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O Novo PT
Zé Maria Almeida
As eleições municipais
estão mostrando mais do que uma disputa entre PT e o PSDB para saber
quem vai gerenciar os planos do FMI no país. Estão mostrando, também,
uma mudança qualitativa da base social do Partido dos Trabalhadores.
Que o PT já vinha num processo de degeneração há muitos anos, fruto da
sua adaptação ao regime, não é nenhuma novidade. No entanto, depois que
chegou ao governo federal, para seguir aplicando o neoliberalismo,
provocou uma decepção entre milhares de trabalhadores que esperavam uma
melhoria de suas vidas com Lula no governo. A partir daí, o PT começa a
perder força entre os setores mais organizados da classe trabalhadora.
Na greve dos bancários, por exemplo, o governo optou por defender os
astronômicos lucros dos banqueiros, atacando os bancários em greve com
ameaças de cortar salários e com medidas repressivas, como a utilização
da polícia e do tal ‘interdito proibitório”. Contudo, a categoria
compreendeu a estratégia do governo petista, derrotou suas manobras e de
seus sindicatos, e o resultado de tudo isso é o enorme desgaste do
governo, dos seus sindicatos governistas e, principalmente, do “novo PT”
na categoria.
Os bancários sempre foram parte da base sindical e eleitoral do velho
PT, muitos votavam massivamente em seus candidatos, mas hoje pode se
dizer que houve uma ruptura da categoria com esse partido. No ano
passado, isso já tinha ocorrido com o funcionalismo federal na greve
contra a reforma da Previdência.
No primeiro turno das eleições, o PT perdeu importantes cidades
industriais, com uma forte presença do movimento operário e de setores
organizados da classe trabalhadora. Foi derrotado na maioria das cidades
operárias do ABC paulista, em Campinas, São José dos Campos entre
outras. Agora tudo indica que poderá ser derrotado em São Paulo, cidade
mais importante do país, e em um de seus redutos históricos como Porto
Alegre.
Tudo isso indica que o PT está perdendo sua tradicional base nos
batalhões organizados da classe trabalhadora e começa a depender cada
vez mais – graças a uma série de políticas assistencialistas e
clientelistas – dos setores menos organizados da população, para manter
sua base eleitoral.
Ao se tornar mais um partido da burguesia brasileira, pouco a pouco as
principais categorias organizadas dos trabalhadores estão rompendo com o
“novo PT”. |