Sambista Geovana busca reparação por apagamento autoral em regravação
A sambista Geovana, compositora de Tataruê (1975), entrou na Justiça contra a Universal Music Publishing por não ter sido consultada nem remunerada pela regravação da música por Marcelo D2 em 2025. Uma liminar do TJRJ já determinou a inclusão do nome artístico dela nos créditos.
O que está em jogo na briga judicial de Geovana contra a Universal Music Publishing
A sambista e compositora Geovana, autora de Tataruê (1975), entrou na Justiça para cobrar o reconhecimento de sua autoria e o pagamento de direitos autorais sobre a música, regravada pelo rapper Marcelo D2 em 2025. A defesa de Geovana afirma que ela não foi consultada sobre a autorização da nova versão nem remunerada pela editora Universal Music Publishing, detentora de contratos assinados pela artista em 1976. A ação tramita na 1ª Vara Civil do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).
O que diz a liminar concedida pelo TJRJ
Em 30 de junho de 2026, o desembargador Jean Albert de Souza Saadi, da 2ª Câmara de Direito Privado do TJRJ, concedeu uma liminar determinando a inclusão imediata do nome artístico de Geovana nos créditos do vídeo de Marcelo D2 e em todas as publicações da versão regravada. No despacho, o magistrado entendeu que "a postergação da medida liminar agravaria o dano psicofísico e existencial, sobretudo por se tratar de pessoa idosa". Ele deu prazo de 10 dias para o cumprimento, sob pena de multa diária de R$ 5 mil, podendo chegar a R$ 100 mil.
O desembargador constatou "a presença do perigo da demora, em virtude da veiculação contínua da obra musical, em plataformas de streaming, rádio, televisão e redes sociais, desacompanhada da devida menção à verdadeira criadora". Para ele, isso gera prejuízo à consolidação profissional e imagem da compositora.
Por que o nome artístico de Geovana não estava nos créditos?
A controvérsia tem origem no contrato assinado por Geovana com a Universal Music Publishing em 1976, no qual ela constava apenas como Maria Teresa Gomes, seu nome civil. A defesa questiona que somente o nome civil foi citado por Marcelo D2, e não o nome artístico. O advogado do rapper, Thiago Endrigo, afirma que, ao saber da situação, Marcelo D2 pediu que fosse resolvida e que o nome artístico já havia sido incluído antes da liminar. Já o advogado de Geovana, Rafael Moura, informou que, até a concessão da liminar, a inclusão do nome artístico em todas as plataformas ainda não tinha sido atendida.
Geovana não foi consultada sobre a regravação
Outra questão reclamada pela sambista é não ter sido consultada previamente sobre a autorização da regravação. "Nunca que a Universal poderia fazer um negócio desse sem falar comigo", disse Geovana à Agência Brasil. O advogado Rafael Moura afirmou que "a Universal não tinha o direito de autorizar a regravação de Tataruê e, ainda que fosse o caso, isso não poderia ter sido feito sem a autorização e menos ainda sem o conhecimento de Geovana".
Geovana contou que chegou a convidar Marcelo D2 para participar de um álbum de duetos, mas não recebeu resposta. O advogado de D2 reconheceu que um e-mail de 2024 com o pedido não foi lido pela equipe. "Esse e-mail nunca chegou ao Marcelo e nem em mim", relatou Thiago Endrigo.
O pagamento dos direitos autorais segue em disputa
A defesa de Geovana pede o pagamento de direitos autorais por parte da editora. O advogado do rapper informa que os pagamentos são feitos pelas plataformas (Spotify, YouTube, Deezer, Apple Music) à Universal Publishing, que controla a obra. Geovana questiona que não recebe os valores: "Isso acontece há muito tempo. Há muito tempo, a Universal faz este tipo de coisa. Não me presta conta e fica assim, a lá vontê, a ponto de ser surrupiada".
A Agência Brasil pediu uma declaração para a defesa da Universal Music Publishing, mas não teve resposta até o fechamento da matéria. O advogado de Geovana estima que a conclusão do caso "leve alguns anos".
Perguntas Frequentes
Quem é Geovana?
Geovana é uma sambista e compositora brasileira, autora de Tataruê (1975), música que exalta suas origens de matriz africana.
O que Marcelo D2 tem a ver com o caso?
Marcelo D2 regravou Tataruê em 2025. A defesa de Geovana afirma que ela não foi consultada sobre a regravação e que seu nome artístico não constava nos créditos.
O que a liminar do TJRJ determinou?
A liminar, concedida em 30 de junho de 2026, determinou a inclusão imediata do nome artístico de Geovana nos créditos do vídeo de Marcelo D2 e em todas as publicações da versão regravada, sob pena de multa.
Geovana já recebeu os direitos autorais?
Não. A defesa de Geovana afirma que ela não foi remunerada pela Universal Music Publishing. O advogado de Marcelo D2 informa que os pagamentos são feitos pelas plataformas à editora.
Quanto tempo pode durar o processo?
O advogado de Geovana, Rafael Moura, estima que a conclusão do caso "leve alguns anos".