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Literatura humaniza e leva à reflexão, diz Itamar Vieira Junior

ResumoItamar Vieira Junior encerra a trilogia sobre a terra com *Coração sem Medo*, obra que narra o desaparecimento de um filho. A literatura, segundo o autor, humaniza e provoca reflexão ao expor conflitos sociais e afetivos. O livro aprofunda a relação entre memória, luto e resistência, consolidando a trajetória literária do escritor baiano.

Itamar Vieira Junior encerra sua trilogia sobre a terra com Coração sem Medo, livro que aborda o desaparecimento de um filho e o poder da literatura de humanizar e provocar reflexão.

Rafael Albuquerque Tordesilhas
Rafael Albuquerque Tordesilhas Crítico de Cinema Nacional · 10 de agosto de 2026
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VereditoItamar Vieira Junior encerra sua trilogia sobre a terra com Coração sem Medo, livro que aborda o desaparecimento de um filho e o poder da literatura de humanizar e provocar reflexão.

Escritor diz que literatura tem poder de humanizar e levar à reflexão

O escritor Itamar Vieira Junior encerra sua trilogia sobre a terra com o livro Coração sem Medo, sucessor de Torto Arado e Salvar o Fogo. A obra fala sobre os desterrados e sobre um tema universal que, no Brasil, atravessa principalmente as populações periféricas: o desaparecimento de um filho, possivelmente vítima de violência.

O que diz o escritor sobre o poder da literatura

Em entrevista à Agência Brasil, durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), Itamar afirmou que a literatura tem capacidade de humanizar. "Quem trata dos sentimentos e das subjetividades humanas é a arte e a arte tem o poder de devolver a vida, de humanizar aquilo que parece desumanizado", disse.

A história de Rita Preta, a busca por um filho desaparecido

Coração sem Medo conta a história de Rita Preta, uma operadora de caixa de supermercado que vive em Salvador. "É a história daqueles que foram desterrados, que não puderam lutar pela terra. Rita é uma mulher feliz, é caixa de supermercado, ela, enfim, toca a vida como pode, tem três filhos e, de repente um dos filhos desaparece", contou.

O drama de Rita reflete um número cruel da realidade brasileira. No primeiro semestre deste ano, o Brasil registrou 43.828 pessoas desaparecidas, uma média de 242 sumiços por dia. Em todo o ano passado, foram 85.232 casos, média de 234 por dia. Os dados são do Painel Estatístico do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça, e podem não refletir totalmente a realidade, já que muitos casos não são notificados.

A arte não dá respostas, mas provoca reflexão

Embora humanize, a arte não fornece respostas, afirma o escritor. "Acho que sempre há caminhos. Tudo que a arte não faz é dar respostas. Eu acho que ela nos ajuda a refletir sobre o que está acontecendo. Ela nos incomoda, a arte tem essa capacidade de incomodar. E acho que é a partir do incômodo que as mudanças vêm".

A terra como território e memória

Em Coração sem Medo, Itamar transporta a ação do campo para a cidade. "Em Torto Arado, a terra é território e pertencimento. Em Salvar o Fogo, ela se confronta com a violência, a fé e a disputa pelo sagrado. E em Coração sem Medo, essa história chega a uma Salvador urbana, atravessada pelo deslocamento e pela violência contemporânea", disse.

A terra que une os três livros pode ser entendida como lugar físico, memória ancestral ou aquilo "que um povo carrega consigo mesmo quando já lhe arrancaram a própria terra". O corpo do filho desaparecido, afirma o autor, é um território em disputa, como a terra em Torto Arado e o patrimônio de uma igreja em Salvar o Fogo.

Perguntas Frequentes

Qual é a Trilogia da Terra de Itamar Vieira Junior?

A trilogia é composta por Torto Arado, Salvar o Fogo e Coração sem Medo, livros que abordam o direito à terra e seus desdobramentos.

Sobre o que é Coração sem Medo?

O livro narra a história de Rita Preta, uma mulher que busca o filho desaparecido em Salvador, refletindo sobre desterro, violência e desigualdade.

Quantas pessoas desaparecem por dia no Brasil?

Segundo o Sinesp, foram 242 sumiços por dia no primeiro semestre deste ano, e 234 por dia no ano passado.

O que a literatura pode fazer, segundo Itamar?

A literatura humaniza e provoca reflexão, mas não dá respostas. O incômodo gerado pela arte é o ponto de partida para mudanças.

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