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Leão Voraz, Bancos Batem novo recorde de lucratividade e telefones 233% mais caros
Mais Impostos, Menos Serviços
O país que paga os impostos mais elevados do planeta Terra (cerca de 40% de toda a riqueza nacional é destinada a impostos os mais diversos) perpetra novo ataque ao contribuinte compulsório. Deixando claro quem são os verdadeiros donos do poder nestepaiz, uma rápida consulta à página da Receita Federal arrola um lista infindável de isenções e benefícios – quem faz aplicações portentosas no mercado de capitais, jogadores, megaespeculadores, essa escória toda, enfim. Este ano muita gente – na casa da dezena de milhão de trabalhadores – a partir dos mais diversos artifícios, teve seu CPF (Cadastro de Pessoa Física) bloqueado. Trata-se de documento vital a quem recebe salário, aposentadoria ou exerce qualquer atividade formal dentro da economia brasileira. A maioria, para “regularizar”, se viu obrigada a recolher mais uma taxa de R$ 165,00 a título de “multa” para a Receita Federal. Em diálogos com amigos bancários soube que, antes das modificações impostas pela legislação mais recente, os casos de “CPF Pendente de Regularização” giravam em torno de um caso a cada 6 meses. Atualmente ocorre uma média de 10 a 20 casos por dia... Os impostos, como todos sabem, embora seja alegadamente “sobre a renda”, somente incide sobre os salários. Os dirigentes do país, que vivem de rendas, estão isentos ou gozam de benefícios monumentais. Nuncaantesnestepaiz se transferiu tanto dinheiro dos mais pobres para os mais ricos. Declarações estanques de cúmplices do crime organizado pelas instituições financeiras coincidem num ponto: “a Receita Federal precisa arrecadar mais”. Assim se pronunciaram, por exemplo, Henrique Meirelles, Antônio Palocci, Paulo Bernardo e Guido Mantega. Para aplicar em que mesmo?
Terra arrasada
Sabemos na carne em que nossos impostos NÃO são empregados: aperfeiçoamento da saúde, educação, infra-estrutura rodoviária e aeroportuária ou segurança pública. Estes setores estão em queda-livre há 20 anos, com um agravamento vexatório nos últimos 5 anos. Qualquer ser humano que viaje pelas rodovias nacionais ou precise dos aeroportos sabe que a infra-estrutura está abandonada. Os tucanos encheram as salas de aulas para apresentar à comunidade internacional um índice elevado de crianças matriculadas e melhorar a posição do Brasil artificialmente no índice Gini. Não fizeram nada para aprimorar a infra-estrutura educacional: não foram construídas novas escolas, os salários dos professores são uma vergonha – aqueles que têm sorte ou melhor qualificação profissional deixam a profissão desiludidos; os que ficam ou vão chegando se formaram de maneira consideravelmente excêntrica. Outra exigência do tucanato foi a aprovação automática. Não ficava bem que as crianças estivessem matriculadas, mas não fossem promovidas... Toda essa estrutura perversa foi mantida pelo Lulo-petismo com um agravante: a criança deve estar matriculada mas a presença tornou-se facultativa... Hoje as escolas formam batalhões de analfabetos diplomados. Quem de nós não testemunhou uma criança a dizer algo como “Estudar para quê? Tenho um tio advogado que hoje dirige caminhão! E olha o Lula: nunca estudou e hoje é Presidente da República!” De fato, um cidadão que decepa o próprio dedo e se aposenta por invalidez pode pleitear a presidência da república acumulando sua aposentadoria à bolsa-ditadura oriunda de um pernoite que lhe foi concedido na Polícia Federal em finais da Ditadura Militar e o salário pago ao ocupante do Planalto – e tudo isso ainda é irrisório diante do fluxo monumental de recursos que os donos do poder econômico, verdadeiro centro de decisões da política nacional, como migalhas, ao chamado poder político, desde que cúmplice de seus ditames. Com este exemplo, só há uma palavra para resumir a situação das escolas públicas no Brasil/2007: CAOS! Faltam hospitais e muitas unidades públicas fecham suas portas por falta de profissionais. Recentemente a Maternidade da Universidade de Brasília fechou suas portas porque dos 20 médicos remunerados à base de R$ 1.200,00 mensais apenas 3 ficaram – os demais conquistaram posições pessoais melhores na Iniciativa Privada e os poucos que ficaram, fosse por idealismo, fosse por incompetência, não estavam mais “dando conta do recado”. Isto se repete por todo o país. Faltam unidades, faltam profissionais, medicamentos são rigorosamente racionados... As Forças Armadas sofreram o primeiro ataque neoliberal com a ascensão de Collor de Mello ao poder: foram suprimidos os “ranchos”, as cozinhas industriais e restaurantes internos aos quartéis, com concomitante redução nas horas trabalhadas e o aviltamento salarial mais brutal de que se tem notícia em toda a nossa história. De vez em quando uma autoridade anuncia um aumento para os militares, esse aumento anunciado ganha a imprensa escrita, falada e televisionada, mas JAMAIS se reflete nos contracheques. Os equipamentos estão em pouco melhor condição que sucatas e a própria estrutura dos quartéis se degenera a olhos vistos! Na periferia de todas as cidades as esposas dos Policiais Militares precisam lavar o fardamento roto do marido às escondidas. Não por vergonha da deterioração do fardamento, mas por se haver tornado muito perigoso “ser policial” hoje em dia. Aqueles que podem vivem entre suas prisões domiciliares blindadas, deslocando-se em carros também blindados para seus trabalhos blindados e guardados por seguranças privados. A Segurança Pública, em síntese, “já era”. Cabe a insistência, a título mesmo de reflexão: para onde vai o dinheiro dos impostos que pagamos?
Lucro dos bancos ultrapassa a casa dos 200% líquidos!
Quando ficamos sabendo que a maior parte de toda esta lucratividade é oriunda das transações com o poder público, descobrimos duas coisas: para onde estão indo nossos impostos e por que a quadrilha quer extorquir ainda mais o contribuinte compulsório. Subsidiária à lucratividade fenomenal dos bancos estão ainda as taxas e tarifas – a atividade bancária brasileira é a mais cara do mundo! – além da imoralidade cruel da extorsão através de empréstimos consignados.
Aumento de 235% nas chamadas telefônicas
A propaganda está cada vez mais sofisticada. Mudam-se os nomes das coisas e, ao invés de proclamar direta e simplesmente um aumento de 235% nas tarifas telefônicas faz-se um malabarismo desgraçado com vistas a confundir a opinião pública – com invejável sucesso, diga-se de passagem! “A cobrança vai mudar de pulso para minuto, beneficiando mais quem usa menos o telefone”, diz a propaganda. Repetitiva, hipnótica. A repetição se transforma em prova de veracidade e assim segue a vida. Uma consulta à página da Telefônica traz uma explicação imensa, detalhadíssima, usando cálculo diferencial, derivadas e integrais, extrapolações booleanas e coisas assim além de expressões e termos jurídicos impenetráveis. São mais de 50 páginas. Só para iniciados. Uma Obra Prima na arte de vencer pelo cansaço ou, no limite, persuadir pela impenetrabilidade da explicação. Mas vamos deixar claro aqui o que já está em vigor em alguns pontos do país e entrará em vigor em outros – mais uma estratégia maquiavélica: divide et impera; o problema de um não é o problema do outro e a articulação é desestimulada. No sistema de cobrança por pulsos os valores ficam assim: 1 pulso = 4 minutos = aproximadamente R$ 0,12; Cerca de R$ 0,03 por minuto falado. No sistema de cobrança por minuto, os valores ficam assim: 1 minuto = aproximadamente R$ 0,10 por minuto falado. Há vantagem nisso? Claro! Para todas as empresas de telefonia que se apressam a esclarecer: “o valor da assinatura básica continuará sendo cobrado...” Cada minuto falado passa a custar 235% a mais contudo, como “não houve aumento” estes valores ficam isentos de aparecer nas taxas de inflação, etc. Tudo isso, como não se cansa de repetir hipnoticamente um gerente de banco que conheço, “dentro da Lei e da Norma Constitucional Vigente”. Leis e normas elaboradas pelos banqueiros, empresários de telecomunicações e seus representantes que as elaboram e julgam. Está configurado mais um ataque do crime organizado ao seu bolso e à Democracia.
Lázaro Curvêlo Chaves – 15/03/2007
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