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O Terrorismo dos
EUA

“Haverá muitos chapéus e poucas cabeças”
Antônio Conselheiro
“Haverá muitos
globalizados e poucos globalizadores”
Vamireh
Chacon
O que é
globalização?
Do ponto de vista do globalizador pode ser definida como o
processo de internacionalização das práticas capitalistas, com forte tendência à
diminuição – ou mesmo desaparecimento – das barreiras alfandegárias; liberdade
total para o fluxo de Capital no mundo.
Os
primeiros povos – de quem se tem notícia – a dividir o mundo entre “nós =
civilizados” e “outros = bárbaros” foram os gregos e hebreus. Também os romanos
assim dividiam os povos do mundo.
Sim, o planeta Terra, particularmente na região de hegemonia ocidental, ou seja,
dos povos oriundos das cercanias do Mar Mediterrâneo, já sofreu a globalização
egípcia, a globalização greco-macedônica, a globalização romana, a globalização
muçulmana, a globalização ibérica, a globalização britânica, a globalização
nazi-fascista e, desde o término da Primeira Guerra Mundial, agudizando-se ainda
mais após o término da segunda, estamos sofrendo a globalização estadunidense.
Aprofundemos o paralelo. A seita judaica (que assim era vista) chamada de
“cristã” era vista como bárbara e contrária aos deuses romanos. Os judeus foram
globalizados à força, assim como os cartagineses e outros povos mais. Àquele
tempo, somente os latinos e macedônicos foram globalizados pacificamente.
Mais recentemente, pelos nazistas, em função de uma série de peculiaridades,
poucas regiões foram globalizadas pacificamente, como os Sudetos e a Áustria.
Na
atual globalização estadunidense, a Argentina, o México e o Brasil constituem as
principais demonstrações de “globalização pacífica”. Aqueles que não concordam
com o processo de globalização, são globalizados à força, constituindo os
principais exemplos os países islâmicos, particularmente devido ao poderoso
lobbie judaico no governo da única superpotência do planeta nos dias autais.
Nós, “chicanos”, “cucarachas”, globalizados pacificamente, estamos falidos,
endividados, desempregados, famintos e governados por gente subserviente aos
estadunidenses. É de se pensar se nossos governantes aceitam essa globalização
pacífica para evitar derramamento de sangue pois, como vimos, quem os
estadunidenses não conseguem globalizar “por bem”, são globalizados à mão
armada, à revelia da ONU, que vai, aos poucos, deixando de ter o significado e o
poder que tinha.
Basta lembrar que a ONU nasceu ainda durante os julgamentos de Nuremberg, com o
fito principal de evitar que povos do mundo, em nome de uma pretensa
superioridade (racial, cultural ou qualquer outra), destruíssem civilizações por
eles consideradas “bárbaras” ou “incivilizadas”. Em 1991 George Bush (o pai)
bateu o primeiro prego no caixão da ONU quando conseguiu forçar a aprovação de
uma intervenção militar sobre o Iraque (aliás, fracassada). Dali para cá, uma
série de ocorrências vêm em sucessivas vagas e ainda há quem se surpreenda ao
ver representações da ONU ser percebida pelas vítimas da globalização como
representação dos EUA. Desde 1991 – praticamente desde o final da polarização
“capitalismo versus socialismo” a ONU deixou de ser um organismo representativo
da autonomia dos povos do mundo e passou a ser, na prática, um organismo
homologador das decisões estadunidenses. O escândalo em torno desta
subserviência foi tamanho que, recentemente, os estadunidenses não obtiveram o
aval da ONU enquanto não produzissem provas de que o Iraque constituía uma
ameaça à estabilidade das civilizações judaico-cristãs ocidentais. Desprezando
solenemente a ONU, estadunidenses e seus cúmplices britânicos massacraram uma
das nações mais miseráveis do mundo que, para sua desgraça, constituem-se no
segundo maior produtor de petróleo do mundo.
Enfim, “globalização” tem um significado para os globalizadores e outro para os
globalizados, desde sempre, aliás. E desde sempre, parodiando o Conselheiro, “há
poucos globalizadores e muitos globalizados”. Pior: reiterando: quem não se
deixa globalizar por bem como o Brasil, a Argentina e o México (que estão na
miséria que estão) é globalizado a bala, como o Afeganistão e o Iraque...
Voltando...
11
de setembro de 2001, pouco menos de 9h. Dois aviões se chocam contra o maior
centro econômico do planeta Terra, o World Trade Center. Um sacrilégio
intolerável para os sacerdotes do Capital. Sem provas cabais, decidem os
estadunidenses destruir o Afeganistão pois, supunham, Osama Bin Laden, treinado
e armado pelos EUA contra a então URSS é realmente uma das poucas pessoas
capazes de uma “proeza” como aquela, informam os serviços de segurança da maior
nação terrorista do planeta. Explicando melhor: transformar aviões de passeio em
bombas destruidoras constitui ato terrorista evidente. Mas que nome dar a
bombardeios a creches e mesquitas muçulmanas, com bracinhos e perninhas de
crianças esparramados por todos os lados? Ou mesmo o bombardeio deliberado de
hospitais como aqueles da Cruz Vermelha? Lembro-me de que o pândego José Simão
encarnava: “será que eles vêem uma cruz vermelha e pensam que é alvo?”
E quem venceu?
A “Guerra contra o Terrorismo”, vem utilizando-se
amplamente do terrorismo como arma e, tendo como meta suprema a captura dos
“bandidos” Osama Bin Laden e Saddam Hussein demonstra-se de uma incompetência
catatônica. Tanto no Afeganistão quanto no Iraque, países que os EUA tentam
“globalizar” à força morrem mais soldados estadunidenses e britânicos depois de
declarados findos os conflitos do que propriamente durante a guerra.
Ninguém mais tem paz e sossego entre os países aliados do Império do Mal. Como
todo o Império, o Ianque cairá fragorosamente e, com ele, todos os seus aliados
ou aqueles que se deixaram “globalizar” por eles pacificamente. Pode levar ainda
um ou dois séculos, mas o que é isso em vista da eternidade? Às vezes brinco com
meus alunos e enfatizo: dentro de, no máximo, quinhentos anos, a humanidade será
libertária ou não existirá mais. “Pode me cobrar isso!”
Empresas aéreas vão à falência. Qualquer telefonema apavora o conquistador dos
miseráveis da Terra. A vigilância constante fere cotidianamente todos os
preceitos democráticos e liberais que os EUA alegavam defender e em nome do qual
perpetraram massacres.
E
agora? Osama Bin Laden impõe aos estadunidenses uma vida de terror. Terror que
os próprios estadunidenses levaram à sua terra. E está por aí, mandando
mensagens, orientando seguidores... O mesmo se pode dizer de Saddam Hussein.
Será que o Império venceu? Será que eles estão derrotados?
Derrotados e perdidos como no Vietnã, estadunidenses pedem à ONU que enviem
tropas para substituir as tropas ianques, que estão voltando para a casa em
pacotes, aos pedacinhos, quando seus pais e mães preferiam que voltassem
inteiros... Serão atendidos? Dado o poderio pavoroso de que dispõem não é
difícil que assim venha a ocorrer. Não é de se descartar mesmo que o presidente
Lula mande brasileiros para morrer no Iraque em troca de alguma forma de
“abatimento” na dívida e(x)terna... Tomara que nossos pais e mães não venham a
ter mais essa desilusão com o Lula... O Brasil já tem problemas que cheguem. A
última coisa que precisamos é atrair para nós a ira dos seguidores de Alá...
Terrorismo gera terrorismo. Eis o principal motivo a
nos levar a desconfiar – e desconfiar muito! – de uma guerra liderada pela maior
e mais poderosa nação terrorista do mundo contra o terrorismo. Para que essa
espiral tenha fim, alguém terá de ceder. Ou os estadunidenses deixam de lado a
sua vontade de fazer o mundo inteiro à sua imagem e semelhança ou os muçulmanos
se convertem ao calvinismo presbiteriano de George W. Bush. Ambas as hipóteses,
francamente, parecem improváveis. Mais provável que o fundamentalismo de mercado
(embasado no fundamentalismo calvinista) continue em luta contra o
fundamentalismo islâmico até que não haja mais quem lute.

Lázaro Curvêlo
Chaves - 11 Set 2003
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