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Eu Odeio a Telefônica!

 (Publicado em 13 de outubro de 2001)

            Sou mais um dos infelizes e mal-servidos possuidores um destes novos números que a Telefônica instalou em São José do Rio Pardo, começando por “3681”. Funciona de maneira intermitente, para a Internet é absolutamente inadequado e vem enfrentando severas dificuldades para completar ligações para os antigos e já tradicionais telefones “680” da cidade. Como se não bastasse, à revelia da vontade do usuário, o novo número já vem com o “Serviço de Caixa Postal” programado e irrevogável! E eu que pensava ter vivido os piores momentos em telefonia de minha vida quando, no Rio de Janeiro, tinha de lidar com a TELERJ (que também não existe mais. Sua herdeira, a privada TELEMAR, dizem-me os amigos, consegue ser ainda pior!!!)

            Nem precisaria ser especialista em eletrônica da FAB para perceber que há um problema gravíssimo de incompatibilidade entre as três centrais telefônicas que servem a cidade (não podemos nos esquecer que há também aparelhos começando por “681”, sem o dígito “3” à frente...)

            Alguns exemplos: a conexão pelo UOL através de uma linha “680” atinge facilmente os 56Kb que os provedores anunciam. Linhas “3681”, usualmente, somente atingem 28Kb após a quarta ou quinta tentativa e, também usualmente, a conexão “cai” poucos minutos depois, tornando a outrora prazerosa atividade da navegação pela Internet um tormento, os “uploads” e atualizações de página impossíveis e um “download” maior só mesmo por milagre! Dia destes, levava mais informações sobre Jorge Amado ao ar em minha página “Cultura Brasileira” e “o PDD foi interrompido subitamente”, ou seja, a conexão caiu. Tento novamente e se demonstra impossível. Telefone mudo. Vou ao vizinho e ligo para a Telefônica reclamando. Após aquele tormento de escutar gravações demoníacas como “Se você deseja o Speedy, tecle 12, se deseja saber como está o seu plano de expansão tecle 25, se quer mandar o nosso presidente para aquele lugar, tecle 69, se quer mandar a mãe do presidente para aquele lugar, tecle 24” e assim por diante, consigo falar com uma simpática atendente: após alertar-me que “se o problema for interno haverá uma multa por visita improdutiva”. Explico que, como especialista em eletrônica e dependente de conexões rápidas fiz uma instalação interna pessoalmente e de tal maneira que inexiste a possibilidade de perdas do poste até o aparelho (no caso, um MODEM); persuado-a a acolher minha reclamação após grande sacrifício e promessas de “pagar a multa por visita improdutiva, se for o caso”. Prazo para reparos: 48h. Pede que eu anote um número; comprido, entremeado com letrinhas, algo como um “protocolo”. Anotado. Volto para a casa e o telefone está tocando! Apresso-me em telefonar, tento cancelar a reclamação, uma vez que o telefone subitamente voltou a funcionar, recito o “número do protocolo” para um novo atendente, que o despreza olimpicamente e me pergunta outra vez o número do telefone com defeito, endereço, meu nome, se estou com o atestado de HIV negativo em dia, etc, deixa-me em espera e, enquanto ouço aquelas irritantes musiquinhas e o Cid Moreira falando, numa gravação, que “a sua ligação é muito importante para nós”, ficou mudo novamente!

            Dia seguinte vem um funcionário. Sobe no poste e vaticina: “até aqui está tudo em ordem, meu senhor. O problema é interno! Por favor, remova o aparelho do plugue”. Simulo atendê-lo e ele diz: “agora ficou perfeito!”. Por favor, ponha novamente o telefone no plugue. Finjo que o recoloco e o funcionário: “pronto, pifou de novo. Problema interno. Terei de reportar à telefônica.” Vai-se embora deixando tudo exatamente como estava e me mandando, na conta seguinte, uma multa de R$ 20,00 por “visita improdutiva”.

            Mando um e-mail para o “Ombudsman” da Telefônica informando de meu calvário e, como resultado, quase toda a semana alguém da empresa liga para mim e pergunta como está a linha. Tento me queixar, fazem ouvidos moucos e tudo segue na mesma.

            Minha irmã, no Cassucci, é uma das felizes proprietárias de uma das antigas linhas “680”. Consegue conectar-se à Internet com a velocidade regulamentar de 56Kb sem o menor problema. Mas a cada quinze dias seu telefone fica mudo, ela reclama e eles consertam “no prazo de 48h”. Só este ano, já ficou sem linha umas vinte vezes, sempre por períodos curtos, de 48h, mas jamais teve de pagar por “visita improdutiva”. Pelo menos no caso dela eles assumem a culpa, sempre. Mas sempre dá defeito...

            Esta semana recebi uma correspondência informando que “agora você pode contar com o “Serviço de Caixa Postal”. Mas peraí! Eu não pedi este serviço, não gosto deste serviço, que me impede de atender as pessoas que me ligam a tempo, transferindo todas a ligações entrantes para esse serviço demoníaco e inacessível. Telefono para tentar desativá-lo. Não consigo sequer falar com as pessoas responsáveis. Um dia, após mais de 45 min de espera, consegui! A atendente da Telefônica pediu-me desculpas e que ligasse depois, pois estava com problemas na sua conexão e não poderia me atender...

            Agora fica assim: não consigo conectar-me direito à Internet (e haja propaganda! “Você ainda não tem o Speedy?”), dias sim, dias não, fico sem acesso sequer através de voz a quantos me ligam ou a quem gostaria de telefonar, o telefone fica mudo várias vezes por semana por períodos curtos – em geral quando estou “baixando” ou “fazendo upload” de algo importante, claro... – não recebo mais telefonemas, que todos estão sendo desviados para este serviço absurdo que não pedi e de que não gosto, a “Caixa Postal”. Se eu reclamar, continua tudo como está e eu ainda tenho de pagar multa por “visita improdutiva”.

            Aliás, por que cargas d’água eles não instalam o “Speedy” por aqui de uma vez? Estão felizes com a lucratividade que obtêm através das malditas “conexões discadas”, que fazem nossas contas telefônicas “explodirem” ou sua incompetência técnica os impede de disponibilizar este serviço em São José? A TELESP era eficiente, lucrativa, simpática à população, por que foi que a entregaram aos gringos?

            E pensar que eu cheguei até mesmo a propor uma “parceria” à Telefônica em troca de apoio à minha página. Não aceitaram, claro! Minha página fala sobre “Cultura Brasileira” e não hispânica... Ainda bem que não aceitaram! Tenho recebido cerca de dvinte mil visitas diárias de vestibulandos e universitários em busca subsídios às suas pesquisas e, a despeito das dificuldades que venho enfrentando para atualizá-la, a página segue elogiadíssima! Já a Telefônica...

 

Lázaro Curvêlo Chaves

 

Adendo: Após muita reclamação e aborrecimentos mil, o Speedy foi instalado por aqui mas funciona como vaga-lume e não dão a menor bola para reclamações dos freqüentes e irritantes períodos de paralisação no serviço. Nem descontam o tempo parado! E agora estão pentelhando pela "migração" para um plano bem mais caro, segundo eles "bastante módico" que permite manter a velocidade da conexão. Haja...

 

Conheça ainda http://www.telefonica.cjb.net/ Uma página de luta!

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