento das cidades e, assim, constituem três espécies, que são: a monarquia, aristocracia e despotismo. Três que podem evoluir para o despotismo, oligarquia e anarquia, respectivamente. É claro, neste ponto, o pessimismo de como a sociedade é vista por Maquiavel: é a dialética de dois termos, que trata da sucessão entre ascendência e decadência, a formar um ciclo vicioso. Maquiavel acredita, ainda, que todos princípios corrompem-se e degeneram-se, a ser possível ser corrigido somente via acidente externo (fortuna) ou por sabedoria intrínseca (virtu). A voltar-se às espécies de repúblicas, chega-se à conclusão de que a sua melhor forma seria o equilíbrio, dito como ser a "justa medida", segundo Aristóteles. Tal equilíbrio pode manter-se através das próprias discordâncias entre o povo e o Senado, já que estes, em conjunto, representam e lutam pelos interesses gerais do Estado. O Estado é, então, definido como o poder central soberano; é o monopólio do uso legítimo da força, como diria Weber. As leis são estabelecidas nas práticas virtuosas da sociedade e com o cuidado de não repetir o que não teve de êxito. Por isso, é dito que não há nada pior do que a deixar ser desrespeitada. Se isso ocorrer, tornar-se clara a falha do exercício do poder de quem a corrompe. Em contrapartida, em se tratando de Estado, tudo é válido, desde a violação de leis e costumes e tudo mais que for necessário para atingirem-se as consequências visadas: os fins justificam os meios. Nessa visão de poder do Estado, é clara a importância da religião, pois em nome dela são feitas valer muitas causas em favor do Estado. A religião é, sob a visão de Maquiavel, um instrumento político-é usada de modo a justificar interesses os mais peculiares e, também, como conforto à população, que anda sempre em busca de ideais, a estar disposta até mesmo a conceder sua vida em busca destes. O êxito de uma república, consoante o autor, pode ser estrategicamente obtido através da sucessão dos governantes. Se se intercalar os virtuosos com os fracos, o Estado poderá manter-se. Mas, se, diferentemente, dois ruins sucederem-se, ou apenas um, mas que seja duradouro, a ruina do Estado será inevitável, já que, desse modo, o segundo governo não poderá utilizar-se dos bons frutos do governo anterior. Destarte, cita a importância das república, já que nela os próprios cidadãos escolhem seus governantes, de modo a aumentar a chance de ter-se, consecutivamente, bons governos. Com relação à política de defesa, onde há pessoas e não um exército, é notada um clara incompetência por parte do soberano, pois é de sua exclusiva competência formar um exército próprio para a defesa da nação. É, também, de extrema importância saber-se a hora própria para instituir-se a ditadura, que, em ocasiões excepcionais, é necessária a fim de tomarem-se decisões rápidas, a dispensar, assim, consultar as tradicionais instituições do Estado. Constudo, ela deve-se instituir por período limitado, de modo a não se corromper e deve existir até quando o motivo o qual a fez precisar-se for eliminado. Após uma análise teórica e comparativa-em termos históricos-é colocada ainda a importância da fortuna, a qual tem contingência própria e o poder de mudar os fatos. Assim, o autor define o papel do homem na história: desafiá-la. Com base na teoria do equilíbrio, conclui-se, então, que o ideal é que se estabeleça um meio termo entre as formar de governo a serem adotadas, a observar-se que a combinação das já existentes pode mostrar-se muito mais eficiente. A forma que se é administrado um Estado deve adaptar-se ao seu contingente populacional, e não as pessoas às suas leis.
IV. Bibliografia 1. MAQUIAVEL, Nicolau. Comentários sobre a primeira década de Tito Lívio. Brasília, EdUnB, 1994, 3a ed, 436p. 2. ____________________. O Príncipe. Brasília, EdUnB, 1992, 2a ed, 102p.
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