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PSTU PSOL

Quadro Político Brasileiro – 2004 / 2005

 

Dialética dos partidos

 

O que um partido representa num determinado momento histórico pode inverter-se em pouco tempo. Casos emblemáticos são o do PT e, em menor medida, do PSDB e do PFL. Não é operacional, menos ainda no Brasil, pensar em termos petrificados, como alguns analistas superficiais que vêem uma realidade cristalizada, como se o partido pairasse acima da realidade. Num Brasil que conta com poucos partidos ideológicos, genuinamente ligados aos interesses dos trabalhadores, como o PSTU, os demais se converteram à confusão da paçoca ideológica neoliberal e fisiológica.

O PT já representou a esperança e os interesses legítimos da classe trabalhadora. Desde o início de sua formação até 2002 a maioria dos intelectuais e artistas brasileiros viam nele uma alternativa poética, a única que se posicionava claramente de maneira contrária ao neoliberalismo que tomou conta do mundo desde o final do século passado. No poder, renega seu passado e volta-se a uma prática fisiológica que a população repudia e que, reconheçamos, o PSDB vinha tendo pequeníssimo sucesso em rechaçar.

Eram necessárias medidas mais enérgicas, uma ruptura mais nítida com as formas arcaicas e aéticas de fazer política no Brasil. No PT esta proposta era clara. Surpreendeu a todos – inclusive à oposição – sua adesão ainda mais entusiástica e extrema tanto ao neoliberalismo quanto à fisiologia, que historicamente rechaçava.

            Muitos militantes entusiastas dedicaram boa parte de suas vidas ao PT e sentem-se traídos pela cúpula do partido que, hoje, conta com uma militância muito mais agressiva, institucional e bem remunerada. Militância essa oriunda de fora dos quadros do PT, para ele trazendo práticas completamente diferentes daquelas constantes da trajetória histórica do partido.

Em 1989, por exemplo, participei com tamanho entusiasmo da campanha petista contra o Collor que sofri severos reveses na vida pessoal devido a meu engajamento, enquanto o eleitorado escolhia aquela alternativa lamentável. No poder, o PT vira as costas a seu passado histórico e torna-se gestor do capital especulativo.

O PT, que hoje os trabalhadores chamam de “Partido Transgênico”, já foi social-democrata e contava em seus quadros com ideólogos e políticos marxistas. Estes se converteram ao neoliberalismo, como José Genoíno e Antonio Palocci, foram expulsos como Heloísa Helena e Luciana Genro ou se desiludiram como Francisco Oliveira e Carlos Nelson Coutinho. Neste terceiro grupo me incluo. O PT de hoje é uma agremiação sem ideologia, como reconheceu explicitamente o próprio presidente do partido em entrevista na quarta-feira. A se notar também a mudança de postura da militância, outrora voluntária e feliz, hoje bem remunerada e pragmática, como acontece na capital paulista.

O PSDB, de confissão social-democrata e práticas neoliberais desde sua fundação, precisou aliar-se a forças conservadoras para se tornar alternativa de poder nacional e isto afetou seriamente o partido que, hoje, também expressa uma ideologia difusa. Não se trata de uma agremiação composta por vestais, mas mantém ainda algum respeito pelas estruturas democráticas e republicanas brasileiras, ao contrário do PT.

O diferencial entre os dois principais partidos brasileiros de hoje reside precisamente no quesito da ética e da forma como tratam as instituições políticas brasileiras. Ambos egressos de um pensamento social-democrata (o PT nasceu à esquerda da social-democracia e o PSDB à sua direita) pautam-se na prática por um encaminhamento neoliberal, ou seja, por um encaminhamento que privilegia o capital especulativo em detrimento tanto da força de trabalho quanto do capital voltado à produção.

Quando Armínio Fraga anunciava mais investimentos estrangeiros no Brasil em verdade referia-se a aplicações financeiras. Henrique Meirelles faz exatamente a mesma coisa, com o agravante de ter pesando sobre ele a suspeita de desvio ilícito de recursos ao exterior, falsidade ideológica junto à justiça eleitoral goiana e fraude à Receita Federal ou sonegação de impostos. Nada é investigado a fundo, o PT colocou membros do partido em postos-chave na CPI dos bancos a fim de minar-lhe a credibilidade e promove Meirelles a ministro com a única finalidade de que ele escape com mais desenvoltura do braço da lei.

Com tudo isso Meirelles ainda reivindica para si a apropriação privada do Banco Central do Brasil e tem o apoio do PT, de Lula e de Palocci para conseguí-lo...

 

Eleições Municipais e Reflexão

 

PT e PSDB saem como os grandes vitoriosos. Inegável neste momento da vida nacional, que a vitória expressiva do PSDB foi uma vitória da democracia. Inegável que o PSDB vem mantendo mais respeitos pelos princípios éticos, democráticos e republicanos do que o PT hoje vem mostrando. Inegável ainda que o Segundo Turno da eleição municipal em São Paulo comporá a maior arena deste cenário, como uma prévia para a sucessão presidencial de 2006.

O PFL, como força política, por um lado sofreu um abalo com a diminuição no número de vereadores e prefeitos a nível nacional, por outro se mantém como importante agremiação a dialogar, em particular com a vitória expressiva de César Maia no Rio de Janeiro e a ida de importantes lideranças ao segundo turno no Nordeste.

César Maia considera-se em quarto mandato, pois quando saiu da prefeitura elegeu seu sucessor (Luiz Paulo Conde), se elegeu na sucessão de Conde e agora se reelege, consagrando-se como administrador e articulador político.

Quanto ao PSTU, seu propósito na campanha eleitoral sempre foi o de levar um debate ideológico e conscientizar a classe trabalhadora. Não teve uma campanha biliardária como a do PT ou de outros partidos burgueses, ainda assim contou com a simpatia do povo e recebeu uma votação expressiva.

 

Em São Paulo

 

A campanha pela prefeitura de São Paulo está colocada para tucanos e petistas como ponto de partida para a sucessão presidencial de 2006 e, neste sentido vem sendo trabalhada por Lula que agora está sendo processado por haver transformado o Palácio do Planalto em comitê de campanha da Marta Suplicy.

Por muitos anos o PT criticou Paulo Maluf. Hoje luta para que ele participe ativamente da campanha a favor de Marta Suplicy. De Brasília chega um pedido pessoal de José Sarney para que Orestes Quércia também apóie Marta. O que o eleitorado fará a partir destas manobras políticas é ainda uma incógnita. Nem sempre é simples imaginar que os votos de um candidato migram naturalmente para outro como se fossem pássaros em busca de verão seguindo o líder.

A campanha do PT, hoje a agremiação mais rica dentre todos os partidos políticos brasileiros, recebendo não apenas doações de pessoas físicas, mas principalmente de empreiteiras, instituições bancárias e empresas de coleta de lixo nas cidades traz novamente ao centro do debate a necessidade de uma legislação específica para coibir o abuso do poder econômico, limitando a participação de empreiteiras e bancos que têm levado tantos recursos a estes partidos políticos burgueses compromissados com interesses privados em detrimento dos legítimos interesses da população.

Curiosamente, na capital paulista, o que está se colocando é, de um lado, um grupo de partidos perpassados por interesses de banqueiros e empreiteiros dentro de um encaminhamento fisiológico e, de outro, uma proposta que tem se mostrado em luta contra estas mesmas práticas. Ambas propostas conservadoras, ambas burguesas. Mas uma claramente mais ética que a outra. Impossível uma aliança entre o PSDB e Maluf. O PT transige.

Como sempre, a violência do poder econômico se fará presente, pelo menos 10 dos ministros de Lula votam em São Paulo, o presidente está pessoalmente empenhado na eleição de Marta Suplicy, dentro de seu “Projeto Gabão”, voltado a manter o PT no poder por 37 anos no Brasil e só mesmo um milagre evitará a vitória da fisiologia sobre a ética na capital paulista.

 

São José do Rio Pardo

 

Tranqüila. Entre uma proposta voltada a manter tudo mais ou menos com o mesmo encaminhamento e uma outra voltada manter tudo exatamente com o mesmo encaminhamento o povo preferiu a segunda alternativa.

 

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil

 

A 12 de outubro de 1717 três pescadores (Domingos Garcia, Felipe Pedroso e João Alves) resgataram a imagem de Nossa Senhora Aparecida das águas do rio Paraíba. Encarregados de garantir o almoço do conde de Assumar, então governador da província de São Paulo, que visitava a Vila de Guaratinguetá, eles subiam o rio e lançavam as redes sem sucesso próximo ao porto de Itaguaçu, até que recolheram o corpo da imagem. Na segunda tentativa, trouxeram a cabeça e, a partir desse momento, os peixes pareciam brotar ao redor do barco.

Sabedoras do milagre, as pessoas passaram a visitar João Alves, que guardava a imagem em sua casa, ali rezando e fazendo suas novenas. Em 1735 o vigário de Guaratinguetá construiu uma capela próxima ao local do achado e para ali passaram a convergir os romeiros. Como a notícia se espalhasse entre nossa gente fervorosa, em 1834 a Igreja Católica decidiu construir a hoje chamada Basílica  Velha. Um povoado – a hoje cidade de Aparecida do Norte – nasceu em torno da Igreja e, em 1929, o papa Pio XI proclamou a santa Padroeira do Brasil. Em 1931 o presidente Getúlio Vargas confirma esta proclamação.

As romarias vão num crescendo e, em 1955 fica clara a necessidade da construção da Basílica Nova que, em tamanho, só perde para a de São Pedro, no Vaticano. Hoje em dia, cerca de 10 milhões de pessoas a visitam todos os anos.

 

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Lázaro Curvêlo Chaves - 8 de outubro de 2004

 

 

 

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