Cultura Brasileira

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A culpa é dos bancos!

 

            Estou ciente de que há muita desgraceira acontecendo no cotidiano de nosso povo: mães e pais jogando filhos no lixo, em lagos e até pela janela... Crianças abandonadas pelas mães em creches morrendo afogadas em seu próprio regurgitar... Balas perdidas sendo encontradas em cabeças inocentes... Ex-namorados desesperados cometendo desatinos e aniquilando filhas de criminosos...

            Em suma, com o fim da “Era Vargas” pregado e praticado pelo ex-presidente Fernando Henrique e pelo seu digno pupilo e sucessor, Lula da Silva, também lacaio dos bancos e agiotas internacionais, saímos de um estágio em que nos aproximávamos da civilização e submergimos novamente e a cada dia com maior gravidade no que Clóvis Rossi, sempre lúcido em sua coluna, chama de “barbárie nossa de cada dia”.

            Eu perguntaria ao ex-presidente Fernando Henrique, se pudesse, que motivos o moveram a entregar o Brasil ao cassino internacional dos Bancos e apostadores de Bolsas de Valores, aumentando impostos que passaram a ser desviados para pagar “juros da dívida” – já não faz mais a diferença que fazia se “externa” ou “interna”, pois a “interna” também o é aos mesmos extorsores de sempre, seja diretamente, seja através de seus prepostos. O que o teria obrigado a abdicar tão completamente de todo o ideário social-democrata e mergulhar o Brasil tão fundamente no mais rapinante capitalismo fundado no tal “capital financeiro” termo tão bom – ou ruim – quanto o que prefiro: capital especulativo. Por que desmontar os serviços públicos e promover uma privataria escandalosa, “ao nível da irresponsabilidade” como disse um de seus ministros. Perguntaria a FHC, pois Lula segue exatamente o mesmo ideário ultra-capitalista, renegando todos os discursos que fazia quando na oposição. Então FHC foi um professor e Lula da Silva um aluno. Mau aluno que sequer consegue manter certo nível de ética para além do discurso vazio. O período FHC, com todos os males e mazelas que nos trouxe, pelo menos mantinha algum resquício, algum aspecto de correção no encaminhamento da coisa pública.

            FHC, até pela atitude que adotava no exercício do cargo presidencial e pelo seu passado de professor, talvez se importe em responder-me. Lula da Silva é um traidor; impossível acreditar no que quer que ele venha a dizer. Mandou seu Primeiro Ministro pagar gordas propinas aos deputados mas, alegando “nada saber”, demitiu ostensivamente o ministro mas o mantém atuante como sempre, agora com alguma discrição; criou uma carteira de empréstimos para desconto em folha de salários – engordando ainda mais o lucro dos bancos e empobrecendo os trabalhadores – isto se transformou em tal fiasco que, nos discursos públicos de hoje, sempre contando com a falta de memória do brasileiro médio, recomenda que não peguem mais o tal empréstimo; vive como um marajá indiano do tipo antigo, cercado de bajuladores e claques que leva a todos os lugares em que se apresenta como “um de vocês que chegou até aqui e cuja mãe nasceu analfabeta” e outras sandices do gênero. Absurdidades estapafúrdias ao gosto popular. Enquanto isso, só anda em seu avião de altíssimo luxo; recebe dos mordomos do Palácio o tratamento mais sofisticado que se possa imaginar; precavendo-se contra os infortúnios de uma sorte que, convenhamos, pode mesmo acabar (tomara!) tornou-se dono da maior empresa de telecomunicações do Brasil (TV Digital, Telefonia Fixa e Móvel, além de Provedores de Internet), naturalmente tomando o cuidado de fazê-lo como “sempre se fez nessepaíz”, ou seja, colocando nominalmente como proprietário alguém de sua confiança; obra de transposição do Rio São Francisco decidida à revelia da vontade popular, apressa-se em adquirir terras nas áreas por onde as águas perenes passarão e, finalmente, esposo de uma descendente de italianos, já garantiu também a sua dupla cidadania e, se seu terceiro mandato der a encrenca que promete, como Alberto Fujimori, que foi para o Japão após o fracasso de seu terceiro mandato no Peru, Lula da Silva poderá ir para a Itália, como um último recurso.

            Não há muito que refutar nos discursos públicos de Lula da Silva – que seguem mais ou menos similares ao peleguismo de sempre – além das agressões tão escandalosamente ostensivas ao vernáculo que chega a surpreender ter sido ele a assinar um novo acordo para a modificação da língua portuguesa. Xiiiii... Um analfabeto mudando a nossa língua? E na Academia Brasileira de Letras? Mas... Qual a surpresa? A ABL, como vários outros órgãos e organizações no Brasil, sofreu tal processo de degradação que hoje alberga generais, bruxos, coronéis nordestinos, cirurgiões plásticos e um ou outro escritor de valor que devem se sentir deslocadíssimos num lugar tão mal freqüentado!

            Claro que ambos os governos – Lula e FHC – compram parlamentares e aliados de diversas maneiras: concedendo cargos e sinecuras aos cooptados ou seus prepostos (método predileto de FHC, embora também praticado por Lula da Silva); pagando propina para que o parlamentar vote de acordo com os interesses do governo e freqüentemente (se não sempre) contrário a dos eleitores que dizem representar (método preferido por Lula da Silva, embora aprendido com os tucanos) e por aí vai. Como o PT na oposição a FHC ainda merecia o epíteto de “Partido dos Trabalhadores” e não seu oposto agora que no poder, fazia tão cuidadosa oposição que na verdade os registros de petistas ou aliados comprados ou cooptados por FHC na época são poucos (o primeiro que me vem a cabeça é o Weffort, que ganhou o ministério da cultura, mas não foi o único). O PT no poder, fazendo linha por linha, ato por ato, tudo o que combatia no discurso, quando na oposição – embora surpreendentemente siga com o mesmo discurso (a prática vai na direção oposta) e, mais surpreendentemente ainda, persuada a maioria de que o que vale é a sua propaganda e seu discurso, devendo todos fazer de conta que não percebem a realidade. Mas só na política e na economia. O noticiário policial tem sido muito útil – só no segundo mandato de Lula da Silva se conseguiu controlar totalmente a Polícia Federal, que deixou de ser republicana e passou a ser do partido do governo, refreando seus ímpetos de investigar as malfeitorias do governo, que semanalmente freqüentavam os jornais e revistas de grande circulação – muito útil para desviar a atenção dos problemas gravíssimos que, ao fim e ao cabo, afetam todo o mundo capitalista, Brasil incluído. Durante a semana que passou, por exemplo, raríssimas pessoas desconheciam o caso do ex-namorado que seqüestrou, torturou e matou aquela que o abandonou, causando lesões a uma amiguinha dela e o despreparo de uma polícia mal remunerada, mal treinada e com insuficiência crônica de quadros. Quase ninguém (nos supermercados, lojas, ou botecos) sequer se lembrava de que na mesma semana o preço do dólar pulou mais que pulga com coceira e os jogadores da Bolsa de Valores tiveram – como já virou rotina – lucros exorbitantes. É uma gentalha ordinária que, sem fazer absolutamente nada de útil para quem quer que seja, usando somente uns pouquíssimos traços de esperteza – freqüentemente para além das leis que eles mesmos pagam para que os parlamentares votem a seu favor! – lucram “na alta” ou “na baixa”, se sabem jogar bem. E quem produz? Como estes ganham poucos, usualmente não compram tantos parlamentares e não têm representação significativa no Poder Executivo ou Judiciário, são grandes perdedores. Contudo, donos dos bens que produzem explorando a força de trabalho alheia, repassam os custos dos aumentos da produção aos preços, que seguem subindo a tal nível que já estamos em processo de estagnação econômica.

            De quem é a culpa por tudo isso? Dos bancos! O que o governo Lula, eleito com o dinheiro que os bancos deram a ele para que comprasse bons marqueteiros e os defendessem da plebe ignara, faz? Aumenta o socorro aos bancos!

            Segundo Bill Pill, em seu magnífico documentário “The Money Masters”, que segue, em altíssimo nível intelectual, moral, de erudição e exemplificações de fatos históricos, toda a trajetória dos cambistas, desde o tempo em que Jesus os expulsou do Templo de Jerusalém chegando até aos Rotschilds demonstra com toda a clareza, em síntese, é que sempre que o poder de fabricar a moeda circulante no país foi controlada pelo povo, este conheceu momentos de prosperidade e ventura. Quando os governantes transferem esse poder para entidades privadas, como o “Federal Reserve” – o Banco Central estadunidense, que nem é federal e tampouco dispõe de reservas, segundo ainda o Nobel de Economia Milton Friedman – ou este daqui que, desde o tempo de FHC o vem macaqueando, o povo empobrece, perde suas casas, suas terras, seus salários diminuem, o desemprego aumenta... No Brasil, a quadrilha no poder prefere chamar a privatização do Banco Central do Brasil de “autonomia”. Nome à parte, inclusive por sua irrelevância, vem sendo governados segundo os interesses dos banqueiros e apostadores, contrários aos do povo brasileiro, há pelo menos quatro gestões sucessivas; dois de FHC e dois de Lula da Silva, já célere a caminho do terceiro mandato.

            A crise atual por que passam os bancos seria uma EXCELENTE oportunidade de matá-los! Acabar com a roubalheira dos bancos sobre o povo de uma vez por todas. Mas Lula da Silva foi eleito por eles e com a condição expressa de colocar na presidência do Banco Central um gângster da confiança destes megaespeculadores. O escolhido do momento foi o ex-tucano Henrique Meirelles, mas há uma fila de sabujos dispostos a substituí-lo, se for o caso, prestando o mesmo desserviço à Nação Brasileira e um grande serviço aos especuladores internacionais.

            Então é assim? Os bancos nos torturam, nos maltratam, nos esfolam, nos roubam no cotidiano e lucram uma imensidão de recursos com o fruto dos nossos impostos a eles desviados – por isso a Segurança, a Saúde e a Educação Públicas estão na lona, aliás. Os bancos se metem em dificuldades, recorrem ao Estado e, novamente, o povo brasileiro é obrigado a ajudá-los?

            Pôrra, gente, era uma EXCELENTE oportunidade de acabar de vez com estes abutres e tomar de volta ao controle do povo a emissão e circulação da moeda nacional. Mas quem faria isso? Os criminosos que estão no poder, já qualificados, mais de uma vez, como “quadrilha” ou “crime organizado”? A gangue do Lula da Silva? Aí seria menos que trocar seis por meia-dúzia...

 

Da psicopatia inerente aos Bancos e Grandes Corporações

            Há pouco assisti mais uma vez ao excelente documentário de Mark Achbar, “The Corporation”. Reitera alguns fatos amplamente debatidos nos círculos libertários, como o apoio ostensivo dos estadunidenses a Hitler, Mussolini e a todos os ditadores militares não apenas da América Latina – sempre tratada como “quintal” dos EUA – mas de todo o mundo, somente lhes retirando o suporte e, no limite, fazendo guerra no momento em que isto se torna interessante à poderosa potência do norte. Os casos dos aliados preferenciais dos EUA no Oriente Médio, como Osama Bin Laden e Saddam Hussein que, do dia para a noite passaram ao rol dos criminosos são mais regra do que exceção.

            O que realmente falta ao conhecimento popular são determinados dados específicos, como a Monsanto se esmerar em fabricar “sementes suicidas” de arroz, trigo ou soja geneticamente modificadas para que sejam incapazes de germinar, obrigando o ruralista a, sempre, comprar novas sementes da mesma Monsanto que já se havia notabilizado pelo desenvolvimento do Agente Laranja, um desfolhante cancerígeno que até hoje mata gente no Vietnã. Ou que a IBM engenhou e produziu em escala os equipamentos necessários ao controle de judeus nos campos de concentração nazistas. Ou que Henry Ford era amigo pessoal e admirador entusiasta de Adolf Hitler e do regime nazista.

            Mas o mais genial e engenhoso de todo o documentário é a qualificação, é a qualificação das Grandes Corporações – Bancos aí incluídos – no ICD (para nós, brasileiros, o CID – Código Internacional de Doenças) número 10.

            Inicialmente é fundamental manter claro que somente seres vivos, pessoas incluídas, podem manifestar doenças. Para tanto tornou-se indispensável uma digressão para informar de como foi criada a figura da “pessoa – ou personalidade – jurídica” e, assim, poder analisá-la segundo os parâmetros da medicina contemporânea.

            Todas as características abaixo estão presentes nas Grandes Corporações e Bancos – 3/6 ou 1/3 delas seriam suficientes para a diagnose:

. Total desconsideração pelo sentimento de outras pessoas.

. Incapacidade de manter relações duradouras com outras pessoas.

. Descuidado desrespeito para com a segurança de outras pessoas.

. Trapaça: mentir e tapear outras pessoas repetidamente com vistas a obtenção de lucro.

. Incapacidade de experimentar culpa.

. Incapacidade de se adequar às normas sociais vigentes, particularmente no que diz respeito ao comportamento leal ou legal.

            Estes seis sintomas permitem, de acordo com o Manual de Desordens Mentais dos EUA (não tenho à mão informações sobre os manuais brasileiros acerca desta temática) como DSM – IV. Em uma palavra, quem manifesta pelo menos três dos seis sintomas acima é classificado como um Psicopata Perigoso. Os Bancos e Grandes Corporações, pessoas ou personalidades jurídicas, apresentam os seis sintomas e, como, aos olhos da lei, são tão pessoas e tão vivas quanto (na prática, aos olhos cegos da Lei, até mais do que) eu e você, trata-se de organismos ou organizações de altíssima periculosidade cuja psicopatia deve ser combatida conscientemente no cotidiano.

 

Lula da Silva: o 4º líder político mais popular do planeta nos últimos 100 anos

 

            A se acreditar em todas as pesquisas feitas – boa parte delas de fato não merece consideração, como a do IBGE ou a da FGV, instituições profundamente comprometidas com os Bancos, as Grandes Corporações e essa barbárie em que vivemos, chamada também de “ordem” constituída, sempre prontas a apresentar e fazer propaganda das mais risonhas avaliações de seus chefes diretos ou indiretos, mas há umas idôneas, como a Datafolha, que realmente preocupam. No auge da maior crise do capitalismo mundial, quando o Brasil submerge no mais grave estado de barbárie; com Educação, a Saúde e a Segurança Públicas atingindo seus níveis históricos mais baixos; com o desemprego se tornando um caso de calamidade pública e os baixos salários acrescentam insultos à dignidade humana, insultos agravados pela esmola estatal aos miseráveis privados de emprego e dignidade precisamente por quem lhes arremessa as migalhas... Neste momento, a aprovação de Lula da Silva atinge 80% do gosto popular.

Alemanha, 1936 – Hitler atinge aprovação de 98% dos alemães segundo os órgãos de pesquisa credenciados junto ao Partido dos Trabalhadores da Alemanha – os Nazistas.

Itália, 1928 – Mussolini conquista a aprovação de 89% dos italianos.

Brasil, 1970 – General Garrastazu Médici conquista – segundo o já citado IBGE, 87% da aprovação dos brasileiros.

Brasil, 2008 – Lula da Silva atinge 80% de aprovação dos brasileiros.

            Para além da questão “será isso verdade?”, a pergunta seguinte tornar-se necessária: será que a maioria tem mesmo sempre razão? A maioria mandou soltar Barrabás. A maioria dos cristãos apoiou entusiasticamente as atrocidades e os erros grosseiros de teologia perpetrados durante o auge da atuação da Santa Inquisição na Europa e América Latina. A maioria quis o Fascismo na Itália, o Nazismo na Alemanha, a Ditadura Militar no Brasil e o Lula da Silva Presidente. Estará certa? A História já julgou alguns destes fatos. Do atual, só teremos uma visão mais clara dentro de umas 3 ou 4 décadas. Uma questão, talvez serôdia, é ainda quais os outros líderes políticos estão no nível de popularidade de Lula da Silva? Pervez Musharraf, ditador do Paquistão? Omar Bongo, ditador do Gabão? Em termos de liderança política – Executiva, Legislativa e Judiciária – o Brasil está num de seus mais tristes e atrasados momentos históricos.

 

O último dos males da caixa de Pandora

 

            Conta a antiga lenda grega que Zeus deu a Pandora uma caixa com todos os males e, por um acidente, a caixa foi aberta liberando todas aquelas coisas (guerras, pestes, doenças, miséria, corrupção...) havendo tempo somente de fechar a caixa com o último dos males que lá estava: a Esperança. Esta forma excêntrica de contar a lenda vem de Nietzsche em seu Zaratustra. Eu tinha dificuldade em aceitar que a Esperança fosse um mal, embora o filósofo teça uma argumentação bastante sólida acerca de coisas como “o que fazia uma coisa dessas na mesma caixa em que estavam todos os males da humanidade”; concluindo obviamente que, “portanto, a Esperança é um mal, não um bem: está sempre a nos prometer coisas que jamais teremos”.

            Lembra da campanha do Lula da Silva? “A Esperança venceu o Medo”? Se isso aí é a realização da Esperança, Nietzsche estava certíssimo!

 

Eleições Municipais – Muito barulho pra nada

 

            Continuo questionando e em campanha contra o voto compulsório (compulsório, vale lembrar, é sinônimo de “obrigatório”) e as urnas eletrônicas que são usadas no Brasil e no Paraguai. Como esse tipo de barbaridade só serve aos eleitos e re-eleitos, que fazem as leis a soldo dos Bancos e Grandes Corporações não é por aí que se vai mudar absolutamente nada.

            Falando em mudar nada, além do resultado já ser conhecido com antecedência: “um canalha na Prefeitura e um grupo de bajuladores na Câmara Municipal”, em todas as cidades do país, a dúvida era “qual dos dois – ou três, ou quatro, ou vinte, ou cinqüenta, ou cinco mil”. Na maior parte esta fase já passou, em algumas ficou-se no “qual dos dois” e haverá novo desperdício de tempo, dinheiro e paciência para que o povo, a isto obrigado por força das leis votadas sabemos como, “escolha” entre dois cafajestes, qual será o líder de turno.

            Este caso é de solução mais próxima, pois diz respeito ao lugar onde moramos e vivemos: desprezo absoluto pelos representantes eleitos e busca, a todos os problemas que porventura se apresentem, de soluções dentro de cada bairro ou comunidade.

            O episódio patético do último 5 de outubro magnificou exponencialmente minha birra com o voto compulsório e as urnas eletrônicas. Uma porção de gente, além de ser obrigada a votar embora não acredite mesmo na chamada “democracia representativa” ou em qualquer dos cafajestes que conseguiram nomeação, por seus partidos, para que se candidatasse (esta nomeação é o filtro principal, não passando por ele, a candidatura inexiste), uma porção de gente, enfim, é obrigada a executar trabalho escravo para a Justiça Eleitoral – tudo dentro da Lei elaborada pelos de cima, naturalmente – como mesários, fiscais, etc. Sem remuneração, sem direito algum, sequer o de se recusar a prestar um dia de trabalho escravo a quem quer que seja num Feriado Nacional! Do lado de fora das escolas subitamente transformadas em locais de votação, verdadeiros corredores poloneses apinhados de candidatos e militantes, aquela gente que não te conhece, não te respeita e não se lembra de você em momento algum, de repente está ali, vociferando seu nome entre sorrisos postiços e obstaculizando sua passagem até o local da urna eletrônica onde anulará o seu voto, contando com a possibilidade de, apesar de tudo, você ser um imbecil que se decidiria a votar naquele outro pelo simples fato de ele estar ali sorrindo e se lembrar (por alguns segundos a cada 2 ou 4 anos) do seu nome. Isso tem de acabar!

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 24/10/2008

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