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40 no banco
dos réus
A última
vez em que uma Alta Corte se reuniu para julgar um grande número de
criminosos de grosso calibre, acusados de envolvimento no mesmo e gravíssimo
delito, foi em Nuremberg, Alemanha, em 1946.
A
acusação apresentou provas cabais do envolvimento de todos no banco dos réus
nos crimes em julgamento. A comoção era grande e o acompanhamento
radiofônico diário.
Os
advogados de defesa insistiam nas teses de “não haver provas” ou a variante
“é um julgamento político”. Soa familiar? Felizmente para a Humanidade, as
teses da defesa não prosperaram diante da argúcia dos promotores (em
particular o brilhante Maxwell McFyfe) e do peso das provas documentais e
testemunhais apresentadas.
O
promotor britânico Maxwell McFyfe terminou seu arrazoado citando William
Shakespeare, em Henrique VIII. Falou da viúva de Gloucester diante do
cadáver do marido em diálogo com seu cunhado, o beneficiário do crime: “o
Sr. diz que não matou meu marido. Mas ele está morto.” McFyfe arrematou:
“absolver estes homens é dizer que não houve crime, não houve delito, não
houve guerra”.
Pela
importância dos acusados em julgamento no Brasil/2007 – toda a alta cúpula
do PT no primeiro mandato de Lula da Silva – “a quadrilha dos 40”, como
ficou conhecida – os olhos do mundo inteiro estão voltados para os
procedimentos do Supremo Tribunal Federal brasileiro.
Todos
nós conhecemos a tradição e os costumes do Supremo, que sempre tende a
absolver os criminosos de grosso calibre (na verdade, não me ocorre nenhum
caso de condenação, por mais provas que tenham sido apresentadas).
Corporativismo? Devoção e agradecimento ao mandatário que os nomeou?
Enfim,
dificilmente, os países mais democráticos que o Brasil – boa parte do mundo
Ocidental – dificilmente compreenderão o que se avizinha e já é tradição no
nosso Supremo: embora estejam cabalmente comprovados os crimes de peculato,
evasão de divisas, lavagem de dinheiro, desvio de quase R$ 2 bilhões dos
cofres públicos para os bolsos dos 40, as teses da defesa, que eram, como
hoje o são, simplesmente absurdas em Nuremberg/1946, quase com toda a
certeza terão pleno sucesso no Brasil/2007: “falta de provas” e “julgamento
político”. A maioria dos juízes da mais alta corte do país, nomeados pelo
Ali Babá em pessoa, apresentam propensão – já devidamente divulgada nos
meios de comunicação – a absolver os acusados. Em outros lugares e
circunstâncias a sentença sai ao final, não ao início dos procedimentos. Mas
no Brasil...
PAC =
Apagão na saúde e na educação
Na
campanha reeleitoral, Lula da Silva anunciou, copiando Cristóvam Buarque,
“uma revolução na educação”. O resultado até aqui tem sido escolas
depredadas, professores sendo agredidos verbal e fisicamente por alunos (há
pouco uma professora foi colada com superbonder em sua cadeira!), zeladores
sendo mortos pisoteados por estudantes mal-educados, diretores de escolas
tendo suas casas e carros incendiados por alunos vândalos e o quadro de
analfabetismo funcional piora dia a dia. Nunca antes neste país, governado
por um cidadão que confessa sua aversão à leitura, se provocou tamanho
desestímulo à educação.
Mais de
400 obras do governo federal se encontram embargadas devido a denúncias de
corrupção. Enquanto se torra o dinheiro dos impostos mais altos do mundo
desta maneira excêntrica, médicos e professores recebem remuneração
ridiculamente abaixo do que se poderia classificar sequer como “simbólica”.
Nas escolas e hospitais públicos falta de tudo: de material a especialistas.
É o apagão na saúde e na educação já mostrando a sua cara.
Apagão
aéreo esfria o caso Calheiros
Nesta
cultura fluida, estranha, curiosa, em que o mandatário maior da Nação, em
entrevista na França reconhece ser “muito comum no Brasil” o desvio de
recursos, a formação de “caixa 2”, a corrupção, enfim, Calheiros repete o
mesmo mantra de todos os culpados de todos os tempos: “não há provas” ou a
variante “julgamento político”, ou seja: “todos são culpados, ninguém é
inocente, todos dão seus jeitinhos, por que é que estão implicando
justamente comigo?”
O
acidente trágico com o avião da TAM aponta na direção de mais uma injustiça
gravíssima. Numa pista curta e inacabada, em dia de chuva forte, em
aeroporto com uma operação de pouso ou decolagem a cada minuto e meio, num
avião com defeito na frenagem e sobrecarga de peso, para livrar as
“autoridades” no cabidão de empregos que transformou o Brasil no caos aéreo,
em que várias pessoas são igualmente (i)responsáveis pelos mesmos
procedimentos, a culpa acabará ficando no colo do piloto que, com tudo
contra ele, deveria ter demonstrado mais habilidade em pousar um avião
naquelas condições em aeroporto inseguro como aquele.
O novo
ministro da defesa promete – imitando o mandatário maior da nação, que
também promete muito e nada cumpre – solucionar a questão. E pouca gente se
lembra qual foi o dia e hora em que Lula da Silva determinou que queria “dia
e hora para anunciar a normalização da situação nos aeroportos brasileiros”,
em mais uma bravata que não se seguiu de atitude concreta alguma.
O Brasil
não agüenta mais tanta corrupção e incompetência!
Enfim,
diante do sucateamento geral de toda a infra-estrutura brasileira o mais
previsível é o crescimento no número de acidentes em terra, mar e ar. É
esperar para ver. Isto não é “torcida contra”, é uma constatação empírica.
Eu torço contra o Lula da Silva, sim senhor! Porque amo meu país e torço
para que ele dê certo. Esta figura nefanda precisa ser afastada da vida
pública!
Por
menos, muito menos que isso, a sociedade civil organizada se uniu para
remover Collor de Mello do poder. Que fique bem claro: o tipo de política
econômica que tira dos pobres para concentrar nos mais ricos – com migalhas
arrancadas dos pobres para arremessar aos miseráveis – é rigorosamente a
mesma num continuum que vem de José Ribamar (1984) a Lula da Silva (2007),
passando por FHC (1994-2002). Cresce o lucro dos bancos, os impostos são
cada vez mais escorchantes e os serviços públicos cada vez mais precários.
Mas não foi por isso que se demoveu Collor de Mello do poder, foi pela
prática de corrupção em escala infinitamente menor que a atual. Alguns
movimentos de insatisfação generalizada, à direita e à esquerda, começam a
surgir, mas a propaganda governamental Duda-Goebbelsiana é terrivelmente
massacrante. A tal ponto que já começaram uma propaganda subliminar para
fixar o número “3”. O que seria isso? Conspiração por um 3º mandato para o
apedeuta de Garanhuns? E chamar o queridinho do “companheiro Bush” e maior
responsável pela redistribuição de rendas dos pobres aos ricos de “esquerda”
– com toda a propaganda – é demais!
Lázaro Curvêlo
Chaves – 24/08/2007
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