Crítica · Análises e Críticas

Livro com textos de Pierre Verger é lançado em SP

ResumoO livro Iorubahia, lançado em São Paulo pelo Instituto Çarê em parceria com a Fundação Pierre Verger, reúne 12 ensaios do fotógrafo e pesquisador francês Pierre Verger, sendo 4 inéditos. Os textos foram escritos entre 1958 e 1972, período em que Pierre Verger viveu entre Salvador e a Nigéria.

Parceria do Instituto Çarê com a Fundação Pierre Verger, o livro Iorubahia reúne 12 ensaios do autor, 4 deles inéditos, escritos entre 1958 e 1972, quando ele viveu entre Salvador e a Nigéria.

Rafael Albuquerque Tordesilhas
Rafael Albuquerque Tordesilhas Crítico de Cinema Nacional · 17 de setembro de 2026
Livro com textos de Pierre Verger é lançado em SP
8.4/10
VereditoParceria do Instituto Çarê com a Fundação Pierre Verger, o livro Iorubahia reúne 12 ensaios do autor, 4 deles inéditos, escritos entre 1958 e 1972, quando ele viveu entre Salvador e a Nigéria.

O livro Iorubahia, que reúne 12 ensaios de Pierre Verger, 4 deles inéditos, será lançado nesta quarta-feira (16) em São Paulo. A obra é uma parceria do Instituto Çarê com a Fundação Pierre Verger e traz textos escritos entre 1958 e 1972, período em que o autor viveu entre Salvador e a Nigéria.

Mais conhecido no Brasil como fotógrafo, Verger também se dedicou ao estudo das relações entre o Brasil, especialmente a Bahia, e a África Ocidental, a diáspora africana, a religião dos orixás e as tradições orais da cultura Iorubá.

A coletânea foi organizada em três eixos: os aspectos históricos das relações transatlânticas, a religião Iorubá e a cultura, conhecimento e oralidade Iorubá. A organizadora da obra e coordenadora do Espaço Cultural Pierre Verger, Ângela Lühning, afirma que a proposta é apresentar um outro olhar sobre o autor.

"Um Verger múltiplo, que vai além de uma categoria única do Verger, apenas fotógrafo ou apenas escritor voltado para temáticas históricas, o Verger, supostamente, apenas dedicado a estudos sobre o Candomblé e religião afro-brasileira de influência Iorubá. O Verger que dialoga com tudo isso e um pouco mais, de uma forma talvez um pouco surpreendente em vários textos", explicou.

Pierre Fatumbi Verger nasceu em Paris em 1902 e iniciou sua trajetória profissional como fotógrafo viajante. Em 1946, mudou-se para Salvador, cidade que nunca deixou de fazer parte de sua vida até sua morte, em 1996. Especializou-se na fotografia documental e de campo nas áreas de antropologia, história, conhecimentos orais e botânica, além de ter sido um grande estudioso da cultura.

O lançamento ocorre nesta quarta-feira (16), em São Paulo. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes.

O que muda com a publicação é o acesso a material que circulava de forma restrita. Quatro dos 12 ensaios são inéditos, o que amplia o corpus disponível de um autor cuja produção escrita, muitas vezes, ficou em segundo plano diante da força de sua fotografia. A organização em três eixos também oferece uma leitura menos fragmentada de sua obra.

Para quem acompanha a cena cultural baiana e os estudos afro-brasileiros, o livro chega em um momento de revisão do legado de pesquisadores que atuaram entre o Brasil e a África. A parceria entre o Instituto Çarê e a Fundação Pierre Verger sinaliza uma aposta na circulação desse conhecimento para além dos circuitos acadêmicos.

A obra contribui para a conversa nacional ao recolocar Verger como pensador das relações transatlânticas, e não apenas como fotógrafo. O cinema do país se faz em muitos sotaques, e a produção intelectual sobre a Bahia e a África Ocidental segue alimentando esse repertório.

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