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Saudades do PT na
oposição... – 25/02/2008
Quadrilha
ou Organização Criminosa continua roubando às escâncaras
O
Procurador Geral da República qualificou o PT e seus novos associados no
governo (personagens do PTB, do PP, do PR, do PSB, do ex-comunista e hoje
direitista PC do B, entre outros) como “quadrilha” quando o episódio do
Mensalão veio a lume.
Hoje os
escândalos seguem se multiplicando – o mau uso dos cartões de crédito
corporativo, que pagam desde as despesas pessoais de Lula da Silva e sua
família, apartamentos de luxo para reitores corruptos através de uma
Fundação hoje sob a lupa da investigação do Ministério Público e até
free-shopp, motéis e lanchonetes. Um rio de dinheiro público a que o
brasileiro médio, corrompido ao exemplo da corrupção maciça e massacrante
que vem “de cima”, em geral, “gostaria de contar com um cartão assim, para
gastar à vontade e que outro – no caso, o governo Lula da Silva, com o fruto
dos impostos mais altos do planeta Terra – pague a conta”.
As
primeiras medidas de Lula da Silva a respeito dos cartões foi a de proibir
as divulgações do portal da transparência que estão ligadas diretamente à
sua família. Alegação? “Segurança Nacional”. Fato? Segurança de Lula da
Silva no poder, tanto quanto possível livre de processo e afastado do que
prevê o Código Penal Brasileiro para o que ele vem praticando. Sim: no
Brasil há duas categorias de cidadão. O pobre, a quem o rigor da lei é
aplicado em sua amplitude e até com freqüentes casos de injustiça e a classe
dominante (hoje os membros do PT e seus associados) a quem a lei se
demonstra complacente a um nível tão escandaloso que, de todos os
processados – com amplitude de provas documentais e testemunhais – no
Supremo Tribunal Federal, ninguém (deixe-me repetir: NINGUÉM) recebeu a
menor punição.
A relativa
tranqüilidade de Lula da Silva diante de toda a malversação e desvio de
recursos públicos que ele vem liderando desde o início de seu governo, que
ninguém duvidou seriamente, por um segundo sequer, ser ele o chefão da
quadrilha dos 40 apontada pelo Procurador Geral da República até o escândalo
dos cartões corporativos; sua tranqüilidade diante de tudo isso (uma CPI
“chapa branca”, composta e liderada justamente pelos defensores mais
ferrenhos e beneficiários da corrupção que grassa soberana – tanto na
situação quanto na oposição – está plenamente justificada e é coisa também
antiga nestepaíz: a certeza da impunidade.
Lavagem
de dinheiro
A Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e
Tecnológicos), ligada à UNB, tornou-se a responsável direta pela aquisição e
aparelhamento de um imóvel de altíssimo luxo para o reitor da UNB (enquanto
os laboratórios e salas de aula, sem mencionar os ínfimos salários dos
professores, estão sucateados, trata-se, no mínimo, de uma escolha infeliz
de prioridades nos gastos – seguindo o exemplo da cúpula governista no que
há de pior, naturalmente.
Ao se revelar que contratava – sem licitação – assessoria
para a Sra. Marta Suplicy durante o período em que foi prefeita de São Paulo
a valores elevadíssimos e para gente ligada a ela deixa transparente:
operação de lavagem de dinheiro! Para quem sabe ler, pingo é pingo e letra é
letra: digamos que a Finatec haja contratado uma asponeria a R$ 30 milhões
para a prefeita (o valor é mais ou menos este mesmo, segundo amplamente
noticiado na imprensa). Sabendo como o Brasil corrompido ao extremo
funciona, o mais provável é que a Finatec fique com uma “comissão”, o aspone
que cedeu o nome para a transação com outro tanto e o grosso da grana vá
direto para o bolso de quem contratou o serviço, já devidamente “lavado”. É
assim que nossos impostos são transformados em recursos pessoais ou
partidários, enviados para o exterior e re-internalizados para pagar
marqueteiros, mensaleiros (os parlamentares venais na Câmara e no Senado),
etc.
Note bem: esta é outra forma de lavar dinheiro público.
Diferente das notas adulteradas e cartões corporativos, outra fonte que
supre as mesmas finalidades ou outras ainda menos nobres. Superfatura-se (o
exemplo de latas de lixo compradas a R$ 1.000,00 deixa claro que se compra
um bem por um determinado preço, cobra-se outro “oficialmente”, e o troco
fica com alguém: lavagem de dinheiro, CQD). E o Ministério
Público informa que esta é meramente a ponta de um gigantesco iceberg de
corrupção, falcatruas e desvio de dinheiro público!
Na oposição, o PT defendia a ética, encontrava e
escarafunchava todos os casos remotamente remetentes a casos assim e tinha
trânsito amplo por toda a Imprensa – em todas as redações a maioria dos
jornalistas era petista ou simpatizante – transformado em classe dominante,
o PT virou vidraça, a maioria dos jornalistas manteve-se coerente e ética e
hoje o partido acusa a imprensa de protagonizar “um complô contra o
governo”. Como antes, a maior parte da Imprensa (excluindo-se os
intelectuais venais, publicações lulo-petistas como a Carta Capital e
emissoras também lulo-petistas como a Rede Brasil, recém criada por Medida
Provisória, a NBR, a Rede Record de Televisão, apoiadores incondicionais de
Lula da Silva e sua farândola, façam o que fizerem) segue fiel aos fatos que
eles (fatos) sim, “conspiram” contra o governo. A Imprensa séria meramente
os retrata como sempre fez desde o final da Ditadura Militar em 1989.
Por vezes penso mesmo: que saudade do PT na oposição!
Como seriam severos com tudo isso que está acontecendo nestepaíz se seus
protagonistas não fossem a quadrilha lulo-petista, mas seus opositores... O
PSDB, tão direitista (talvez pouco menos) quanto o PT hoje o é, faz uma
oposição tão pusilânime que causa vergonha!
Freqüentemente vemos os Senadores Arthur Virgilio (PSDB –
AM) e Aloísio Mercadante Oliva (PT – SP) a confraternizar e concordar com
todas as medidas econômicas que passam pelo Senado. Justiça seja feita:
Arthur Virgílio não mudou: segue o mesmo conservador, neoliberal e
ultracapitalista que sempre foi. Já Mercadante... No poder transmudou
completamente e pratica, letra por letra, tudo o que, na oposição,
execrava... Saudades do PT na oposição...
E a dívida?
Há coisa de 2 anos, por imposição das grandes corporações
internacionais, verdadeiros detentores do poder econômico – e mesmo
político! – no mundo contemporâneo, o Brasil e a Argentina desdolarizaram
parte de suas dívidas externas junto ao FMI e as transformaram em “dívidas
internas”. Os discursos sempre tão tonitruantes quanto descolados da
realidade, vociferados pela boca presidencial, informava que a dívida
externa já não mais existia e que “nos libertamos do FMI usando as
ferramentas do capitalismo”.

Há aí 2 graves problemas – entre outros de menor monta –
ao desdolarizar a dívida.
1 – o Brasil, por exemplo, ampliou sua dívida chamada de
“interna” em reais para atuais R$ 1.400.000.000,00 (um trilhão e
quatrocentos bilhões). E os credores “internos” são o Citibank, o Santander,
a Monsanto, a IBM e outras corporações com sucursais aqui e sede bem longe,
principalmente. A estes agregam-se alguns poucos credores brasileiros natos
que se beneficiam da ampliação crescente da dívida. Se ao FMI o Brasil
pagava algo como 3% de juros ao ano, no Brasil os juros giram em torno de
10% e a dívida cresce de maneira tão mais acelerada que jamais se conseguirá
pagar a totalidade sequer dos juros, fazendo com que o principal se amplie
exponencialmente. Não há vantagem alguma neste processo!
2 – Se a dívida externa tivesse sido – como se anunciou
amplamente, então – totalmente desdolarizada (ou “quitada”, no jargão
lulo-petista) não caberia requentar a notícia e hoje informar (?) que “temos
reservas suficientes para quitar nossa dívida externa”. Isto revela que, ao
contrário do discurso de meros 2 anos passados, a dívida chamada de
“externa” ainda existe! E ainda tentam, com impressionante sucesso,
transmitir hipnoticamente para toda a propaganda que esta é uma grande
vantagem, transformando-nos “de devedores a credores externos”. O que há de
verdade no discurso de hoje talvez só fique mais claro daqui a 2 anos, como
hoje está mais clara a empulhação de há 2 anos.
PT – a
nova cara da velha direita brasileira
Os
intelectuais e jornalistas venais dos órgãos mencionados acima insistem no
bordão de “governo popular, esquerdista e progressista” ao amálgama
PT-PR-PTB-PP composto por gente como José Sarney, Delfim Neto, Henrique
Meirelles, Hélio Bosta, Delúbio Soares, Garibaldi Alves, José Dirceu, Romero
Jucá, toda a quadrilha, enfim.
Os mesmos
intelectuais falam absurdidades como “abaixo o conservadorismo” do tucanato
e da classe dominante. A classe dominante – os petistas do
governo-organização-criminosa – discursa contra o conservadorismo e o
pratica. Mas, de fato, há o que conservar? Abaixo o conservadorismo!!! Há o
que "conservar" no Brasil de Lula da Silva? O quê? O mau uso dos cartões
corporativos? O suborno a parlamentares via mensalões e distribuições de
cargos num número tão elevado de ministérios (ontem aumentou para 38, com a
elevação da Secretaria (dita) da Igualdade Racial a Ministério formal) como
nunca antes neste país se havia visto? As constantes agressões ao vernáculo
e à Imprensa - mal disfarçando um viés brutalmente autoritário, de corte
nitidamente fascista? As tentativas de censurar a Imprensa, programação
televisiva, páginas na Internet e mesmo comunicações por telefone celular -
os projetos ANCINAV e CFJ, devidamente execrados e sepultados pela magnífica
atuação da ABI e da OAB - que ainda ribombam na memória de todos os
democratas contrários ao fascismo neo-petista? A economia sob controle total
do ex-presidente do Citibank, o ex-tucano Henrique Meirelles detonando com
os recursos da classe média e deixando os miseráveis reduzidos ao
desemprego, à esmola e a propagandas enganosas? Os impostos mais elevados de
toda a história do Brasil? E para gastar com o quê mesmo? Em Minas Gerais
houve um levante contra o exagero de 20% de Impostos que a Coroa Portuguesa
cobrava em impostos em 1789 - era "o quinto dos infernos". Hoje o governo
Lula da Silva tributa em mais de 40% - dois quintos dos infernos! E aplicam
em quê? Na saúde, segurança, educação e cultura seguramente não é. O uso
abusivo de cartões corporativos e a remuneração elevadíssima aos altos
cargos do maior ministério da história do Brasil, apontam na direção do que
fazem com o seu e o meu dinheiro... O recorde de cerca de 150 escândalos num
único governo, o maior da história republicana? A maquiagem e a compra de
estatísticas e "pesquisas de opinião"? A saúde sucateada, a educação
abandonada num país com um número de assassinatos superior ao do Iraque?)
Conservar isso? ABAIXO O CONSERVADORISMO!
Esquerda?
Que esquerda?
Outros
ainda insistem nessa história de que o governo Lula da Silva é um governo
“de esquerda”.
Esta
expressão, em ciência política, remete ao período da Convenção da Revolução
Francesa – circa 1790 –, em que, no Parlamento, à direita
sentavam-se os banqueiros e mesmo os defensores de um retorno ao Antigo
Regime enquanto os trabalhadores, “sans cullote” e radicais situavam-se à
esquerda. Quando o presidente dos trabalhos na Convenção se dirigia aos
parlamentares, perguntava, acerca de uma dada votação: “como votam os
Senhores Parlamentares que estão à minha direita?” e “como votam os Senhores
parlamentares da esquerda?”. Os “da direita” sempre votavam a favor do
capital e do lucro, contra o ser humano. Os da esquerda defendiam as
liberdades individuais, a distribuição de riquezas, a igualdade de todos, o
fim dos privilégios, etc. O nome ficou para a posteridade e conto-me entre
as pessoas que ainda vêem sentido nesta distinção: quem defende os
trabalhadores contra o capital está no campo da esquerda; quem defende os
lucros fáceis do grande capital afetando brutal descaso para com o ser
humano, está no campo da direita.
Neste
sentido, nada mais fascista, conservador e direitista que colocar um
banqueiro privado na presidência do Banco Central do Brasil, aliar-se e
aconselhar-se com Delfim Neto, José Sarney governando com este bando acima
arrolado, combater a liberdade de imprensa e restringir os direitos
trabalhistas e individuais, entre outras monstruosidades. O PT no poder não
conseguiu SEQUER manter ereta a bandeira da ética! A classe dominante (esta
associação criminosa montada pelo lulo-petismo) está no campo da direita tão
inexoravelmente quanto o diabo no campo do inferno!
Não me
venham mais com a conversa fiada – num passado nebuloso que só hoje vai
ficando mais claro – colocando o Sr. Lula da Silva e seus asseclas no campo
da esquerda, da democracia e do progressismo. Que fique definitivamente
claro: Lula da Silva e seus asseclas – a despeito de todo o discurso e
propaganda em contrário – representam o que há de pior na política
brasileira: são anti-democratas, fascistóides, direitistas e conservadores.
Há
esperança?
Há uma CPI
à vista e pode vir a lume alguma coisa que Lula e seus comparsas preferiam
ver no escuro, como os dados que ordenou suprimir do Portal da Cidadania, da
Controladoria Geral da União. Pode ser que o Ministério Público traga a lume
alguns dos frutos de suas investigações e, embora remota, há uma vaga
esperança de que estes criminosos paguem pelos seus crimes de lesa-pátria.
Há ainda
alguns “sinais dos tempos”: a Rede Globo de Televisão, áulica a todos os
governos, começa a engrossar o tom e noticiar coisas que outras emissoras
não o fazem – pode ser que a lua-de-mel abençoada pelo BNDES entre o governo
Lula da Silva e a Rede Globo tenha chegado a seu final; pode ser que a
Globo, tal qual ocorreu no Governo Collor de Mello, já esteja prevendo as
desgraças sombrias que se avizinham do Sr. Lula da Silva e seus asseclas e
esteja saindo do barco.
Um dado que
passaria quase despercebido é o fato de o hoje Senador José Ribamar Sarney
acaba de pedir licença do Senado “para escrever um livro”. Primeiro caso,
que me lembre, na história da República. Pode ser – há que se nutrir
esperanças, sempre! – Lembremo-nos de quem ele é! Sarney foi o último
presidente da Ditadura Militar, velha raposa política que sempre conseguiu
se manter à tona e se aliou a Lula da Silva, que ele também esteja
abandonando o barco que afunda. É esperar para ver...
Lázaro Curvêlo
Chaves – 25/02/2008
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