Festa Literária de Niterói celebra intelectual Lélia Gonzalez
A FLIN 2026 celebra Lélia Gonzalez, pioneira do feminismo negro, com programação gratuita sobre Territórios das Palavras. Evento começa quinta (13) e vai até domingo (16) em Niterói.
Festa Literária de Niterói celebra intelectual Lélia Gonzalez
Na Região Metropolitana do Rio, uma esquina vira território de palavras. A Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) começa nesta quinta-feira (13) e segue até domingo (16), no Reserva Cultural, com a antropóloga, historiadora e filósofa Lélia Gonzalez como homenageada da edição de 2026. Fundadora do Movimento Negro Unificado (MNU) e pioneira do feminismo negro no Brasil, Lélia dá nome à festa que espera receber 30 mil pessoas.
A FLIN 2026 celebra Lélia Gonzalez, intelectual que desenvolveu conceitos como amefricanidade e pretuguês. A programação gratuita, inspirada no pensamento dela, terá o tema Territórios das Palavras. De quinta (13) a domingo (16), o Reserva Cultural de Niterói reúne escritores, artistas e pensadores para debater literatura, relações raciais, feminismos, memória, educação, oralidade, diversidade, políticas culturais e formação de leitores.
O pensamento de Lélia Gonzalez guia os Territórios das Palavras
O legado de Lélia Gonzalez, que ajudou a fundar o Movimento Negro Unificado (MNU) e foi uma das pioneiras do feminismo negro, atravessa a programação. Conceitos como amefricanidade e pretuguês, criados por ela, seguem relevantes para entender as contribuições das matrizes africanas e indígenas na identidade brasileira e latino-americana.
O coordenador artístico da Flin, Jackson Jacques, explica a escolha em entrevista à Agência Brasil: "A gente queria muito que a pessoa homenageada fosse uma mulher que dialogasse com temas importantes. Trazer territórios, negritude, pensamentos contemporâneos ainda muito pertinentes era muito importante para a gente e, a partir de Lélia, a gente chega na temática dos Territórios das Palavras para poder confluir as ideias".
Uma mesa em homenagem a Lélia contará com a participação de Melina de Lima, neta da ativista, adiantou o coordenador.
Território, pertencimento e identidade na visão dos curadores
O diretor do projeto editorial Niterói Livros, da administração municipal, Jordão Pablo de Pão, que também é um dos curadores da Flin, diz que não se pode pensar em território sem pertencimento e identidade, um tripé que anda junto.
"Quando se pensa em território e em identidade a gente está pensando em pessoas que democratizaram o acesso ao saber, às experiências", disse Pão em entrevista à Agência Brasil. "A gente consegue ser diverso e aproveitar essa diversidade. Acho que esse é o grande ensinamento da Lélia".
A intenção da Flin é mostrar que toda palavra nasce de um território, que "carrega memórias, afetos, ancestralidades, disputas e formas próprias de enxergar o mundo". Para o diretor, a festa literária fala de narrativas com muitas formas em jogo.
"A narrativa vem pela história que a avó conta no ouvido, pelo cordel publicado, vem pelo fanzine que a pessoa faz porque tem menos condição financeira e vem pelo grande livro no trabalho reconhecido. Existe uma diversidade que não está na publicação só, mas também na narrativa. É a narrativa que nos interessa", pontuou.
Encontros que moldam a festa
Uma característica que tem moldado a Flin ao longo dos anos é a possibilidade de os visitantes participarem de grandes encontros. "A Flin vem ganhando contorno que reflete a vontade das pessoas de quererem ir para ter encontros com quem fala sobre livros e valoriza as publicações. Não é ir apenas para ver um grande nome. É aprender, trocar experiências e divulgar", disse Jordão Pablo de Pão.
A presidente da Fundação de Arte de Niterói (FAN), Micaela Costa, quer que a festa seja um espaço onde diferentes vozes se encontrem, sejam ouvidas e ampliem a visão dos participantes sobre o Brasil e sobre eles mesmos.
Escritores, artistas e pensadores na programação
Durante os quatro dias, o evento vai reunir escritores como Valter Hugo Mãe, Ana Maria Gonçalves, Emicida, Conceição Evaristo, Lilia Schwarcz, Jeferson Tenório, Eliana Alves Cruz, Ana Maria Machado, Rosiska Darcy, Ruy Castro, Cidinha da Silva, Luiz Antonio Simas, Tatiana Salem Levy e Mariana Salomão Carrara. Entre as vozes internacionais, estão os angolanos Ondjaki e Valter Hugo Mãe.
A música será representada por Teresa Cristina, MC Marechal, Tati Quebra Barraco e Michael Sullivan. O teatro, a televisão e o cinema contam com as participações dos atores Paulo Betti, Fabiana Karla e Dadá Coelho, além da diretora de cinema e TV Rosane Svartman.
O fortalecimento do diálogo entre a literatura e a sociedade fica por conta de intelectuais, pesquisadores, educadores e comunicadores. A agenda inclui o sociólogo Jessé Souza, um dos principais intérpretes das desigualdades brasileiras; a historiadora Ynaê Lopes dos Santos, especializada em escravidão e relações raciais; as jornalistas Ana Paula Araújo, Carol Raimundi e Luciana Barreto; a pesquisadora e influenciadora Giovanna Heliodoro; a ativista indígena guarani Geni Núñez; a escritora e professora Laura Pires; e a jornalista e pesquisadora Midiã Noelle.
Pluralidade de vozes e formatos
A Flin mais uma vez se destaca pela pluralidade e traz escritores, poetas, criadores de conteúdo e comunicadores que movimentam a cena literária e cultural do Brasil. Entre os destaques estão a jornalista e Youtuber Jout Jout; a criadora e apresentadora do podcast Não Inviabilize Déia Freitas; o autor de romances Stefano Volp; o escritor e palestrante Pedro Salomão; e a comunicadora Gabi Oliveira, criadora do podcast Afetos.
"Este ano, a gente tem mesas sobre histórias em quadrinhos, tem cordelistas na programação, tem oficina de barro, tem uma infinidade de coisas que estão associadas à história tradicional ou sacralizada que é de abrir um livro e ler", disse Jordão Pablo de Pão.
"A gente fala que o maior problema de quem vier a Flin será escolher a programação que quer assistir porque todas [as atividades] estão muito legais e algumas acontecem no mesmo horário, infelizmente, mas é esse problema que a gente quer ter com a Flin de qual atividade vou escolher entre uma boa e uma muito boa", comentou Jackson Jacques.
Parceria inédita com ABL e Biblioteca Nacional
Os organizadores da Flin comemoram este ano a parceria inédita com duas instituições essenciais à literatura: a Academia Brasileira de Letras (ABL) e a Biblioteca Nacional. Além de apoiarem, participam da programação. Em diferentes mesas ao longo dos quatro dias, estarão presentes 15 acadêmicos da ABL. São esperados Antônio Carlos Secchin, Antônio Torres, Geraldo Carneiro, Godofredo de Oliveira Neto, João Almino, Paulo Henriques Britto e Ricardo Cavaliere.
"Tanto a Academia Brasileira de Letras quanto a Biblioteca Nacional vão ter um estande na Flin mostrando para o público leitor a importância de a gente ter esses dois ícones institucionais da literatura no Brasil falando pelo trabalho realizado e expondo os seus autores, criações e fazeres", disse o coordenador artístico.
Curadoria, acessibilidade e formação de leitores
A curadoria em várias mãos da Flin é assinada por Vilma Piedade, Elisa Ventura, MC Marechal, Edu Krieger, Carla Portilho, Jordão Pablo de Pão e Jackson Jacques. Além da programação gratuita, a Festa Literária oferece tradução em Libras e audiodescrição em diversas ações.
A renovação do público também é uma preocupação. A edição de 2026 tem atividades destinadas à formação de leitores e receberá alunos da rede pública de ensino.
A Flin 2026 é realizada pela Prefeitura de Niterói, por meio da Fundação de Arte de Niterói (FAN), com patrocínio da Águas de Niterói e apoio da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Academia Brasileira de Letras (ABL), da Biblioteca Nacional e da Ecovias Ponte.
Perguntas Frequentes
Quando acontece a Festa Literária de Niterói 2026?
A FLIN 2026 começa nesta quinta-feira (13) e segue até domingo (16), no Reserva Cultural de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Quem é a homenageada da FLIN 2026?
Lélia Gonzalez, antropóloga, historiadora e filósofa, fundadora do Movimento Negro Unificado (MNU) e pioneira do feminismo negro no Brasil.
Qual é o tema da FLIN 2026?
O tema é Territórios das Palavras, inspirado no pensamento de Lélia Gonzalez e em seus conceitos como amefricanidade e pretuguês.
A programação da FLIN é gratuita?
Sim, a programação é gratuita. A festa também oferece tradução em Libras e audiodescrição em diversas ações.
Quantas pessoas são esperadas na FLIN 2026?
A expectativa dos organizadores é receber 30 mil pessoas no Reserva Cultural de Niterói.