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Economia: ciência ou fundamentalismo?

 

            Será interessante acompanhar os desdobramentos desta lógica cruel imposta ao Brasil por meia dúzia de iluminados alinhados aos interesses dos banqueiros. Uma seita de fanáticos alcunhados de “economistas” desinforma na propaganda ser necessário manter elevados os juros e, consequentemente, a dívida interna, determinando prática de superávits primários cada vez maiores e uma cobrança cada vez mais rapinante de impostos para pagar estes juros num círculo vicioso sem fim que joga o Brasil na rabeira do crescimento econômico internacional.

            Antônio Palocci – hoje respondendo a vários inquéritos por desvios vultuosos de recursos quando foi prefeito em Ribeirão Preto, associações criminosas em Brasília e pelo ataque ao sigilo bancário de um caseiro, porque este testemunhava suas entradas na casa suspeita que o então Ministro disse nem saber onde ficava, etc. – este Palocci, enfim, quando Ministro da Fazenda, alegava ser precisamente esta política econômica (elevadas taxas de juros aliada a arrecadação recorde de impostos para arcar com o pagamento da dívida decorrente desta prática) o que permitiria “crescimento sustentado” ao Brasil. Lula o ecoa ao dizer que “se não crescemos como os outros países é porque queremos crescer distribuindo renda” – pô! Mas redistribuir da classe média para os banqueiros? Tenha dó! Vai mais longe: jogando fora a realidade apresenta estatísticas fantasiosas “provando” que “os banqueiros estão empobrecendo, o salário está comprando mais coisas, há mais empregos e a economia está ativa” – a fantasia é longa e o mais impressionante é o número de crédulos desta seita absurda!

            Na prática o Brasil é o país que menos cresce (justiça se faça, há cerca de 2 décadas não cresce) e apresenta as mais elevadas taxas de desigualdade social do planeta Terra. No Brasil, como disse Lula em sua única entrevista a jornalistas em momento de raríssima sinceridade: “aumentam os impostos, aumentam as taxas de juros e a única coisa que cai são os salários”.

            Ao lermos ou ouvirmos o que um economista diz sabemos que a verdade é usada de maneira extravagantemente econômica ou não o é usada de todo. Defender a manutenção de elevadas taxas de juros e ampliação na cobrança de impostos tem sido o cardápio único no receituário destes bruxos e, com isto, amplia-se o endividamento, diminuem os investimentos em obras públicas e se concentra mias a renda nacional. Uma vez que as elevadas taxas de juros provocam aumentos galopantes nos valores da dívida, paga-se meramente o serviço da dívida, rola-se e ela vai crescendo. A uma dívida maior vem a recomendação dos bruxos: é preciso manter elevadas as taxas de juros para evitar o retorno da inflação e, para pagar os serviços da dívida decorrente, é preciso aumentar a arrecadação de impostos. Assim, de desgoverno em desgoverno chegamos a Lula pagando 40% de nossa renda a título de impostos.

            Não se coloca pensar numa solução para o problema da dívida! Nenhum destes bruxos sequer coloca a questão ou admite sua validade! Só se preocupam com o imediato. O receituário monocórdio segue precisamente o mesmo com os de sempre enviando quantidades maiores de recursos ao exterior precavendo-se para o momento da ruptura ou quebradeira generalizada. Armínio Fraga rezava para que não fosse em sua época e conseguiu sair do governo em 2002 para 2003 com seu patrimônio intacto nos EUA. Representou muito bem os interesses dos banqueiros e está salvo. Henrique Meirelles não tem o mesmo traquejo, foi pilhado desviando recursos, sonegando impostos e fraudando a justiça eleitoral (crimes porque responde no STF, sendo caso único no mundo: presidente de Banco Central respondendo por crimes contra a ordem econômica!). No tempo atual a rapina ao patrimônio público e individual chegou a tal ponto que as próprias autoridades ficam estarrecidas com a pasmaceira do povo. E aproveitam para ampliar seus lucros. Lula dobrou de patrimônio na Presidência da República porque se beneficiou de informação privilegiada e “aplicou bem” o seu dinheiro. A fortuna de Meirelles, já gigantesca ao início do governo, está completamente fora de nosso alcance hoje, protegidíssima debaixo dos braços de tio Sam.

            É matemática: dívida que cresce esponencialmente como a (hoje chamada de “interna”) brasileira em algum momento terá de ser tratada com racionalidade, terá de ser equacionada. Estes governos irresponsáveis, de Collor a Lula, passando por FHC, só fizeram ampliar o endividamento, o lucro dos especuladores e voltar as costas ao problema. Quando, num momento, o brasileiro despertar e pisar no freio da dívida será uma quebradeira inevitável: de bancos, de especuladores e de tudo o que se atrelou a esta loucura ensandecida.

            A capacidade de tolerância dos brasileiros às mais espantosas absurdidades vem aturdindo todos os analistas há muito tempo. Sabemos que a capacidade de pagamento até do serviço da dívida está há tempos no limite. Espera-se para logo após as eleições o anúncio de novos impostos que Lula precisa mesmo distribuir mais renda: de nós para os banqueiros. Quando ocorrerá o limite da tolerância? Difícil dizer. Usar dinheiro público de maneira irresponsável, todos concordam, é imoral. Gastar metade de todos os recursos nacionais para alimentar a sede dos bancos por lucro fácil é o supra-sumo da irresponsabilidade. Contudo, não é entendida assim. É aplaudida por 9 entre 10 economistas venais e apontada como “única política econômica possível atualmente”. Alguns vão até mais longe e sofisticam: “é a macroeconomia”... Tiremos uma meia dúzia de chavões do vocabulário desta seita e acabam-se os argumentos. “Macroeconomia” é o apelido que eles dão aos lucros dos bancos como pré-requisito ao funcionamento de toda a economia. Uma forma assaz econômica de usar a verdade.

            Esta seita será alvo de estudos profundos no futuro. O que possibilitou o surgimento de um grupo tão descolado da realidade a proferir vaticínios encontrando quem os ouça e lhes siga as recomendações? Por que o ser humano que se dedica à economia não consegue ser honesto? As condições da consciência atual não permitem este estudo com isenção. Só o Futuro o possibilitará. Há muito vislumbro nestes tempos e entidades a sombra da Idade Média e da Santa Inquisição. No capetalismo à brasileira, fora da farra dos bancos e especuladores há salvação, perdão ou redenção.

 

Mas precisa roubar tanto?

 

 

            Agora é direto, sem Delúbios, Valérios ou Dirceus a mediar. Negociata dentro do Palácio do Planalto com os marqueteiros. O TCU desconfiou e foi conferir de perto: cadê as cartilhas? E as notas fiscais? Para onde foram esses R$ 11 milhões? Como é que esse dinheiro sai do Planalto e não há nada de concreto a apresentar em troca?

            A oposição de direita, sempre muito cordata com a política econômica de Lula, Meirelles e Palocci aparentemente acorda e emite o grito: “vamos ao Impeachment de Lula, que continua roubando”.

Dizem os institutos de pesquisa de opinião que Lula tem 70% do Nordeste e uma boa parcela do Sul-Sudeste de seu lado. Só não admitem votar em Lula, dizem as pesquisas, aqueles que tem curso superior – minoria no Brasil.

            E é assim, mandando metade da renda nacional para a ciranda financeira, impedindo o crescimento do Brasil e usando a outra metade de maneira excêntrica (corrupção, suborno de parlamentares e muita propaganda) que Lula se encaminha, celeremente, à reeleição. Durante a campanha do desarmamento os institutos de pesquisas davam a vitória do sim até a boca da urna. Deu não. A seguirmos esta precisão teremos segundo turno para as eleições presidenciais no Brasil. No segundo turno, as forças éticas e democráticas deste país devem se unir contra a corrupção e o autoritarismo de Lula da Silva e sua farândola.

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 14/09/2006

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