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Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá

ResumoO escritor André Gravatá afirma que a poesia na infância alimenta a sensibilidade. Gravatá celebra o lançamento de 'Pelos Olhos de Orides' na Flip 2026, obra que adapta poemas de Orides Fontela para crianças, unindo literatura, arte e natureza. O evento levou 270 crianças ao circuito cultural.

Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá, que celebra o lançamento de 'Pelos Olhos de Orides' na Flip 2026. A obra adapta poemas de Orides Fontela para crianças, unindo literatura, arte e natureza. O evento também levou 270 crianças ao circuito cultur

Rafael Albuquerque Tordesilhas
Rafael Albuquerque Tordesilhas Crítico de Cinema Nacional · 29 de julho de 2026
Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá
9.1/10
VereditoPoesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá, que celebra o lançamento de 'Pelos Olhos de Orides' na Flip 2026. A obra adapta poemas de Orides Fontela para crianças, unindo literatura, arte e natureza. O evento também levou 270 crianças ao circuito cultur

Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá

A poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor e educador André Gravatá, que defende o contato precoce com versos como forma de nutrir a curiosidade e o espanto diante do mundo. A afirmação ganha força com o lançamento de "Pelos Olhos de Orides" (Editora Hedra), que adapta poemas da poeta Orides Fontela para crianças, unindo literatura, arte e natureza. A obra foi celebrada durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde Orides foi a autora homenageada.

A poesia na infância alimenta sensibilidade ao transformar elementos simples do cotidiano, como uma nuvem, um pássaro, uma flor ou uma vaca, em convites à contemplação. Orides parte desses objetos para refletir sobre o mundo, o tempo e a espera, com uma linguagem precisa que já definiu uma nuvem como "a flor do céu". Para Gravatá, a criança que se depara com esses poemas tem uma chance de "lembrar do susto e da beleza de ver o mundo por outra perspectiva".

Como a poesia infantil estimula a sensibilidade das crianças

O escritor, autor de livros como "Converseiro da Natureza" (Companhia das Letras) e "Todo mundo rodopia enquanto rodopia o mundo" (Peirópolis), relata uma experiência concreta: uma criança que, ao escovar os dentes, declarou "eu te amo" para a água. "O que é isso senão um poema vivido no corpo?", pergunta. "Criança que lê poesia encontra alimento para nutrir sua sensibilidade, para continuar brincando, se espantando."

A relação entre poesia e infância não é casual. Gravatá ressalta que as crianças amam ouvir poemas, especialmente quando quem os apresenta tem paixão pelo que diz. "Poetas brincam com as palavras, assim como as crianças brincam com tudo que encontram, então elas sabem bem a essência do ofício de quem trama poemas", concluiu.

O livro "Pelos Olhos de Orides" e sua proposta ecológica

Lançado em julho de 2026, o livro propõe uma aproximação das novas gerações à poesia de Orides Fontela, que morreu em 1998, aos 58 anos, logo após o lançamento de "Teia". O organizador Augusto Massi destaca que a poesia de Orides compartilha com a infância uma postura investigativa e liberdade de interpretação.

"Tem espaço no livro, contrastes, exatamente para que a criança possa fazer perguntas", disse Massi durante a mesa de conversa na Casa da Árvore, na Flip. Ele relaciona certas vivências da poeta à sua obra: Orides passeava muito com o pai e eles pescavam juntos. "A pesca exige silêncio. E, quando você faz silêncio no meio da natureza, escuta o canto dos pássaros, o vento batendo nas folhas." Para Massi, "sem nenhum tom de denúncia, o livro da Orides é um livro ecológico".

A ilustração como estímulo à imaginação

A ilustradora Cynthia Cruttenden, responsável pelas imagens do livro, evitou figuras óbvias. Em vez disso, explorou formas, cores e movimentos que podem levar a uma diversidade de interpretações. "Não tem uma figura tão clara, ela está meio escondida ali dentro. São formas com cores fortes e movimento, que trazem uma dualidade das coisas. Eu acho que isso instiga", disse. Massi classificou o projeto de ilustração como "um acontecimento", destacando que "as figuras querem sair do livro. Elas têm força para não ficar encaixadas ali."

Flip 2026: como o evento conectou crianças à literatura

A 24ª Flip contou com o Circuito Cultural, que levou cerca de 270 crianças e adolescentes das comunidades locais para participar do festival literário em Paraty. Além de vivenciar atividades na Flipinha e na Casa da Cultura, eles percorreram as ruas do centro histórico, onde diversas manifestações culturais aconteciam.

Direcionado a estudantes da rede pública e participantes de organizações sociais, o Circuito Cultural é um projeto do Instituto Motiva e ocorre em três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A iniciativa planeja atingir mais de 3 mil crianças e jovens ao longo de 2026.

"Ao conectar as crianças e os jovens a museus, festivais literários e espaços culturais, a gente busca ampliar repertórios, fortalecer o senso de pertencimento e contribuir para a formação de cidadãos mais críticos, criativos e preparados para construir seus próprios projetos de vida", disse Jéssica Trevisam, gerente do Instituto Motiva.

Programa Educativo da Flip: mais de 15 mil participações

O Programa Educativo da 24ª Flip, que contempla Flipinha, FlipZona e FlipEduca, teve mais de 15 mil participações em atividades gratuitas realizadas ao longo de quatro dias em Paraty. O público incluiu crianças, jovens, famílias, educadores e mediadores de leitura.

Para Gravatá, uma das prioridades de todo evento de literatura deveria ser provocar o interesse das crianças e jovens pela literatura. "Fortalecer os espaços educativos, com mais recursos e programação ampliada, faz diferença no presente e no futuro." Ele recorda uma cena marcante: "Uma criança abraçada a um livro. Ela folheava as páginas com os olhos brilhando, o livro era um brinquedo na mão dela!"

"Por isso é tão importante ver a programação do educativo da Flip para as crianças e jovens e outras atividades que também acontecem por lá pra esses públicos, porque assim a gente provoca que desde criança aconteça uma relação afetiva com o livro", disse o escritor, que participou de eventos da Flip em 2026 e no ano anterior.

Como a poesia na infância forma leitores críticos

A aposta na poesia desde cedo não é apenas estética. Para Gravatá, "provocar a paixão pela literatura já na infância é fundamental". A experiência sensorial com as palavras, aliada à liberdade de interpretação que a poesia oferece, contribui para formar cidadãos mais críticos e criativos.

O livro "Pelos Olhos de Orides" exemplifica essa proposta ao reunir poemas que, mesmo adaptados, mantêm o mistério e a intensidade da obra original. A criança não recebe respostas prontas, mas é convidada a fazer perguntas, um exercício que ecoa o olhar investigativo que Massi identifica tanto na poesia de Orides quanto na infância.

O papel dos educadores e mediadores de leitura

Gravatá ressalta que a mediação é crucial. As crianças amam ouvir poemas, mas o entusiasmo de quem apresenta a poesia faz diferença. Quando o adulto tem paixão pelo que diz, a criança se contagia. A experiência na Flip mostra que eventos literários, quando bem estruturados com programação educativa, podem ser catalisadores desse processo.

Perguntas Frequentes

Por que a poesia na infância é importante?

A poesia na infância alimenta sensibilidade, estimula a curiosidade e oferece liberdade de interpretação, ajudando a criança a ver o mundo por outras perspectivas, segundo o escritor André Gravatá.

O que é o livro "Pelos Olhos de Orides"?

É uma adaptação de poemas de Orides Fontela para crianças, lançado pela Editora Hedra em julho de 2026, com ilustrações de Cynthia Cruttenden e organização de Augusto Massi.

Como a Flip 2026 envolveu crianças na literatura?

A Flip 2026 levou cerca de 270 crianças e adolescentes ao Circuito Cultural, além de ter mais de 15 mil participações no Programa Educativo, que incluiu Flipinha, FlipZona e FlipEduca.

Quem é André Gravatá?

André Gravatá é poeta, educador e autor de livros infantis como "Converseiro da Natureza" (Companhia das Letras) e "Todo mundo rodopia enquanto rodopia o mundo" (Peirópolis).

O que Orides Fontela tem a ver com a infância?

A poesia de Orides compartilha com a infância uma postura investigativa e liberdade de interpretação, usando elementos cotidianos como nuvens e pássaros para refletir sobre o mundo.

Como posso apresentar poesia para crianças?

Segundo Gravatá, o entusiasmo de quem apresenta a poesia é fundamental. Ler poemas com paixão e permitir que a criança faça suas próprias perguntas e interpretações é o caminho.

Nota: A equipe de reportagem viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.

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