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Joaquim Nabuco

 

Em 1883, Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo estava em Londres. Vivia em Grosvenor Gardens, era o correspondente do "Jornal do Commercio" e amigo pessoal do barão de Penedo, embaixador do Brasil na Inglaterra. Apesar do conforto de urna vida tranqüila no bairro mais aristocrático da capital do mundo, Nabuco ainda não se recuperara da derrota eleitoral sofrida dois anos antes no Brasil. Deputado do Partido Liberai, eleito e 1878 por Pernambuco, tornou-se "verdadeiro tormento na Câmara". Em 1880, fundou a Sociedade Brasileira contra a Escravidão e se tornou o maior porta-voz voz do abolicionismo legalista e parlamentar.

De formação conservadora, filho de urna das mais tradicionais - famílias do país, ligada à economia açucareira nordestina e á política imperial, o monarquista Nabuco (nascido em Recife em agosto de 1849) apresentou, em agosto de 1880, minucioso projeto de lei propondo a abolição da escravatura em 1890 e a indenização de seus proprietários. O projeto se chocava com a proposta dos militantes radicais, em geral republicanos, que queriam abolição imediata e sem indenização. Pego entre dois fogos, Nabuco não conseguiu reeleger­se em 1881.

No agridoce exílio londrino; escreveria então ungia das reais densas e belas obras de combate já publicadas em português: "O Abolicionismo", um livro fulgurante, moderno, incisivo, no qual Nabuco, livre do compromisso com as manobras políticas, defende a abolição imediata e sem indenização - mas legalista.

Em 1884, Joaquim Nabuco re­tornou ao Brasil e à Câmara: foi reeleito com grande margem de votos. Como permaneceu monarquista e legalista, e achando que a abolição era "negócio de brancos», alguns historiadores o consideram "líder da ala direita do movimento" Nos anos seguintes, a abolição se concretizou, embora logo ficasse claro que seria apenas uma medida jurídica, e em seguida veio a República. Apesar de mais tarde ter sido ministro dos presidentes Prudente de Morais e Campos Sales, Joaquim Nabuco (que morreria como diplomata em Washington em janeiro de 1910) amargurou-se profundamente.

Em janeiro de 1893, escreveu para André Rebouças, o amigo que muito o influenciara e partira para o exílio voluntário na África: "Com que gente andamos metidos! Hoje estou convencido de que não havia uma parcela de amor ao escravo, de desinteresse e de abnegação em três quartas partes dos que se diziam abolicionistas. Foi uma especulação a mais! A prova é que fizeram essa república e depois dela só advogam a causa dos bolsistas, dos ladrões da finança, piorando infinitamente a condição dos pobres. Onde estariam os propagandistas da nova cruzada? (...) Estávamos metidos com financeiros, e não com puritanos, com fâmulos, de banqueiros falidos, mercenários de agiotas etc; tínhamos de tudo, menos sinceridade e amor pelo oprimido. A transformação do abolicionismo em republicanismo bolsista é tão vergonhosa pelo menos como a do escravagismo".  

Conheça a Fundação Joaquim Nabuco

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Bibliografia:

História do Brasil - Luiz Koshiba - Editora Atual

História do Brasil - Bóris Fausto - EDUSP

 

 

 

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