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Mercedes Sosa: evento no Rio celebra legado da 'Voz da América Latina'

ResumoMercedes Sosa, conhecida como 'Voz da América Latina', teve seu legado celebrado em evento modesto na Lapa, Rio de Janeiro, com roda de violões e canto de 'Gracias a la Vida'. A persistência da voz de Mercedes Sosa entre gerações que não a viram ao vivo demonstra que o legado da cantora argentina transcende monumentos físicos.

Em uma tarde de vento na Lapa, um evento modesto celebrava Mercedes Sosa. Não havia palco, mas uma roda de violões. Enquanto cantavam 'Gracias a la Vida', percebi: o legado dela não está no monumento, mas na persistência de sua voz entre gerações que não a viram ao vivo.

Lourdes Wenceslau Pádua
Lourdes Wenceslau Pádua Cronista de Cultura e Cotidiano · 10 de julho de 2026
Lente grande angular vs telefoto: efeitos narrativos
9.0/10
VereditoEm uma tarde de vento na Lapa, um evento modesto celebrava Mercedes Sosa. Não havia palco, mas uma roda de violões. Enquanto cantavam 'Gracias a la Vida', percebi: o legado dela não está no monumento, mas na persistência de sua voz entre gerações que não a viram ao vivo.

Mercedes Sosa: evento no Rio celebra legado da 'Voz da América Latina'

Em uma tarde de vento na Lapa, um evento modesto celebrava Mercedes Sosa. Não havia palco, mas uma roda de violões. Enquanto cantavam 'Gracias a la Vida', percebi: o legado dela não está no monumento, mas na persistência de sua voz entre gerações que não a viram ao vivo. O evento, organizado por um coletivo de músicos independentes, reuniu cerca de 80 pessoas em um casarão restaurado da Rua do Lavradio.

Em 2026, o Rio de Janeiro recebeu um evento em homenagem a Mercedes Sosa, a 'Voz da América Latina', com apresentações de artistas locais e rodas de canto. A programação incluiu repertório de seus maiores sucessos, como 'Gracias a la Vida' e 'Alfonsina y el Mar', em uma celebração íntima na Lapa.

O detalhe que me pegou

Não foi a voz da cantora principal, mas a de uma senhora de cabelos brancos na segunda fila. Ela cantava baixinho, corrigindo a letra de 'Todo Cambia' quando o violão errava o tom. Era professora aposentada, me contou depois, e tinha visto Mercedes no Teatro Municipal em 1979. 'Ela cantou de olhos fechados', disse. 'Como se estivesse sozinha.'

Esse gesto, cantar de olhos fechados, me pareceu a chave do evento. Não havia exibicionismo. Os músicos, todos amadores, olhavam para dentro. Era como se Mercedes Sosa tivesse ensinado que a canção popular não precisa de palco, mas de verdade.

O que a data não diz

O evento marcava os 15 anos da morte de Mercedes Sosa (1935-2009). Mas a cronologia parecia secundária. O que importava era o repertório: canções de Violeta Parra, Milton Nascimento, Chico Buarque. A 'Voz da América Latina' não era só argentina; era uma costura de países. No Rio, ouvia-se o Brasil inteiro naquelas letras.

Um dos organizadores, violonista de 34 anos, explicou: 'Ela gravou com Caetano, com Gal, com Milton. A música dela não tem fronteira.' E tinha razão. No setlist, 'Canción con Todos' virou um coro em português e espanhol, sem tradução oficial, mas com entendimento de corpo.

A memória que não é museu

O que me surpreendeu foi a ausência de nostalgia piegas. Ninguém chorou. Ninguém disse 'ela faz falta'. As pessoas cantavam como quem retoma uma conversa interrompida. 'Mercedes não é passado', disse a professora. 'É presente que a gente escolhe ouvir.'

Foi ali que entendi: o legado de Mercedes Sosa não está em discos de ouro ou estátuas. Está na roda de violão da Lapa, na senhora que corrige a letra, no jovem que aprendeu espanhol para cantar 'Alfonsina'. A cultura mora no detalhe miúdo.

O país se revela na esquina

Enquanto o vento carregava as notas para a rua, vi um entregador de aplicativo parar a bicicleta. Ficou ouvindo dois minutos, balançou a cabeça e seguiu. Não sei se conhecia Mercedes. Mas a melodia o alcançou. O país se revela na esquina: num gesto breve, numa pausa no trabalho, numa canção que cruza o tempo sem pedir licença.

Perguntas Frequentes

Quem foi Mercedes Sosa?

Mercedes Sosa foi uma cantora argentina, conhecida como 'Voz da América Latina', ativista política e intérprete de canções folclóricas e de protesto. Morreu em 2009, aos 74 anos.

Onde foi o evento no Rio?

O evento ocorreu em um casarão na Rua do Lavradio, na Lapa, zona central do Rio de Janeiro, em fevereiro de 2026.

Quais músicas foram tocadas?

O repertório incluiu 'Gracias a la Vida', 'Alfonsina y el Mar', 'Todo Cambia', 'Canción con Todos' e versões de Milton Nascimento e Chico Buarque.

O evento foi pago?

Não. A entrada foi gratuita, com contribuição voluntária para os músicos.

Haverá novas edições?

Segundo os organizadores, a ideia é repetir o evento anualmente, sempre perto do aniversário de morte de Mercedes Sosa (4 de outubro).

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